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Polícia resgata cachorro mantido em cárcere para doação de sangue

O animal foi finalmente libertado. Agora, o cachorro se recupera e será colocado para adoção.

Artur, um belo cachorro preto sem raça definida, foi mantido em cativeiro em uma clínica veterinária de Maceió, capital alagoana, com o único objetivo de “doar” sangue para os pacientes internados no estabelecimento.

As primeiras denúncias sobre a situação do cachorro surgiram há mais de um ano, mas, em um primeiro momento, foram apenas solicitadas informações para o estabelecimento que tinha a posse e guarda de Artur. Na época, esse estabelecimento disse que o cachorro já havia sido adotado. As tentativas de resgate ocorreram apenas depois de novas denúncias.

O cachorro foi finalmente liberado pela Polícia Civil de Alagoas. O delegado Leonam Pinheiro publicou em suas redes sociais, em 13.07.21: “Após algumas buscas, conseguimos encontrar Artur e o resgatamos. Agora, ele está sendo medicado e, em breve, estará disponível para adoção responsável”.

Artur foi transferido para a ONG Pata Amada. Ele está sendo observado por veterinários e deve passar por um período de adaptação, já que permaneceu durante um longo período sem cuidados adequados e mesmo a convivência com humanos e outros animais.

Polícia resgata cachorro mantido em cárcere para doação de sangue
O cão Artur e o delegado Leonam que ajudou no resgate. Foto: Perfil Instagram

O caso

Em 24.06.21, depois de receber diversas denúncias, representantes da Comissão de Bem-Estar Animal da OAB-AL (Ordem dos Advogados do Brasil – seção Alagoas) tentaram resgatar o cachorro, que vinha sendo mantido em cárcere privado.

Artur permaneceu cativo no Hospital Veterinário do Trabalhador (HVT) por 16 meses, desde março de 2020, para participar de transfusões de sangue. Algumas denúncias foram efetivadas por ex-funcionários do HVT.

De acordo com a advogada Rosana Jambo, presidente da comissão, esta não havia sido a primeira tentativa de liberar o cachorro. O grupo havia visitado o hospital em 09.06.21, mas os responsáveis não quiseram entregá-lo.

Nesta segunda tentativa de resgate, o advogado do hospital, que havia prometido entregar o cachorro no dia anterior (23.06), afirmou que, um dia antes, a antiga tutora de Artur – a mesma que o entregou para o IVT em março de 2020 – havia pegado o animal de volta.

A antiga tutora do cachorro, Adriana Kátia, também se recusou a entrar Artur para a comissão. Ela disse que visitou o cachorro todos os dias e ele estava bem e havia ganhado peso. Mas, para as autoridades, é evidente que um animal mantido para transfusões de sangue teria de ser mantido em boas condições de saúde.

Ainda de acordo com a comissão da OAB, Adriana Kátia (que não atendeu aos repórteres) está respondendo pelo crime de maus tratos a animais. “Nós já tiramos 18 animais da casa dela”, afirma a advogada Rosana Jambo.

O hospital

Em nota à imprensa, a diretoria do HVT negou que Artur fosse mantido em cativeiro. O hospital admitiu que o cachorro fez algumas “esporádicas doações de sangue”, salvando a vida de alguns animais. Ainda de acordo com a nota, Artur foi doado para o hospital, “acolhido, bem tratado e com todos os cuidados necessários”. Apesar das alegações, a polícia alagoana encontrou indícios de que Artur vivia acorrentado e isolado, no porão do hospital.

As irregularidades, no entanto, não se resumiam apenas ao cárcere privado do cachorro. O HVT foi interditado em 06.05.21, pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, depois de inúmeras denúncias de cães e gatos no local.

O proprietário e diretor clínico do HVT, Jairo Miranda, foi indiciado e está proibido de exercer a Medicina Veterinária ou outra profissão que exija o convívio com animais, até a deliberação do conselho regional da categoria. Entre outras medidas cautelares, Miranda deve usar tornozeleira eletrônica durante o inquérito.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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