Policiais quebram vidro de carro para salvar cachorro preso que pedia ajuda

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A polícia da Flórida resgatou um cachorro de um carro quente. Foi preciso quebrar os vidros para resgatá-lo.

Em mais uma tarde ensolarada no verão da Flórida (EUA), um cachorro foi esquecido e ficou preso no carro. O caso aconteceu em Clearwater, cidade de 100 mil habitantes na baía de Tampa, na região oeste do Estado. Chamados para o socorro, policiais do município tiveram de quebrar os vidros para liberar o animal. 

O carro estava em estacionamento próximo à praia e os oficiais disseram, em entrevista à WTSP, emissora de TV afiliada à rede CBS, que a temperatura interna do carro, no momento do resgate, ultrapassava os 40°C. 

Policiais quebram vidro de carro para salvar cachorro preso que pedia ajuda

A operação 

Os policiais de Clearwater deslocaram-se para atender uma solicitação de trabalhadores do Holiday Inn and Suites, hotel instalado no Gulfview Boulevard, na orla marítima da cidade. A equipe do hotel informou que havia ouvido latidos e uivos vindos de um dos carros estacionados. 

Quando os três oficiais chegaram ao local, eles encontraram um cachorro trancado em um carro. Todas as janelas do automóvel estavam parcialmente abertas, mas, mesmo assim, foi necessário quebrar uma das vidraças para liberar o animal. 

Policiais quebram vidro de carro para salvar cachorro preso que pedia ajuda

Os policiais rapidamente deram água para o cachorro beber e se reidratar, e também aplicaram compressas úmidas na cabeça do animal, para resfriar o organismo canino. O Controle de Animais do Condado de Pinellas (do qual Clearwater é a sede) foi acionado e chegou ao estacionamento em menos de 15 minutos. 

Mesmo com a demora entre a soltura do cachorro e a chegada da equipe do Controle de Animais, foi constatado que a temperatura no carro, já aberto e ventilado, ainda beirava os 35°C. No momento do resgate, a temperatura interna superava os 40°C. 

A ocorrência foi registrada no Departamento de Polícia de Clearwater, que encaminhou o caso para o Ministério Público Estadual de Pinellas-Pasco, que conduziu as investigações subsequentes. Já foi caracterizada a infração de maus tratos e negligência. 

Policiais quebram vidro de carro para salvar cachorro preso que pedia ajuda

Os tutores do cachorro decidiram aproveitar um dia na praia e, para não deixá-lo sozinho em casa, decidiram levá-lo para um passeio. Mas, mesmo com as janelas do carro parcialmente abertas, o forte calor poderia ter causado desidratação, asfixia e falência gradual dos órgãos. 

Os riscos 

Cachorros presos em carros são uma ocorrência comum não apenas nos EUA, mas também no Brasil, país em que as temperaturas altas são constantes durante dez meses do ano ou mais. Mas, mesmo em dias mais frescos, há riscos em deixar animais em automóveis. 

Cachorros, gatos e praticamente todos os animais de estimação são suscetíveis a alterações de temperatura. Em um ambiente mal ventilado, eles podem sofrer uma condição chamada intermação – a elevação gradual da temperatura corporal, decorrente da exposição ao calor. 

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A intermação altera o equilíbrio hídrico do organismo, compromete o funcionamento dos órgãos internos, como coração, pulmões, fígado e rins, podendo causar insuficiência e até a morte em apenas alguns minutos. 

Além dos danos orgânicos, cachorros deixados sozinhos em carros podem se assustar com ruídos externos e acabar se machucando, ao se chocarem com pedais, botões e objetos nos bancos. Também é possível que eles engulam algum acessório solto, que pode levar a asfixias mecânicas ou até mesmo a intoxicações. 

No caso de o carro ter sido deixado na rua, o calor é mais forte e os efeitos, mais rápidos. Além disso, o automóvel pode ser roubado e o cachorro, perdido para sempre. 

No Brasil, a legislação autoriza qualquer pessoa que aviste uma criança ou animal de estimação preso em um carro a tentar, por todos os meios possíveis, liberar as vítimas e afastar ou minimizar os riscos, enquanto espera o socorro da polícia ou dos bombeiros. Nesses casos, o proprietário do veículo não pode apresentar queixa por depredação ou dano ao patrimônio. 

Quem não quiser se comprometer deve acionar as autoridades, fotografar o cachorro preso, tentar acalmá-lo, fornecendo água, caso seja possível e esperar o socorro, para amenizar o temor que o peludo está sentindo. 

A Lei de Crimes Ambientais (lei federal nº 9.605/98), alterada em 2020, classifica o gesto de deixar cachorros presos em carros como maus tratos e negligência. Os infratores estão sujeitos a multas e, caso sejam condenados pela justiça, à detenção de dois a cinco anos, que pode ser ampliada, se o cachorro morrer em decorrência da situação.