Seis super cães estão sendo utilizados para salvar tartarugas em extinção

Por: em

As tartarugas estão em declínio, mas seis cães americanos estão a postos para salvá-las. 

Habitantes do planeta há mais de 100 milhões de anos, diversas espécies de tartarugas estão em risco de serem extintas. Extremamente adaptáveis, estes quelônios se espalharam por rios e mares, aprenderam a viver em lamaçais e na terra firme. Então, os humanos começaram a destruir os hábitats destes animais. Mas, no que depender de seis cães superpoderosos, elas continuarão por muito tempo vivendo aqui. 

seis-caes-superpoderosos-salvam-tartarugas
Mike Belleme/The Guardian

Ainda antes do surgimento do H. sapiens, vários animais coletavam ovos de tartarugas, ou caçavam animais adultos, para obter alimento. É a lei da selva (e dos oceanos também). O problema se agravou quando alguns ambientes foram alterados ou degradados pela ação humana. 

O declínio nas populações se intensificou drasticamente. Algumas ações tentam garantir a reprodução de algumas espécies – como os projetos brasileiros de suporte às tartarugas marinhas. Mas ainda há muito a ser feito. 

seis-caes-superpoderosos-salvam-tartarugas
Mike Belleme/The Guardian

Cães superpoderosos 

John Rucker é um professor que lecionou no ensino médio, residente na Carolina do Norte (EUA). Ele passou por experiências recorrentes: em algumas vezes que ele levou os dois cães para passear no parque, os peludos correram pelo gramado e retornaram com tartarugas, transportadas gentilmente na boca. 

O professor ficou curioso. Os cães são da raça boykin spaniel, desenvolvida há cerca de 100 anos no sul dos EUA, como auxiliares na caça com rifle. Eles são resultantes de cruzamentos de springer spaniels, pointers e alguns retrievers. Mas, como cães de caça, os dois animais se comportaram de maneira inusitada. 

seis-caes-superpoderosos-salvam-tartarugas
Mike Belleme/The Guardian

Eles não atacaram as tartarugas. Apenas levaram os quelônios na boca até o tutor, depositando-os gentilmente aos pés de Rucker. E, como o fato ocorreu mais de uma vez, a história foi sendo retransmitida até chegar a professores de Biologia da Universidade da Carolina do Norte. 

Os pesquisadores queriam usar as tartarugas encontradas no parque, implantando retransmissores para que fosse possível rastreá-las e descobrir mais informações sobre a espécie. Rucker e os cães continuaram encontrando as tartarugas. 

A maioria dos indivíduos encontrados na Carolina do Norte não é da fauna local: elas pertenciam à espécie coahuillan (Terrapene coahula), originária do norte do México, que está em risco de extinção. Apesar de viver em ambientes áridos, elas conseguem se deslocar na estação chuvosa. 

seis-caes-superpoderosos-salvam-tartarugas
Mike Belleme/The Guardian

Anos depois, o professor estava em contato com zoólogos e veterinários de diversos estados dos EUA. O fato é que as tartarugas não são facilmente identificáveis na natureza – elas possuem diversas estratégias de camuflagem, para evitar os predadores. 

Rucker tem atualmente 73 anos e, durante décadas, treinou cachorros para rastrear e resgatar tartarugas. Ele estava no caminho certo: ao longo do trabalho, foram coletados diversos espécimes, o que ajudou especialistas a mapear os hábitats destes répteis e desenvolver estratégias de proteção às espécies. 

A “técnica” inicial de Rucker era bastante heterodoxa em termos de metodologia científica: ele usava bolas de golfe besuntadas com gordura de bacon, para treinar os cães: o professor formou uma matilha de boykin spaniels e, aparentemente, a aparência das bolas e o odor do bacon surtiu bons resultados. 

seis-caes-superpoderosos-salvam-tartarugas
Mike Belleme/The Guardian

A empreitada já dura duas décadas. Os primeiros spaniels de Rucker localizaram tartarugas em 1992. Atualmente, ele gerencia uma matilha especializada em rastrear os répteis através do cheiro da urina – não mais do bacon. 

Jenny Wren, Lazarus, Rooster, Ruger, Scamp, Skeeter e Yogi são os cães atualmente envolvidos na localização de tartarugas. Junto com o treinador, eles já excursionaram por diversos estados dos EUA, ajudando a rastrear populações de quelônios. 

O trabalho permitiu identificar eventuais ameaças, doenças transmissíveis entre as tartarugas e até tráfico ilegal. Rucker e seus cães encontraram, por exemplo, exemplares de tartaruga-aligátor, nativa dos pântanos do sul dos EUA, vivendo em regiões semiáridas, como Nevada, Novo México e Califórnia. 

seis-caes-superpoderosos-salvam-tartarugas
Mike Belleme/The Guardian

O tráfico é especialmente preocupante, porque a tartaruga-aligátor possui uma mordida poderosa e pode prejudicar o equilíbrio ambiental, deixando os competidores sem presas para se alimentarem. Qualquer deslocamento de espécies precisa ser muito bem avaliado, para não provocar desastres ecológicos. 

As tartarugas atraem especialmente a atenção de pesquisadores e ambientalistas em função da longevidade. Algumas espécies ultrapassam os 100 anos de idade, superando alterações drásticas no hábitat natural. As espécies são excelentes indicadores sobre a saúde dos ecossistemas. 

Aposentado como professor, John Rucker continua os cães salvadores de tartarugas. A cada primavera e verão, atendendo ao planejamento, ele embarca com os peludos para diversas regiões. Atualmente, ele vive em Montana, mas passa praticamente metade do ano em barracas, montadas nos locais onde a pesquisa levar a matilha.