ONG faz campanha para recuperar cão enterrado vivo

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O cão foi achado apenas com a cabeça para fora. ONG está arrecadando fundos para o tratamento. 

Um cachorro foi enterrado vivo às margens da Rodovia Antônio Romano Schincariol, que liga Tietê a Itapetininga, em São Paulo. O crime aconteceu em Tatuí, na região metropolitana de Sorocaba, a 130 km da capital paulista. O animal passou por duas cirurgias e continua em tratamento. 

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A ONG União Internacional Protetora dos Animais (UIPA) de Itapetininga, que o socorreu, está em campanha para arrecadação de fundos e realizou protestos no local em que o cachorro foi encontrado, para denunciar os maus tratos sofridos por parte dos animais de estimação. 

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Foto: União Protetora dos Animais (UIPA)/Divulgação

O ato público organizado pela UIPA foi pacífico e reuniu 70 pessoas, que percorreram as ruas centrais de Tatuí. A manifestação, pedindo justiça para o cachorro – e alertando para o fato de que maus tratos contra animais é um crime previsto em lei – teve início às 10h de 26.09.21 e prolongou-se por duas horas. 

O crime 

O cachorro, da raça dachshund (o popular salsicha), foi encontrado em um terreno baldio às margens da rodovia, entre Boituva e Tatuí, já na área urbana deste último município. Fernanda Nery, presidente da UIPA, informou à imprensa que o animal apresentava uma série de ferimentos, especialmente nas pernas e no pescoço. 

O crime aconteceu no dia 12.09.21. O animal, que aparenta ter seis anos, foi encontrado por um casal de Itapetininga, que passava pelo local a pé. Ouvido pela Polícia Civil, esse casal disse que viu uma pessoa, na altura do km 28 da rodovia, com uma enxada nas mãos, e decidiu verificar o que estava acontecendo. 

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Foto: União Protetora dos Animais (UIPA)/Divulgação

Ainda de acordo com o registro policial, o casal tentou conversar com o homem, mas este parecia assustado, caminhou rapidamente em direção a um carro estacionado, guardou a enxada e afastou-se. Logo depois, as testemunhas avistaram um montinho de terra, com a cabeça do cachorro parcialmente enterrada. 

O boletim de ocorrência foi lavrado em 14.09.21, na Delegacia de Tatuí. Três dias depois, policiais localizaram alguns suspeitos de terem enterrado o animal vivo. De acordo com o relato de uma das suspeitas, o dachshund havia se ferido em uma briga com outro cachorro, um pitbull, que resultou no corte no pescoço. 

O delegado responsável pelo caso, José Luiz Silveira Teixeira, afirmou à imprensa local que o casal suspeito contou em depoimento ter acreditado que o cachorro estava morto. Eles eram os tutores do dachshund e chegaram a levá-lo ao veterinário (sempre de acordo com o depoimento na delegacia), mas, em função do alto custo, não puderam arcar com o tratamento. 

O caso continua sendo investigado e o delegado está aguardando os laudos médicos que devem ser expedidos pela clínica em que Menino – este é o nome provisório do cão – está internado, para dar continuidade ao processo ou arquivá-lo. O casal suspeito pode ser indiciado por maus tratos, crime passível de pena de dois a cinco anos de cadeia. 

Resgate e socorro 

Provavelmente, o animal conseguiu desvencilhar-se e colocar o focinho para fora da terra. O casal desenterrou o cachorro rapidamente, limpou-o e no dia seguinte, 13.09, encaminhou o peludo para o Ambulatório Municipal Pet de Itapetininga. 

No ambulatório público, o dachshund recebeu soro fisiológico, para combater a desidratação, foi sedado e teve o corte na garganta esterilizado e suturado. Em seguida, com a ajuda da UIPA, ele foi levado para uma clínica particular em Botucatu. 

Os ativistas dos direitos dos animais que realizaram os protestos estão organizando um abaixo-assinado, pedindo justiça para Menino e o cumprimento da Lei Sansão, que endureceu as penas para autores de crimes de maus tratos contra animais. 

O abaixo-assinado está disponível em https://bit.ly/JustiçaCãoMenino. Os interessados em ajudar o cachorrinho podem obter maiores informações através de chamadas e mensagens pelo telefone (15) 99852-6513. 

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Foto: União Protetora dos Animais (UIPA)/Divulgação

Atendimento de emergência 

A presidente da UIPA disse que o dachshund já foi submetido a dois procedimentos cirúrgicos até o momento, que se estenderam por quase dez horas. A ativista informou que Menino apresentava um corte profundo no pescoço e precisou de uma cirurgia de reconstrução. 

O animal foi resgatado e encaminhado a uma clínica veterinária particular, situada em Botucatu (distante 100 km de Tatuí). Por isso, a UIPA decidiu organizar a campanha para arrecadar fundos e custear o tratamento. 

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Foto: União Protetora dos Animais (UIPA)/Divulgação

Na primeira intervenção, os cirurgiões retiraram parte da pele das pernas para enxertar na área ferida. O procedimento prolongou-se por mais tempo do que o esperado, porque, na intervenção, os especialistas constataram que a traqueia do cãozinho estava dilacerada, o que comprometia a respiração. 

Depois da primeira cirurgia, o cachorro ficou internado para observação da evolução do quadro clínico, alimentando-se através de uma sonda gastroesofágica. Em 21.09.21, passados quatro dias, Menino começou a apresentar sinais de rejeição do tecido transplantado e precisou voltar para a mesa de cirurgia. 

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Foto: União Protetora dos Animais (UIPA)/Divulgação

O estado de saúde ainda é considerado grave, mas Menino é um cachorrinho forte e está lutando para sobreviver. No entanto, ainda de acordo com Fernanda Nery, o custo do tratamento é altíssimo. Além das cirurgias, o dachshund precisa receber medicamentos e submeter-se a diversos exames de laboratório e de imagens. 

Os veterinários afirmam que Menino teve a traqueia dilacerada em um esforço para conseguir respirar. Como a terra comprimia a garganta, ele forçou o órgão respiratório, em um grande esforço para sobreviver. 

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