Nina, a cadelinha que sofria maus-tratos adotada por Boechat

Há três anos, o jornalista Ricardo Boechat adotou Nina. Ela tinha um histórico de maus tratos.

Boa parte dos seres humanos, quando realiza uma boa ação, costuma apregoá-la aos quatro ventos. Não foi isto, no entanto, que aconteceu com o jornalista Ricardo Boechat, âncora do “Jornal da Band” (Grupo Bandeirantes de Comunicação).

Há pouco mais de três anos, no final de 2015, o jornalista conheceu um canil, em Porto Alegre (RS), que resgata animais que sofreram maus-tratos, seja na rua, seja na casa em que moravam. O caso de Nina se enquadra na segunda opção.

Boechat e sua mulher, Veruska, se apaixonaram por Nina à primeira vista. Levaram-na para casa e, desde então, a cadelinha faz parte da família, que agora não conta mais com o amor do pai.

Ricardo Boechat

O jornalista Ricardo Boechat, que em seu currículo conta com passagens em “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de São Paulo” e “Jornal do Brasil”, trabalhava no Grupo Bandeirantes – na rádio Band News e na TV Bandeirantes, onde apresentava o principal noticiário, além de assinar uma coluna semanal da revista “Isto É”.

Autodidata (nunca frequentou uma faculdade de Jornalismo), Boechat é um dos profissionais mais premiados do Brasil – venceu por três vezes o prêmio Esso e por diversas vezes o prêmio Comunique-se. O jornalista não nasceu no país. Ele era argentino – o pai, diplomata, estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores há 66 anos, quando Ricardo Boechat nasceu.

O jornalista morreu no dia 11/02/19, quando o helicóptero que o transportava caiu na Rodovia Anhanguera (que liga São Paulo à região central do Estado). Boechat voltava de uma palestra em Campinas.

Existe uma orientação evangélica para que nós não apregoemos as nossas boas ações; que nós as façamos em segredo. No entanto, o que se verifica, na maioria das vezes, é a divulgação exagerada, para que todos saibam. Boechat, contudo, não fez questão de se apresentar como “defensor dos animais maltratados”. Apenas apaixonou-se por Nina e levou-a para casa.

De acordo com Veruska Boechat, o jornalista era “o ateu que mais praticava o mandamento mais importante de todos, que é o amor ao próximo, porque sempre se preocupou com todo mundo, sempre teve coragem”. Pelo que podemos ver, o “próximo” incluía também os nossos amigos de quatro patas.

Esta história permaneceria em sigilo, se não fosse por um post, no dia 12/02/19, de Lourdes Sprenger nas redes sociais, solidarizando-se com a família. Sprenger é vereadora em Porto Alegre, considerada a primeira parlamentar eleita pela causa ambiental.

A vereadora gaúcha já apresentou projetos para o apadrinhamento de cães e gatos e também para a proibição da fabricação e venda de fogos de artifício. Graças à iniciativa da parlamentar, a capital gaúcha não permite a soltura de fogos desde novembro de 2016.

Agora, sabemos que, além de um excelente profissional da comunicação, Ricardo Boechat também se preocupava com o meio ambiente e com o cuidado com os pets. Precisamos mais de “Ricardos Boechats” no país. O jornalista já está fazendo falta.

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