Pai de cão leva seu amigo doente para passeio de despedida

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Aconteceu no País de Gales. Tutor leva cachorro para se despedir do passeio predileto.

Carlos Fresco, de 57 anos, é um tutor como tantos outros. Ele e o labradoodle Monty, de dez anos, gostavam de se aventurar pelas montanhas do País de Gales – uma das nações que formam a Grã-Bretanha – até que o cachorro contraiu uma doença grave.

Há 18 meses, Monty – um mestiço de Labrador e poodle – recebeu o diagnóstico de leucemia. O estágio da enfermidade não permitia a cura e, por isso, o cachorro recebeu apenas tratamentos paliativos, para aliviar os sintomas.

O labradoodle é um cão híbrido resultante do cruzamento entre retrievers do Labrador e poodles standard e miniatura. Trata-se de uma raça canina em desenvolvimento, que começou a ser criada em 1988, por criadores australianos.

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CRÉDITO: SWNS

A doença

Em janeiro de 2020, Monty foi diagnosticado com leucemia. Inicialmente, os médicos responsáveis decidiram submetê-los a tratamentos com quimioterapia. De acordo com Fresco, o cachorro reagiu muito bem à terapia.

No começo de maio de 2021, no entanto, Monty teve uma recaída. Fresco afirma que, mesmo antes de o veterinário apresentar o quadro clínico do cachorro, ele já sabia que, desta vez, o labradoodle estava morrendo.

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Em oito semanas, o estado de saúde de Monty se deteriorou de maneira drástica. A evolução da leucemia, nesta recidiva, foi muito rápida. E o tutor sabia que tinha de fazer alguma coisa: afinal, o cachorro sempre esteve ao seu lado, durante a vida inteira.

Uma história emocionante

Fresco e Monty moravam em Londres, capital da Inglaterra e do Reino Unido. Sempre que podiam, no entanto, eles gostavam de passar alguns dias em Brecon Beacons, um parque nacional bastante montanhoso no País de Gales.

O parque fica a 290 km de Londres. Monty gostava especialmente das trilhas e caminhadas pelas montanhas do bosque, que escalou diversas vezes. Ele certamente era um cachorro atlético. Na última viagem, no entanto, não estava em condições para atividades físicas muito intensas.

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CRÉDITO: SWNS

O cachorro, ao lado do tutor, explorou diversas atrações do parque. Monty conhecia o canal Brecon, a ponte Crickhowell, a pedra Maen Llia, as Black Mountains, o reservatório e até os pontos turísticos, como a igreja e a destilaria de Brecon Beacons.

Mas o passeio predileto de Monty era a escalada do pico Pen y Fan, o ponto mais elevado da reserva e um dos mais altos das Ilhas Britânicas, que se eleva 886 metros acima do nível do mar. Fresco, um profissional do ramo de hotelaria, sabia bem do estado de saúde do cachorro, mas também conhecia as preferências de Monty na palma da mão.

Então, se o passeio predileto de Monty era Pen y Fan, Carlos Fresco decidiu levar o animal mais uma vez, para apreciara vegetação e a paisagem que se desdobra morro abaixo. O cachorro não poderia escalar – ele não resistiria ao esforço.

Por isso, Fresco transportou Monty, morro acima, em um carrinho de mão. O labradoodle foi levado para o passeio predileto e curtiu cada instante, especialmente por estar junto com o melhor amigo, em uma aventura igual a tantas outras que a dupla partilhou.

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O cachorro teve direito a almofadas e cobertas, para permanecer aquecido e confortável durante o passeio predileto – o último antes de subir para o céu dos cachorros. Fresco explica a aventura, que contou com o apoio de diversos excursionistas:

“Achei um carrinho de mão velho e enferrujado. Decidi tirar a poeira e lubrificar os eixos. No dia seguinte, coloquei Monty nele, em cima de um monte de cobertores, e comecei a empurrá-lo para o topo do Pen y Fan. Ele adorou – e a reação dos outros durante a caminhada foi incrível.”

Poucos dias depois, em 21.06.21, Monty morreu. Para Fresco, o passeio predileto foi uma despedida digna para o cachorro com quem conviveu por dez anos. Embora ele estivesse bastante debilitado, o tutor afirma que Monty adorou o passeio e atenção que recebeu dos visitantes, que inclusive se dispuseram a ajudar a empurrar o carrinho de mão.