Mulher com medo de cães adota cão com medo de humanos

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Ela tinha cinofobia, até adotar e passar a conviver com um cão que tinha medo de humanos

O amor cura. Isto não é apenas força de expressão: a ciência já identificou diversas situações em que pessoas foram curadas em função do amor, do carinho e da atenção. Esta mulher de 51 anos sofreu por muito tempo de cinofobia – o medo mórbido de cães – até adotar um cão que, por uma feliz coincidência, tinha medo de humanos. 

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Teresa Hwang mora em Oakville, na Província de Ontário, no centro-leste do Canadá, e teve duas experiências desagradáveis e traumáticas com cachorros – ela foi mordida aos dez anos por um cachorro de amigos e a situação se repetiu aos 20 anos. 

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Um susto chamado Boo 

Teresa passou a maior parte da vida evitando cães. A fobia era tão intensa que a canadense chegava a se expor a riscos – atravessando a rua sem olhar para os lados, por exemplo –, para evitar a aproximação do melhor amigo dos humanos. 

Desde criança, Teresa evitava ao máximo o contato com cães. Na idade adulta, o receio se transformou em uma condição mórbida (a cinofobia), que prejudicou a qualidade de vida durante três décadas. Então, ela conheceu Boo. 

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Os cachorros quase sempre são descritos como amigáveis, leais, fiéis e companheiros, mas Boo também tinha um medo mórbido: ele se afastava, sempre que possível, do convívio com humanos. O comportamento de Boo certamente está relacionado a maus tratos, abusos e negligência. 

Boo é um animal adorável, apesar de extremamente medroso. Quase todo branco, ele ostenta pintas pelo corpo e uma mancha preta do lado esquerdo que se estende da orelha até abaixo do olho. O companheiro de Teresa vinha insistindo em adotar o cachorro, mas a mulher evitava o assunto. 

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A adoção 

Finalmente, Teresa foi convencida a pelo menos conhecer alguns cachorros. Depois de pesquisar na internet, o casal decidiu conhecer o Niagara Dog Rescue, um centro de resgate de adoção de cães em Niagara Falls, também em Ontário. 

A canadense estava decidida a fazer alguma coisa para superar a fobia. O medo de cães atrapalhava relacionamentos e a expunha riscos, situações desagradáveis e até cômicas. Principalmente, a cinofobia prejudicava o bem-estar e a qualidade de vida. 

No abrigo, não demorou muito para Teresa conhecer um cachorro chamado Patches (“remendos”, em português). A visitante rapidamente percebeu que o animal conseguia estar ainda mais ansioso do que ela. Mesmo ressabiado, Patches cumprimentou-a com uma lambida na mão. 

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Tempos depois, Teresa contou ao Bored Panda, site especializado em histórias sobre pets, que a reação de Patches, mesmo extremamente tímida, chamou a atenção da equipe do abrigo: “Uau! Isso é muito estranho, ele raramente se aproxima das pessoas”. 

Teresa entendeu que havia uma conexão entre eles. Afinal, se o cachorro havia conseguido superar o medo dos humanos e aproximar-se dela, ela deveria responder à altura. Teresa completou: “Eu tive que levá-lo para casa”. 

O relacionamento inicial não foi muito fácil: tanto Teresa, como Patches (agora chamado de Boo) precisaram fazer alguns ajustes. A canadense continuava sentindo medo, mesmo entendendo que não havia motivo. 

Boo, por sua vez, tinha medo de tudo. Ele não comia nem brincava quando alguém da família estava observando. Também mantinha uma “distância segura” de brinquedos barulhentos e corria para se esconder quando algum barulho estranho alterava a rotina – de um trovão ao som do escapamento de um carro passando pela vizinhança. 

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Rapidamente, no entanto, a dupla conseguiu vencer os temores. Boo passou a apresentar um comportamento mais amistoso, aceitando carinho e interagindo em brincadeiras e jogos. Enquanto ele recuperava a autoestima e permitia os contatos da tutora, Teresa se libertava da fobia que por tanto tempo a aprisionou. 

Teresa afirma que cuidar de Boo revelou sensações semelhantes às que ela experimentou com o nascimento e crescimento dos próprios filhos. “Ele me ensinou a ter paciência e amor incondicionais”, afirma a tutora, convertida em entusiasta de cães. 

“Nós nos curamos, superamos os nossos medos juntos. Boo me resgatou, e não o contrário. Nós mostramos a todos que o amor é muito maior do que o medo”, completa Teresa, sentindo-se orgulhosa do parceiro. 

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A cinofobia 

Trata-se de um medo desproporcional e paralisante. Ter receio de um cachorro grande e agressivo é normal (e recomendável), mas quem sofre de cinofobia desenvolve sintomas que vão muito além da autopreservação e do cuidado. 

No caso de Teresa, o transtorno se instalou depois de dois ataques caninos, mas a cinofobia pode surgir sem nenhum contato com humanos. O problema pode surgir quando a criança é desestimulada a brincar com cães, mas também pode ser uma transferência de outros medos, derivados quase sempre da ansiedade. 

O transtorno prejudica fortemente a qualidade de vida. Ao contrário dos medos pontuais, que surgem e passam quando a ameaça é neutralizada ou afastada, no caso das fobias, o temor é permanente e gera grande desgaste. 

Um cinófobo pode reagir à exposição a um cão – mesmo que seja um chihuahua e, às vezes, apenas a fotografia de um – com falta de ar, crises de choro, agitação, sudorese, taquicardia e desmaios. Algumas pessoas apresentam desconfortos gastrointestinais e contrações musculares involuntárias. 

No caso de Teresa, a cinofobia começou a ser superada com o relacionamento cada vez mais próximo com Boo. Na maioria dos casos, é necessário um tratamento específico. Um psicólogo é qualificado para identificar as razões do trauma e progressivamente levar o paciente a uma condição mais saudável e adequada. 

O tratamento é feito de forma gradual, respeitando as limitações do paciente. Mesmo quando são adotadas técnicas de superexposição – em que o paciente é apresentado ao objeto do medo (em imagens, vídeos e, no caso de cinofobia, na aproximação com animais pequenos e dóceis) -, elas devem ser empregadas apenas depois de um diagnóstico bem firmado e da avaliação adequada das condições do paciente. 

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