Em Teresina, uma mulher faz casinhas com caixas de leite para abrigar cães de rua.

Adriana Serra é uma dona de casa como tantas outras que vivem no Brasil. Moradora da capital piauiense, ela teve uma ideia original, que a torna especial: ela começou a construir casinhas com caixas de leite Tetra Pak, para os cães de rua. Além de abrigo, ela também fornece água e ração para os bichos.

As casinhas são pontos de apoio, para onde os animais vão quando estão com fome ou sede e, claro, quando querem descansar com segurança. Teresina é uma das cidades mais quentes do país – a temperatura raramente cai abaixo dos 21°C, mesmo no inverno –, mas dormir abrigado é sempre mais seguro e aconchegante, independente do clima.

A dona de casa mora no bairro do Jóquei, na zona leste de Teresina. Adriana instalou as casinhas de caixas de leite nas proximidades do prédio em que reside e também tomou para si a responsabilidade de higienizar as casas e abastecer as tigelas com água e comida.

Mulher faz casinhas com caixas de leite para cães de rua

Os moradores

Os cães de rua já têm até nome: Zé, Dante, Branquinha, Salvador, Rafael e Roger são apenas alguns dos que têm comida, água e um teto para se abrigar da chuva e do vento. Os animais foram batizados por Adriana, que verifica regularmente as condições do seu “abrigo”.

No início do projeto, os animais se mostraram ariscos e talvez um pouco confusos. Adriana conta que eles tinham medo de se aproximar (não é preciso ser morador de rua para saber das armadilhas a cada passo). Atualmente, há uma população fixa de 11 animais. Às vezes, alguns cães somem (para perseguir uma cadela no cio, por exemplo), mas logo retornam; afinal, o bom filho sempre volta para casa.

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Muitas pessoas se condoem com as dificuldades enfrentadas pelos animais abandonados, aos quais não resta outra opção além de perambular até conseguir comida e proteção. Algumas delas chegam a afirmar que, se pudessem, “levariam todos para casa”.

Mulher faz casinhas com caixas de leite para cães de rua

É evidente que isto não é possível. Também é verdade que existem alguns santuários, no Brasil e em outros países, que recebem cães e gatos abandonados. A ideia de Adriana, no entanto, é original e simples, pode ser copiada por qualquer um. Inclusive, é possível criar novos projetos – basta usar a originalidade.

Adriana compra 60 kg de ração por mês para distribuir aos cães de rua. Eles, no entanto, não se aproximam apenas por causa de água e comida. O gesto da dona de casa é um gesto de amor – e eles querem carinho. Quem não quer?

Mulher faz casinhas com caixas de leite para cães de rua

A recompensa? Ver os olhinhos brilhando ansiosos, quando ela se aproxima com as sacolas de ração, garrafas de água e alguns minutos de atenção. “Hoje eu me sinto em paz por fazer algo por eles, mesmo que seja pouco”, declarou a dona de caso. Pessoalmente, eu considero um grande gesto. Não tem nada de “pouco” nada atitude desta piauiense.

A ideia das casinhas

Adriana conta que, perto da sua casa, moram muitos animais de rua (ela também fez uma casa menor, para os gatinhos). Ela ficava especialmente incomodada na época das chuvas, que começam a cair em maior volume em dezembro e, em alguns anos, permanecem até maio.

Mulher faz casinhas com caixas de leite para cães de rua

A dona de casa é tutora de Kiara, uma cadela sem raça definida (SRD). A ideia de construir um abrigo para os cães de rua surgiu quando ela meditava, à noite, sobre o conforto da sua família, em contraste com as condições enfrentadas por cães e gatos que não têm um lar.

Pesquisando na internet, Adriana encontrou um projeto de construção com caixas de leite. Ela usa cerca de 150 em cada novo “imóvel”, que, depois de lavadas, são unidas com fita adesiva. Desta maneira, ela forma as paredes, o piso e o telhado.

Mulher faz casinhas com caixas de leite para cães de rua

A ideia surgiu com receitas de artesanato encontradas no Instagram. É possível encontrar modelos de abrigos para pássaros, casas de bonecas e outras construções, como porta-objetos, carrinhos, aviões, navios, móveis e animais de brinquedo. A dona de casa adaptou os projetos e passou a construir casas para cães de verdade – e eles, definitivamente, são muito reais.

Para o “material de construção”, Adriana conta com as caixas de leite consumidas em sua casa e com doações de amigos, vizinhos e parentes. O material foi escolhido porque é fácil de trabalhar – basta unir as caixas e fazer as paredes necessárias para as casas.

Mulher faz casinhas com caixas de leite para cães de rua

Até o momento (o projeto tomou forma em novembro de 2018), estão em pé várias casinhas para cães e gatos, todas instaladas na vizinhança de Adriana. Algumas construções foram roubadas ou destruídas, mas a dona de casa não parece se abalar com esses contratempos.

O lixo de Teresina

 A capital do Piauí produz 17 mil toneladas de lixo por mês. A cada ano, são 204 mil toneladas recolhidas pelas empresas que trabalham para a prefeitura. Neste total, no entanto, não estão computados os descartes irregulares, em lixões e mesmo nas ruas.

Os problemas do acúmulo do lixo são conhecidos: os aterros sanitários não dão conta de enterrar todo o lixo produzido, fato que atrai roedores e outras pragas. Na época das chuvas, muitos materiais descartados pela população acabam se transformando em viveiros para mosquitos, inclusive o vetor da dengue, zyka e febre chikungunya.

Todos os componentes das caixas de leite podem ser reciclados. Estas embalagens são compostas por papel (75%), plástico – especialmente polietileno (20%), e alumínio (5%). Para reciclá-las, no entanto, é necessário higienizá-las e, claro, contar com coleta seletiva na região de moradia.

A ideia de Adriana Serra, além de proporcionar um mínimo de bem-estar para os animais de rua, também oferece um destino muito mais nobre para as caixinhas de leite. Evidentemente, o impacto ambiental é minimamente reduzido com a iniciativa da dona de casa, mas a preservação do meio ambiente é uma tarefa de formiguinhas.

Construir casinhas para cães de rua com caixas de leite, oferecer um pouco de alimento e água. É ou não é uma ideia genial? Nossos companheiros de planeta agradecem. A iniciativa merece ser multiplicada em outros pontos do Brasil e do mundo.

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