Mulher se despede de seu cão resgatado e salvo há 17 anos

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Depois de uma convivência de 17 anos, mulher tem de se despedir de cão resgatado na rua. 

O cenário desta história é Los Angeles, mais precisamente em Echo Park, bairro famoso pelo lago homônimo, as vans de comida mexicana e a vida agitada do Sunset Boulevard, que liga o centro da cidade e Hollywood. Foi nas ruas de Echo Park que Jesusita conheceu Solovino, um cão de rua: foi amor à primeira vista. 

Solovino – o nome significa “o que veio sozinho”, em espanhol – apareceu há quase duas décadas na porta da casa de Jesusita – e esta mulher soube na mesma hora que eles estavam predestinados a envelhecer juntos. 

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HOME DOG LA

O cachorro olhou docemente para a mulher e, assim que ela abriu a porta, ele não saiu mais de perto dela. Solovino tornou-se um companheiro para todos os momentos: o cão sem raça definida segue a tutora por onde quer que ela vá. 

Velhice e doença 

Há alguns anos, Jesusita percebeu que Solovino estava ficando velho: ele estava caminhando cada vez com mais dificuldade: “ahora ya caminas lento, como perdonando el viento”, como diz uma antiga canção do cantor argentino Piero. 

Os passos de Solovino começaram a vacilar e o cachorro já não conseguia subir os degraus entre o portão e a porta da casa de Jesusita, que se abriram para ele 17 anos antes. O animal foi diagnosticado com artrite e outras doenças características da idade avançada. 

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HOME DOG LA

Certo dia, Solovino se rendeu aos fatos: ele já não conseguia dar mais nenhum passo. Foi então que Jesusita decidiu pedir ajuda ao Home Dog Los Angeles, uma entidade não governamental especializada em auxiliar tutores de cães com poucos recursos, mas que fazem questão de manter os pets seguros. 

Ao The Dodo, site americano especializado em animais, Kerry Armstrong, fundadora do Home Dog LA afirmou: 

“Recebemos uma chamada da tutora, dizendo que ela tinha um cachorro de 17 anos e precisava de ajuda com eutanásia.” 

Este é o tipo de ligação telefônica que a ONG está acostumada a receber. Nos EUA, a maioria das pessoas tende a entregar os animais doentes ou idosos a abrigos, ou simplesmente os abandonam, porque não podem mais cuidar deles. 

Geralmente, os tutores não têm condições financeiras para arcar com os custos do tratamento. A fundadora do Home Dog LA continuou o depoimento: 

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HOME DOG LA

“Muitas pessoas amam os seus animais e não querem vê-los sofrendo no final da vida ou de uma doença terminal, mas não têm como pagar pela eutanásia no veterinário. Às vezes, eles tentam levar os pets para o abrigo porque acham que não têm outra opção”. 

Na mesma semana da chamada telefônica, um dos membros da ONG visitou a casa de Jesusita. Ela pegou Solovino no colo e levou-o, juntamente com a tutora, para uma clínica. O cachorro atravessou, pela última vez, a porta que havia se aberto para ele 17 anos antes. 

Depois de um passeio de despedida, Solovino foi levado a uma clínica veterinária, sempre carregado no colo com carinho pela voluntária. Por fim, o cachorro foi posto para dormir. Jesusita precisava apenas de uma pequena ajuda para cruzar a reta final da história. As imagens da despedida são emocionantes.