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    Meu cachorro morreu. Como lidar com a perda?

    Não é uma situação fácil. Saiba como lidar com a perda do cachorro.

    Em primeiro lugar, se você se encontra nesta situação, nós apresentamos os nossos mais sinceros sentimentos. Não é nada fácil lidar com a perda de um ente querido, inclusive quando este ser é um peludo que nos ama de maneira incondicional.

    A morte de um animal de estimação gera impactos consideráveis em nossa vida. Perder um cachorro provoca uma repercussão enorme em nosso íntimo, as nossas emoções parecem entrar em um colapso irreversível.

    Mesmo convivendo com um cachorro doente e velhinho, a possibilidade da morte traz ansiedade e sofrimento. Mas não se trata de egoísmo: nós queremos que tudo esteja sempre bem.

    O poeta português Fernando Pessoa, através do heterônimo Álvaro de Campos, escreveu que “no tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu era feliz e ninguém estava morto” (Aniversário). A morte está relacionada a separação, distância, perda.

    no tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu era feliz e ninguém estava morto

    É natural que, nestas ocasiões, nós não saibamos exatamente o que fazer. A tristeza impede ou dificulta o raciocínio, a dor parece ser insuportável. Mas existem formas de lidar com a perda e superá-la. Quem fica precisa seguir em frente.

    O luto na morte de um cachorro e como lidar com a perda

    Quem já perdeu com a morte de um cachorro conhece os efeitos deste fato, que pode ser traumático. Cada pessoa reage de maneira diferente, porque cada um de nós possui mecanismos próprios de defesa emocional.

    Um cachorro não é apenas um bicho, nem sequer um bicho de estimação: ele é um membro da família, com quem estabelecemos relações pessoais de afeto. A perda garra angústia e tristeza. Mesmo a expectativa de perda pode ser muito desgastante.

    Alguns amigos tentam consolar, mas muitos escolhem as piores expressões: “era apenas um cachorro”, “ você pode comprar outro” ou “pelo menos, agora você vai ter menos gastos”. São frases de quem tenta consolar, mas, quase sempre acentuam ainda mais o sofrimento.

    A morte é uma circunstância da vida, mas infelizmente a sociedade ocidental não é instrumentalizada para enfrentá-la. Mesmo os símbolos da morte são tétricos: esqueletos, escuridão, aves de mau agouro. Para lidar com a perda de um cachorro, é necessário conhecer e superar as cinco fases do luto.

    Meu cachorro morreu: Os estágios do luto

    A morte vem sendo estudada desde o surgimento da psicologia. Pesquisadores eminentes, como Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise (1856-1939), debruçou-se sobre o tema.

    A psiquiatra americana Elizabeth Kubler Ross escreveu “On Death and Dying” (sobre a morte e o processo de morrer, em tradução livre), em que propôs um modelo para entender e superar a morte.

    São cinco etapas, vivenciadas pela maioria das pessoas:

    negação – é a fase em que negamos o acontecimento, em que acreditamos que deve ter havido algum engano. É uma forma de autodefesa e pode durar alguns minutos ou até vários anos;

    raiva – é o momento em que surgem muitos sentimentos mesclados. Dor, raiva, medo e culpa são as reações naturais ao fato. Trata-se de um momento delicado, em que podemos tomar atitudes inconsistentes ou desagradáveis;

    barganha – é o estágio em que imaginamos poder negociar com a morte. Depois da explosão de raiva da fase anterior, nós agimos como se pudéssemos alterar os fatos. De acordo com as crenças individuais, este é o momento das promessas e pactos, à espera de um milagre;

    depressão – é a fase de maior sofrimento. Esgotadas as possibilidades de erro ou barganha, a dor se instala. Contraditoriamente, neste momento pode surgir a recuperação, a “volta por cima”. De qualquer forma, aqui a morte se concretiza e a ausência é sentida nos detalhes: a caminha vazia, a coleira pendurada, a bolinha esquecida em um canto;

    aceitação – por fim, surge o momento de aceitar objetivamente a perda, de refletir sobre o fato, de entender a separação e tudo que ela representa. Ao aceitar a perda, começamos a retomar as atividades rotineiras.

    Cada um destes cinco estágios pode se prolongar por mais ou menos tempo. Por exemplo, a negação é mais comum e prolongada quando a morte surge de forma inesperada (um atropelamento, por exemplo).

    Mesmo assim, cada um de nós reage de acordo com um repertório íntimo, pessoal e intransferível. Existem tutores que demonstram serenidade e firmeza, para chorar apenas quando ficarem sozinhos.

    Outros reagem violentamente, culpando Deus e todos à sua volta pela morte do cachorro. Não existe certo e errado, mas pode ser necessário ter de reconstruir pontes, caso a reação contra um amigo ou parente tenha sido excessivamente destrutiva.

    O luto é uma forma de reação a uma perda de grande valor sentimental. Ele pode e deve ser um período útil de superação, mesmo que isto implique, por alguns dias, a incapacidade de executar as tarefas mais simples do dia a dia.

    Permita-se sofrer, sentir-se culpado, imaginar o que poderia ter sido feito de outra forma, sentir remorso por causa de uma bronca injusta ou exagerada. E, aos poucos, retome a rotina. Sem um grande companheiro, mas com todas as lembranças e com todo o aprendizado que ele proporcionou.

    As crianças

    Crianças muito pequenas normalmente não conseguem entender a morte. “Sim, ele morreu, mas quando posso brincar com ele de novo?” é uma reação comum entre os pequenos de quatro ou cinco anos.

    Para a maioria das crianças, o cachorro da família não é apenas um animal de estimação. Ele é o companheiro de brincadeiras (e de alguma bagunça também), um cúmplice, um amigo sempre à disposição.

