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Pessoas continuam deixando ossos no memorial de um cão herói

Muita gente deposita ossos e petiscos no memorial de Sallie Ann Jarrett. Entenda por quê.

A vida de Sallie foi curta: ela nasceu na primavera de 1861 e foi morta em fevereiro de 1865. Para homenageá-la, foi construído um memorial em sua sepultura, que ainda hoje é visitado. Muitas pessoas depositam ossos e petiscos no local.

Sallie Ann Jarrett é o nome da mascote oficial da 11ª Infantaria Voluntária da Pensilvânia (EUA). A cadela acompanhou os soldados durante quase toda a Guerra Civil Americana (1861-1865). De acordo com a descrição do comandante da tropa, coronel Richard Coulter, era “um bull terrier tigrado, de boa raça, que mostrava marcas de sangue”.

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Wikimedia Commons/ Stripeddaisy

A história de Sallie

Provavelmente, Sallie era um american staffordshire terrier ou um ancestral desta raça. No século 19, as raças caninas ainda não estavam definitivamente estabelecidas nos EUA e todos os cães usados em combates com outros animais eram chamados de “bull terrier”.

A cadela nasceu em West Chester, Pensilvânia, e foi doada a um oficial da 1ª Companhia da infantaria, capitão William Terry, em maio de 1861. Na época, o regimento estava acampado em Camp Wayne, o antigo recinto de feiras da cidade.

Pessoas continuam deixando ossos no memorial de um cão herói
Wikipedia/ Carptrash

O “batizado” da cadela é uma dupla homenagem. Sallie Ann era uma jovem muito apreciada pelos soldados, enquanto o sobrenome se refere ao primeiro comandante da companhia, coronel Phaon Jarrett.

Sallie adaptou-se rapidamente à vida militar. Ela participava dos exercícios dos soldados e estabeleceu uma posição própria nos deslocamentos da companhia: ela sempre desfilava à frente do cavalo montado por Coulter.

A cadela ficou tão famosa que era conhecida por outros batalhões de soldados que lutavam contra os Estados confederados. Em pelo menos duas ocasiões, ela marchou com a companhia enquanto o presidente Abraham Lincoln passava as tropas em revista.

A “cachorra de Dick Coulter” também acompanhava as batalhas – ela não se esquivava dos confrontos, mas latia bravamente contra os adversários. Ela esteve presente em alguns confrontos históricos, como Cedar Mountain, Fredericksburg e a segunda Batalha de Bull Run, vencidas pelos confederados, e participou das vitórias em Antietam, Gettysburg e Petersburg.

Em meio às campanhas bélicas, Sallie Ann Jarrett acasalou e deu cria pelo menos cinco vezes. A maioria dos filhotes também acompanhou os aliados em suas batalhas. Sallie marcou a Guerra Civil durante gerações.

Em julho de 1863, durante a Batalha de Gettysburg, durante a retirada dos confederados, Sally se separou dos oficiais e estes temeram que ela estivesse morta. A cadela, no entanto, permaneceu na retaguarda, em Oak Ridge, onde ocorreram os primeiros encontros. Ela foi encontrada montando guarda aos soldados mortos e feridos.

Em 1864, na Batalha de Spotsylvania, Sallie foi atingida no pescoço por projéteis.  O cirurgião da companhia tratou os ferimentos, mas não conseguiu extrair a bala. A cadela sobreviveu mesmo assim e, dias depois, a bala foi eliminada espontaneamente.

No dia 6 de fevereiro de 1865, apenas dois meses antes do final da Guerra Civil Americana (encerrada em 09.04.1865 e vencida pelos aliados), em Hatcher’s Run (Virgínia), Sallie foi baleada e morta. Mesmo sob fogo pesado, alguns soldados depuseram as armas para dar um enterro digno à heroína de guerra.

A homenagem

Em 1890, quando os veteranos de guerra da 11ª Infantaria ergueram um monumento no campo de batalha de Gettysburg, uma estátua de bronze em tamanho de Sallie foi colocada em um pedestal de granito, em reconhecimento à sua bravura e lealdade.

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MUSEU DA PENSILVÂNIA E COMISSÃO DE HISTÓRIA

A cadela de bronze está em posição de descanso, deitada tranquilamente, mas com os olhos fixos no campo de batalha, atualmente transformado em parque nacional militar. Os visitantes da Pensilvânia até hoje prestam homenagens a Sallie no local. Turistas deixam brinquedos, ossos e petiscos no memorial, além de flores e moedas.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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