Veterinário polonês vai à Ucrânia ajudar a salvar cachorros

Em meio ao conflito com a Rússia, este veterinário deixou seu país para ajudar cachorros na Ucrânia.

Jakub Kotowicz é um jovem veterinário de 32 anos que decidiu contribuir para amenizar os horrores da guerra. No final de março de 2022, ele deixou para trás a segurança da Polônia, cruzou a fronteira dom a Ucrânia e foi ajudar cachorros, gatos e outros animais feridos e abandonados.

Durante a estada em Lviv (que está praticamente sitiada por tropas russas), Kotowicz resgatou cerca de 200 gatos e 60 cães. Os animais estão sendo abrigados em campos especialmente criados, em diversos pontos da Polônia.

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O trabalho voluntário

O veterinário polonês já atravessou a fronteira três vezes, em apenas duas semanas, para recolher os animais que ficam para trás na divisa com a Ucrânia. Ele próprio organizou três comboios para transportar os animais desalojados pela guerra.

O centro de referência de Kotowicz é a cidade de Przemysl, que fica às margens do rio San – a fronteira natural entre Polônia e Ucrânia. Muitos fugitivos de guerra não são autorizados a transpor a divisa com os animais de estimação e muitos deles são abandonados.

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A rota entre Lviv e Przemysl é considerada de alto risco: já ocorreram bombardeios muito próximos à fronteira. Além dos perigos da guerra, os animais, doentes, cansados ou “apenas” em más condições, ficam estressados no transporte.

Alguns pacientes de Kotowicz chamam a atenção. É o caso de uma minicabra, que estava com problemas nas pernas, não conseguia se locomover e teve de ser carregada no colo pelo veterinário até o abrigo.

Ou de um chihuahua recém-nascido, que foi resgatado com a mãe, ou de um gato da raça sphynx, encontrado vestido com um suéter de lã (deve ser difícil ser um gato pelado no frio da Europa oriental).

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A maioria dos animais resgatados pelo veterinário está sendo encaminhada para a Fundação ADA, uma organização sem fins lucrativos criada por Kotowicz quando ele tinha apenas 17 anos, ainda antes de ingressar na faculdade de veterinária.

A minicabra de apenas dois meses, que recebeu o nome de Sasha, está sendo tratada pessoalmente por Kotowicz, que pretende adotá-la oficialmente assim que o animal recuperar a saúde e os movimentos.

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Nem tudo são flores, no entanto. Alguns animais sofreram danos tão extensos que tiveram de ser sacrificados. Kotowicz, com o apoio de diversos colegas, vem conseguindo, por outro lado, reabilitar centenas de cães e gatos – e o que mais encontra nos campos de batalha e nos postos de acolhimento de refugiados.

Uma cachorra batizada de Vira recebeu atenção especial da imprensa local. Ela foi resgatada por Kotowicz com estilhaços de bala nas costas. Ela perdeu os movimentos, mas a fundação conseguiu obter uma cadeira de rodas especial.

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Entidades europeias de apoio aos direitos dos animais, como a World Animal Protection, estão se mobilizando para encontrar novos lares para os cães e gatos resgatados na Ucrânia – alguns deles, graças aos esforços de Kotowicz.

Candidatos à adoção vêm se apresentando em diversos países europeus – mesmo entre os que não fazem parte da União Europeia. Há também boas notícias: alguns tutores que tiveram de deixar os pets na fronteira puderam se reencontrar com eles, depois de serem alojados em países como a Polônia e a Romênia.

O veterinário pretende continuar empregando todo o seu tempo livre em benefício dos animais abandonados e feridos na guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele já está organizando novas incursões no território conflagrado e pretende manter as ações enquanto durar o conflito.

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Moral da história

Qualquer ação que vise atenuar os efeitos danosos da guerra merece aplausos, reconhecimento e incentivo. O veterinário, atuando na sua especialidade profissional, está fazendo o melhor possível para melhorar a qualidade de vida dos animais de estimação que resgata, acolhe e trata.

Esperamos que o exemplo deste médico polonês seja multiplicado em todo o mundo. Não apenas quando o conflito acontece na Europa e fica sob os holofotes de toda a imprensa ocidental, mas em outras partes – no momento, por exemplo, há guerras no Iêmen e na Etiópia, além de conflitos internos no Haiti, Síria, Myanmar e Afeganistão.

E não são apenas guerras declaradas que causam transtornos a humanos, cães e gatos. A desigualdade e a falta de recursos gera um pelotão de animais abandonados nas ruas, inclusive se tornando vetores de doenças. Uma entidade como “Veterinários sem Fronteiras” seria muito bem-vinda para ajudar a tornar o mundo melhor.

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