Mulher recusa ir para o abrigo para não se separar dos seus cachorros

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Esta mexicana prefere dormir na rua a ter de se separar dos cachorros com quem vive. 

Uma história emocionante, que se repete em diversas partes do mundo. Trata-se do amor incondicional de uma mulher de 65 anos, encontrada no início de 2021, nas ruas de Tijuana (México). Ela se recusou a ser levada para o abrigo, para não se separar dos seis cachorros que vivem com ela. 

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Soledad de Castro Olmedo, conhecida como Abuelita Chole, mora em uma barraca improvisada com sacos plásticos na rua. Em janeiro de 2021, em pleno inverno mexicano, imagens da idosa foram postadas nas redes sociais e viralizaram rapidamente. 

A mulher e os cachorros 

Chamou atenção dos internautas o fato de que Abuelita Chole foi identificada vivendo na rua em Tijuana, exposta ao frio e às chuvas intensas do inverno do México. Muitas pessoas chamaram a polícia e membros de entidades de promoção social da cidade, mas a idosa foi taxativa: ela quer ficar com os cachorros. 

Mulher recusa ir para o abrigo para não se separar dos seus cachorros
Reprodução Facebook/Alejandra Córdova Castro.

A recusa surpreendeu os internautas e moradores das redondezas do local em que Abuelita Chole improvisou a sua barraca. À imprensa local, a mulher sem teto declarou: 

“Não quero ir, estou bem. Não preciso de ajuda, obrigada. Não quero me separar dos meus cachorros. Esta cadela aqui vai dar à luz, tem também o tubarão e o outro…” O choro da idosa interrompeu o testemunho. 

As imagens foram compartilhadas o Tik Tok. A partir da denúncia de um morador de Tijuana, uma equipe da polícia se deslocou até o local, mas a idosa argumentou que estava bem, que ela ficaria bem na companhia dos cachorros. 

Mulher recusa ir para o abrigo para não se separar dos seus cachorros
Reprodução Facebook/Alejandra Córdova Castro.

Em uma tentativa de afastar os policiais, Abuelita Chole chegou a dizer que estava apenas esperando a filha, que chegaria a qualquer momento. Quando argumentaram que ela não tinha ninguém para ajudá-la, ela disse que tinha medo de ser detida. 

Finalmente, a idosa apresentou o motivo real da recusa: os abrigos para moradores de rua da cidade não permitem a permanência de cachorros – e ela é a guardiã de seis animais, incluindo uma que estava grávida, prestes a ter filhotes. 

Diante da recusa, os policiais conseguiram convencer a mulher a ir para a casa de um filho. Os soldados se incumbiram de deixá-la com o parente, onde Abuelita Chole passou a noite. No dia seguinte, porém, a idosa estava de volta à mesma calçada fria, sempre na companhia dos seus cachorros fiéis. 

Mulher recusa ir para o abrigo para não se separar dos seus cachorros
Reprodução Facebook/Alejandra Córdova Castro.

Em outro vídeo postado no Tik Tok, a mulher explica que mora na rua há seis anos, sempre no mesmo ponto da Rua Constitución, na zona norte de Tijuana. Familiares e amigos implicaram com a presença dos cachorros e ela não teve outro jeito, a não ser tornar-se sem teto para impedir que os animais fossem afastados e sofressem maus tratos ou fossem atropelados. 

A mulher explicou ainda, no vídeo, que “os cachorros já tinham tomado o café da manhã” naquele dia: eles haviam comido restos de birria, um prato feito com pedaços de cabrito, típico do México. Abuelita Chole vive recolhendo lixo na rua e vendendo material reciclável. 

O abrigo 

Soledad não vê o abrigo como opção para proteger-se do frio e da chuva. “Se me levarem para o buraco (abrigo), vão tirar os meus cachorros de mim e eles ficarão desabrigados. Gostaria de ter um quarto para poder ficar com os meus cachorros, que também precisam de ajuda”. 

Abuelita Chole não se preocupa com nada além do bem-estar dos cachorros que a acompanham. Provavelmente, a idosa sofre de problemas mentais, causados ou exorbitados pelo dia a dia nas ruas, sem ter para onde ir. 

É preciso que os abrigos – de Tijuana e do mundo inteiro – tenham um olhar mais compassivo. Não basta recolher os sem teto, oferecer banho, alimento e uma cama por uma noite. É fundamental que pessoas menos favorecidas financeiramente possam exercer a sua cidadania. 

Soledad quer ficar com os cachorros – que também merecem alimento e agasalho. Além da amizade incondicional, a presença dos animais é parte da própria identidade da idosa. É importante pensar nestes seres, que também são cidadãos, como portadores não apenas de necessidades e carências, mas também de vontades e desejos. Eles são seres humanos, como nós. 

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