Santuário acolhe cães deficientes na Tailândia

Por: em

 A iniciativa de um sueco está fazendo a diferença de cães deficientes na Tailândia.

A Fundação The Man that Rescues Dogs (o homem que resgata cachorros, em português) foi fundada em 2011, pelo empresário sueco Michael Baines, que se radicou nove anos antes em Chon Buri, uma província da Tailândia situada ao sul da capital Bangcok.

Depois de conhecer a realidade dos muitos animais abandonados nas ruas da província, Baines decidiu atenuar as más condições, especialmente dos cães deficientes. O projeto teve um início tímido, mas vem crescendo ano a ano.

santuario acolhe caes na tailandia

Veja também: Artista transforma pneus em camas para animais abandonados

Como funciona o trânsito na Tailândia

A Tailândia é conhecida pelo trânsito caótico. Nas cidades menores, é comum flagrar adolescentes de 13 ou 14 anos pilotando motocicletas, que são alugadas por valores irrisórios, sem nenhuma burocracia. Em 2013, um casal que dava a volta ao mundo de bicicleta morreu no país, depois de ter pedalado por outras 23 nações.

santuario acolhe caes na tailandia 4

O país possui o triste recorde de mortes no trânsito: 25 a cada ano, para cada 100 mil habitantes (foram pouco mais de 105 mil em 2017). Em números absolutos, perde apenas para a Índia, que possui quase 20 vezes mais habitantes (70 milhões contra 1,35 bilhão).

Não há estatísticas sobre animais, mas basta observar as ruas por alguns minutos para verificar que muitos cães sofrem com os carros, motos e tuk-tuks desgovernados da Tailândia. Muitos animais mutilados, que podem “comemorar” por terem escapado com vida.

A Fundação The Man that Rescues Dogs tem como alvo principal os cães acidentados, com dificuldades de locomoção, apesar de abrir espaço para diversos tipos de animais domésticos.

O santuário

O abrigo na Tailândia oferece terapias veterinárias e emocionais para os cães resgatados nas ruas. Os animais são recolhidos, avaliados, tratados, castrados e colocados para adoção. O santuário também se responsabiliza pela vacinação e vermifugação.

A fundação, que completa 20 anos de trabalho no ano que vem, sobrevive exclusivamente com doações de voluntários para manter o atendimento. A ONG não recebe nenhum subsídio do governo da Tailândia.

Os cuidados e tratamentos consomem cerca de US$ 1.300 por dia. A fundação vem apresentando problemas de caixa em função da pandemia de Covid-19: desde fevereiro de 2020, as doações sofreram uma queda de 40%.

santuario acolhe caes na tailandia 3

Em função da queda na arrecadação, os gestores da fundação foram obrigados a suspender a campanha de esterilização de animais, realizada entre os cachorros e gatos abandonados nas ruas de Chon Buri.

Em 2017, um estudo realizado pela Universidade de Chulalongkorn, de Bangcok, concluiu que há 700 mil animais vivendo nas ruas do país, entre cães e gatos. Estima-se que, em dez anos, essa população atinja um total de dois milhões, se nenhuma providência for tomada. A castração dos pets abandonados é uma questão urgente de saúde pública.

As próteses

O foco principal do projeto são os cães deficientes, com membros amputados ou dificuldades de locomoção. A condição de saúde quase sempre é causada por atropelamentos. Os peludos recebem cadeiras de roda e treinamento específico para se movimentar com as próteses.

Em 2019, foram acrescentados ao projeto uma clínica veterinária e um centro de reabilitação, que tratam gratuitamente inclusive os cães de famílias sem recursos. Dois veterinários e um assistente assistem aos animais do projeto e aos cães e gatos da vizinhança. A clínica funciona 24 horas por dia.

santuario acolhe caes na tailandia 2

Os animais com deficiência física ou limitação dos movimentos estão recebendo “cadeiras de rodas”, uma prótese que auxilia nas caminhadas. Além do desenvolvimento de próteses individualizadas, os cães também recebem treinamento de adaptação.

Baines deu início ao trabalho fornecendo alimentos para os cachorros e gatos da vizinhança. Ao constatar que os animais precisavam urgentemente de ajuda, o sueco decidiu criar o santuário, que já reabilitou mais de dois mil pets.

A rotina

Mais de 30 funcionários remunerados atuam na fundação, nas funções que vão desde o resgate nas ruas até a adaptação às próteses. A rotina do projeto consiste em capturar, abrigar, alimentar, limpar e treinar os pets. Há pessoal qualificado em fisioterapia e hidroterapia.

Todos os animais, inclusive os que estão em cadeiras de rodas, começam o dia às 6h, com uma caminhada. Em seguida, é servido o café da manhã – logo depois, os funcionários precisam higienizar todos os recintos, porque, depois da comida, surge muito cocô e xixi.

Às 7h, um comboio sai para as ruas de Chon Buri para alimentar os 350 animais da comunidade já identificados: é o Food Truck da fundação. Três horas depois, é o momento das sessões de reabilitação. Às 14h, é a vez de uma nova caminhada, mais alimento e, novamente, a limpeza das áreas comuns e o banho dos peludos.

Gostou da iniciativa? Você pode acessar o site da fundação para fazer uma contribuição. A iniciativa também pode servir de inspiração para algo similar no Brasil, não é mesmo? Então, COMPARTILHE!