Policial quebra janela e resgata cachorro preso em carro superaquecido

Um policial militar quebrou a janela e um carro para resgatar o cachorro, que estava preso.

A Polícia Militar de Santa Catarina teve de interromper as suas atividades de rotina para resgatar um cachorro, que havia sido deixado preso em um carro no estacionamento. O episódio ocorreu em pleno verão, quando a temperatura interna de um veículo pode superar os 40°C em apenas alguns minutos.

O cachorro, um buldogue francês, havia sido deixado trancado no carro pelo tutor, que foi identificado e preso em flagrante por maus tratos a animais domésticos. Caso seja condenado, o tutor pode receber uma pena de dois a cinco anos de detenção, mas, por enquanto, ele pagou fiança e foi liberado.

Sol de verão

A ocorrência foi registrada em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, no início de janeiro de 2022. Alertados por pessoas que estavam no estacionamento, os policiais militares tiveram de quebrar o vidro do carro para libertar o cachorro.

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O soldado Herculano de Castro Silva, que participou da operação de resgate, disse à imprensa local que a única saída possível para a situação foi quebrar a janela do carro. Ele estava em serviço com a policial Jaqueline Santos, que confirmou o depoimento do salvador de Kyra.

O soldado afirmou: “Tentamos de diversas maneiras entrar em contato com o tutor, mas não conseguimos localizá-lo nas redondezas. A única saída foi quebrar o vidro e retirar o animal. A situação dele já estava bem crítica”.

Os responsáveis pelo estacionamento informaram que a cachorra ficou presa entre 11h e 14h. Kyra acabou perdendo os sentidos e foi encontrada por acaso pelos funcionários. Ela foi retirada do carro bastante debilitada.

Os policiais que atenderam ao chamado constataram que o cachorrinho estava espumando pela boca. Mesmo depois de que o buldogue francês foi finalmente retirado do carro, ele não respondia aos estímulos.

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Nas imagens, é possível ver o animal – trata-se de uma fêmea – totalmente imóvel quando é retirado do carro. A equipe que providenciou o socorro umedeceu a pelagem da cachorrinha e deu água para ela beber.

Mesmo assim, o buldogue francês permanece desorientado ainda por alguns minutos. A cachorrinha, que se chama Kyra, foi levada a um consultório veterinário e ficou alguns dias em observação, mas felizmente não sofreu danos permanentes.

De acordo com os policiais, o tutor de Kyra havia deixado a cachorrinha presa enquanto se dirigia a um restaurante para almoçar. O homem foi preso em flagrante e enquadrado na lei nº 14.064/20, que tornou mais rígidas as penalidades contra maus tratos a animais domésticos e silvestres.

De acordo com o delegado Ícaro Malveira, o tutor ficou um dia preso, pagou fiança e foi liberado, mas está sendo processado em juízo. Trata-se de um turista de São Paulo, que estava em férias com a família em Balneário Camboriú.

Apesar de o Tribunal de Justiça de Santa Catarina ter concedido liberdade provisória ao tutor irresponsável, ele perdeu a guarda da cachorrinha. Depois de atendida, Kyra foi encaminhada a um abrigo situado no mesmo município.

Motivos de urgência

Em um dia quente, com temperaturas próximas aos 30°C – situação corriqueira no clima do país –, a sensação térmica no interior de um carro com as janelas fechadas é de mais de 60°C em poucos minutos.

Este calor, aliado à falta de ventilação natural, pode ser fatal em muito pouco tempo não apenas para cachorros, mas também para crianças pequenas. Quando o veículo está estacionado embaixo do Sol, a temperatura interna pode se elevar em 16°C em apenas 20 minutos.

Com o calor excessivo, a pressão arterial cai. Trata-se de uma estratégia natural de defesa do organismo, mas ela só funciona com um aumento de 3°C ou 4°C. Caso a variação seja maior, o animal procura se hidratar, mas, sem uma maneira de escapar da “fornalha”, a morte pode vir muito rapidamente.

Com a queda da pressão arterial, a frequência cardiorrespiratória aumenta: o organismo “sabe” que precisa continuar levando oxigênio e nutrientes para as células. O animal fica ofegante e acusa taquicardia, condições virtualmente fatais.

A situação é ruim especialmente para cachorros e crianças. Uma vez que o corpo é menor, a superfície da pele absorve o calor muito mais rápido: até cinco vezes, em comparação a um adulto saudável.

Para piorar a situação, o cachorro resgatado pela PM catarinense é um buldogue francês. Esta é uma das raças caninas braquicefálicas – com o focinho curto. Por alguma razão, os humanos gostam desta aparência – tanto que nós desenvolvemos várias raças, como o boxer, o buldogue inglês e o pug.

Os cachorros descendem dos lobos, que possuem um focinho alongado. A cana nasal ajuda a controlar a temperatura do ar inalado, que chega “refrigerado” aos pulmões. Mas os cães de cara achatada não possuem esta defesa.

Veja vídeo do resgate:

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