Polícia resgata cāo preso em carro fechado

Aconteceu no Distrito Federal: um cāo deixado em carro fechado foi resgatado pela polícia.

No dia 05/11/19, a Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada para resgatar um cāo da raça Yorkshire deixado preso em um carro fechado. A primeira viatura policial chegou ao local por volta das 14h50min.

O cachorro foi resgatado pela Polícia. Foto: G1.com.br

O animal estava ofegante, em função do calor dessa tarde – a temperatura em Brasília atingiu os 30ºC no dia 05.11 – e também muito assustado com a situação e com o alvoroço: dezenas de curiosos se acotovelavam para entender o que estava acontecendo.

Operação resgate

O cachorro estava preso em um carro totalmente fechado na Superquadra 706 Sul, na Asa Sul do plano piloto. O automóvel estava estacionado regularmente. Os policiais conseguiram identificar o telefone do proprietário pela placa do veículo, mas não conseguiram estabelecer contato.

Dez minutos depois do início da operação, os oficiais da PM decidiram quebrar o vidro de uma das janelas dianteiras do automóvel, para permitir que o animal respirasse. O cāo foi finalmente resgatado.

Apenas duas horas depois, por volta das 17h, o tutor do cachorro foi localizado, em um hospital da região.

Felizmente, o cão não sofreu maiores danos físicos. Mesmo assim, os policiais dirigiram-se ao hospital, identificaram o dono do animal e lavraram termo circunstanciado da ocorrência. O tutor irá responder por maus tratos e também por crime ambiental.

Veja também: Como denunciar maus tratos

A legislação

No Distrito Federal – e na maioria das unidades da federação -, não existe legislação específica que regulamente e penalize a permanência prolongada de animais de estimação (cães e gatos) em carros fechados.

Mesmo assim, muitos magistrados interpretam esta condição como “maus tratos a animais”. Evidentemente, um juiz usará o bom senso para avaliar cada caso, verificando se o tutor imprudente, descuidado ou simplesmente desatento.

Mas, no caso em questão, o processo civil poderia enquadrar o infrator como autor de maus tratos, com pena de detenção de até três anos. O castigo mais pesado, de qualquer forma, seria perder o companheiro de quatro patas.

Efetivamente, o Código de Trânsito Brasileiro (lei 9.503/1997) define como infração grave, sujeita a multa, pontos na CNH e até o guinchamento do veículo:

– conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas (na caçamba de um utilitário, por exemplo;

– dirigir o veículo transportando pessoas, animais ou volumes à sua esquerda ou entre as pernas;

– dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança (transportar o cachorro solto no banco traseiro ou do carona).

Muitos motoristas optam por prender a coleira do cachorro ao cinto de segurança. Outros deixam a janela totalmente aberta para que os pets possam “sentir o vento”. As duas condutas são irregulares. Deixe as janelas fechadas (ou com um vão pelo qual não passe a cabeça do pet) e use gaiolas de transporte ou cadeiras especiais para o transporte.

Mas, se você é um cidadão responsável, que se depara com esta situação – um cachorro ofegante preso em um carro fechado -, não tente fazer “justiça com as próprias mãos”.

ATENÇÃO: Por mais bem-intencionado que você seja, quebrar a vidraça de um veículo certamente será considerado dano ao patrimônio privado ou até mesmo vandalismo. Ligue 190 e denuncie. Os policiais militares recebem treinamento para lidar com a situação. Se possível, aguarde o resgate e tente distrair o pet.

Os efeitos colaterais

Cães reagem de forma muito semelhante a crianças pequenas. O primeiro efeito colateral, ao ser deixado para trás, mesmo que seja por alguns minutos, é a sensação de abandono.

Felizmente, os cachorros não contam o tempo como nós e, por isto, o afastamento por alguns instantes ou horas (quando saímos de casa para trabalhar ou estudar, por exemplo), não costuma ter efeitos prolongados.

Mesmo assim, ao deixar o cachorro sozinho em um ambiente estranho, é necessário deixar alguma coisa com que ele possa se distrair – um brinquedo preferido ou uma peça de roupa com o cheirinho do dono.

A insolação e a desidratação, por outro lado, podem ter consequências complicadas. Temperaturas altas combinadas com a má circulação do ar podem provocar inclusive a morte do pet. A hipertermia compromete todas as funções metabólicas – respiração, circulação sanguínea, digestão e excreção.

Em casos extremos, quando a condição é prolongada ou quando o calor é excessivo – situação comum no Brasil durante praticamente no ano inteiro – os cães podem ter vertigens, perda de consciência, convulsões, paradas cardíacas e comprometimentos sérios em diversos órgãos.

As providências necessárias

Deixar o cachorro sozinho no carro enquanto usa o banheiro do posto de abastecimento ou para retirar uma encomenda num local que não aceita cães é plenamente justificável. Seja como for, sempre que for sair de carro com o seu pet, não se esqueça de levar água e nunca estacione sob o sol.

Não demore, sob nenhuma condição, mais dez minutos. Os pets podem entrar em pânico, a água pode esquentar (e contribuir para piorar os sintomas físicos). Cães com muito calor podem sofrer com vômitos e diarreias – e quem vai ter de limpar o carro é você.

Mesmo sob temperaturas amenas, a permanência em um carro fechado, por apenas dez minutos, é mais que suficiente para provocar insolação. Em 20 minutos, um cāo de pequeno porte já começa a sentir os efeitos da desidratação. Em menos de uma hora, ele pode morrer.

Cães maiores também sofrem com os efeitos do calor, especialmente os braquicefálicos – os cães de “cara amassada”, como buldogues, pugs e boxers. Tente imaginar os efeitos do calor excessivo em um chow chow, por exemplo, ou em qualquer animal de pelo longo e espesso.

Um detalhe técnico: os vidros dos carros filtram os raios infravermelhos do sol, impedindo que eles se acumulem no interior. Passado algum tempo, porém, todas as superfícies internas passam a distribuir o calor – e elas próprias começam a emitir esses raios.

Em um dia fresco, mas ensolarado, com temperatura ambiente de 20*C, a temperatura no interior de um veículo compacto pode ultrapassar os 50*C em menos de 30 minutos. E ela continuará subindo, se nenhuma providência for tomada – abrir as portas é a melhor medida.

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Via: G1.com.br

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