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Na ausência do tutor, cachorro se aninha em um manequim

Ele vive em um abrigo e, quando fica sozinho, procura um manequim para não se sentir sozinho. 

Kristen e Marc Peralta são os proprietários do Vintage Pet Rescue, um abrigo para animais com sede em Foster, uma vila de Rhode Island, EUA. A organização especializou-se em resgatar e tratar de cães idosos abandonados. Um deles é Shorty, um pug de 15 anos, que encontrou uma excelente maneira de não se sentir sozinho: ele se abriga nos braços de um manequim. 

Logo que foi encontrado por Marc, dez anos atrás, Shorty apresentou sintomas de ansiedade de separação. Ele devia ser muito apegado aos antigos tutores e transferiu os vínculos para o dono do abrigo. Sempre que Marc tinha de sair, Shorty se mostrava frustrado, hiperativo, amedrontado e tendia a ficar isolado dos demais cães. 

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Um mecanismo de compensação 

A residência de Kristen e Marc fica junto ao Vintage. Desta forma, o casal passa praticamente o tempo junto com os cães abrigados. Mas Shorty precisou criar uma estratégia para não se sentir sozinho, o que sempre provocada uma tristeza profunda. 

Além do abrigo, Marc Peralta trabalha como representante comercial e costuma fazer viagens curtas por toda a costa oeste americana. Ele nunca se ausenta por mais de dois ou três dias, mas isto é o suficiente para disparar os sinais de ansiedade em Shorty. 

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Da mesma forma, o pug explodia de felicidade em todos os reencontros. Ele conseguia farejar a aproximação de Marc e mudava o comportamento, mostrando-se hiperativo, muito agitado. Ao ver o tutor, a festa era efusiva. 

Porém, tanto a tristeza profunda nas ausências, quanto a excitação exagerada nos retornos, estavam fazendo mal para a saúde do cachorro. Os donos do Vintage precisavam encontrar um mecanismo de compensação que não prejudicasse o peludinho. 

Assim como todos os cães braquicefálicos (de focinho achatado), Shorty sofre com problemas cardiorrespiratórios. As vias aéreas curtas prejudicam a respiração e “encurtam” o fôlego. Esses transtornos são os principais responsáveis por encurtar o tempo de vida dos pugs (e outros, como boxers, buldogues franceses e ingleses, etc.). 

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Superando o problema 

Nem mesmo a presença e os cuidados de Kristen eram suficientes para amenizar a tristeza de Shorty. Na ausência de Marc, ele deixava de brincar, comia pouco e ficava sempre em compasso de espera, aguardando o retorno. 

O casal tentou resolver o problema deixando peças de roupas de Marc pela casa, para que o cachorro sentisse o cheiro do tutor e conseguisse ficar mais tranquilo. A estratégia não surtiu efeito, assim como os áudios de Marc “conversando” com Shorty. O cãozinho sabia, de alguma forma, que o amigo não estava por perto. 

A situação se complicava e parecia não ter solução. Então, a mãe de Kristen sugeriu a compra de um manequim em tamanho natural, desses utilizados em exposições e vitrines de lojas, que seria vestido com roupas de Marc. 

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Parecia loucura, mas o casal já havia tentado, sem resultados positivos, todos os recursos propostos por especialistas em comportamento canino. Para surpresa geral, o truque do manequim deu certo. Na página do Vintage no Facebook, Kristen postou: 

“Nós acabamos de atingir um novo nível de insanidade no abrigo. Como todos sabem, Shorty fica muito ansioso quando Marc precisa sair. Ele late, chora e nada consegue acalmá-lo. Minha mãe sugeriu o uso de um manequim com as roupas de Marc – e isso resolveu o problema!” 

Kristen comentou, ainda, que Marc ficou um pouco aborrecido por ter sido trocado com tanta facilidade, mas a esposa disse que ele não precisa se preocupar, “porque o manequim não é, nem de longe, tão bonito e esperto como ele”

Desde então, todas as vezes em que Marc não está por perto, Shorty se aninha nos braços do manequim e fica tranquilo durante horas. As sessões ininterruptas de latidos e choro nunca mais foram ouvidas. O peludinho está calmo e bastante confiante na “presença” constante do tutor. 

A ideia do substituto funcionou por ter unido dois detalhes importantes: um objeto estável, que transmite segurança, e o cheiro impregnado de Marc nas roupas. Shorty deve entender que, como o manequim não se movimenta, está na hora do cochilo – e chega a passar a noite inteira nos braços do amigo. 

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Replicando o truque 

Quem tem um cachorro que sofre com a ansiedade de separação pode tentar esta estratégia. Um manequim com forma humana não é tão importante, mas as roupas devem estar dispostas da mesma forma que um humano vestiria. 

Também não é necessário que as roupas sejam usadas – não é preciso que haja suor no tecido para que o cachorro se tranquilize. Cães possuem entre 125 milhões e 300 milhões de receptores olfativos e conseguem perceber cheiros que passam despercebidos para os narizes humanos, que possuem “apenas” cinco milhões de receptores. 

Qualquer peça de roupa pode ser empregada para acalmar os cachorros (desde que já tenha sido usada pelo menos uma vez). A estratégia pode ser usada também com cães que passam muitas horas sozinhos, para que eles não se sintam entediados e desenvolvam comportamentos destrutivos ou agressivos. 

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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