    Mesmo assim, a morte, com toda a dor do momento, a morte possibilita o aprendizado. Explique para as crianças que o pet morreu, que ele não irá mais voltar. Explique que a vida é um ciclo com começo, meio e fim.

    Mostre para a criança que não existe um culpado (mesmo que eventualmente exista um responsável pelo acidente, por exemplo). Diga que a morte ocorre independente de todos os cuidados que nós possamos oferecer. Recorde exemplos recentes (outro cachorro, um vizinho, uma planta, um peixinho de aquário).

    Abra espaço para que ela possa se manifestar. Recupere fotos e vídeos das brincadeiras da família e faça um álbum. Provavelmente ele será esquecido em algumas semanas ou meses, mas, até lá, servirá para atenuar a perda.

    Normalmente, os pequenos conseguem reagir melhor do que os adultos. Aproveite para ouvir as conclusões que eles tiram da experiência: talvez elas sirvam para aliviar a sua própria dor. Seja como for, o luto em família é sempre coletivo.

    Morte do cachorro: Decisões a tomar

    Da mesma forma que nos preocupamos com a nossa vida e saúde, estes cuidados precisam se estender para nossos cães, gatos, pássaros, tartarugas, etc.

    Os cachorros vivem, em média, de dez a 15 anos — alguns muito mais, outros muito menos. Quase sempre, vivem menos do que a gente. Por isto, é importante conscientizar-se de que, em algum momento, haverá uma despedida.

    “Descanse em paz”

    O planejamento é importante. Da mesma forma que escolhemos um plano de saúde, acompanhamos as vacinas, organizamos programas de exercícios, etc., é necessário planejar o que será feito quando nosso cachorro morrer para que possamos lidar da melhor maneira possível.

    O corpo dele pode ser enterrado no quintal, ou na chácara de um amigo. Algumas cidades brasileiras oferecem cemitérios e crematórios para animais de estimação (em caso de doenças infecto-contagiosas, a cremação é o procedimento mais indicado), inclusive com a organização de um velório.

    Isto parece um pouco mórbido? Talvez, mas ter de tomar estas decisões no momento do luto apenas as torna mais confusas e dolorosas. Seja previdente com todos os membros da sua família.

    Isto é especialmente válido para quem convive com um cachorro idoso. Ele não irá durar eternamente, “não vai ficar para semente”. A morte é inevitável e, como diz o compositor Lourenço Baeta, “ela não tem meio termo”.

    Você já viveu com muitos animais como o seu melhor amigo, que lhe renderam muito amor e cumplicidade. Providencie uma velhice confortável, com muita atenção e mimos especiais, e uma morte digna.

    A eutanásia

    Na maioria dos casos, a eutanásia em cães é uma overdose de sedativos, injetados por via endovenosa, que induzem uma parada cardiorrespiratória. Ela é sugerida por veterinários em caso de doenças terminais — como um câncer com inúmeras metástases. O medicamento empregado é indolor.

    Em todos os casos, a eutanásia é um procedimento indicado quando a qualidade de vida dos pets está irremediavelmente comprometida e não existem terapias que permitam a reversão do quadro clínico.

    Em clínicas particulares, o tutor pode decidir se estará presente no momento em que a eutanásia será praticada. Normalmente, não há impedimentos para que você segure o cachorro nos momentos finais, mas tudo depende de como você se sente em relação à morte.

    A eutanásia também pode ser sugerida em casos nos quais a mobilidade do cachorro fica severamente comprometida. Nestes casos, o melhor a fazer é pesquisar a possibilidade do uso de próteses (já existem inclusive cadeiras de rodas para pets) e optar pelo procedimento em último caso.

    Sem dúvida, esta é uma situação bastante difícil. Seja como for, em muitos casos, é o melhor a ser feito, para não prolongar dores desnecessárias.

    Se este for o seu caso, converse com o veterinário, tire todas as dúvidas e deixe o seu companheiro ir. Ele merece um pouco de conforto e dignidade, por tudo que proporcionou em muitos anos de convivência.

    Meu cachorro morreu: O que se pode fazer?

    Em primeiro lugar, é preciso dizer o que não se deve fazer: reprimir os sentimentos. Se o seu cachorro morreu, fique triste, chore, isole-se por alguns dias, recolha os objetos de que ele mais gostava.

    Nos dias seguintes, separe tudo o que possa ser doado para outro pet: brinquedos, tigelas, coleiras, acessórios. Faça isto como um ritual, lembrando-se dos momentos bons (e dos não tão bons também).

    Reviva situações partilhadas entre você e o seu cachorro. Se possível, refaça os trajetos dos passeios preferidos. Recorde as travessuras: o pé da mesa roído, a peça de roupa roubada do varal, o canteiro de flores destruído para ocultar um osso precioso.

    É importante apropriar-se destes pequenos nadas. Às vezes, é possível sentir o peso do pet ocupando um espaço considerável (e desnecessário) no sofá ou na cama ou latindo desesperadamente no momento em que passa o caminhão para recolher o lixo.

    Reveja na tela mental os reencontros ao final de cada dia, as brincadeiras prazerosas em dias de chuva, a cara de pidão ao lado da mesa de jantar, a alegria por ganhar um petisco.

    Sim, o seu cachorro morreu. Mas, antes disto, é necessário lembrar — e até mesmo admitir — que ele viveu intensamente. Afinal, cães só muito intensos. E ele partilhou momentos inesquecíveis durante esta trajetória em família, ou apenas a dois.

    Não importa quanto tempo tenha durado a parceria: um ano, cinco, dez, às vezes mais. Reviva a curiosidade do filhote, a falta de jeito do adolescente, a segurança do adulto, as manias e achaques do velhinho.

    Um novo cachorro

    Talvez a melhor maneira de homenagear um cachorro que morreu seja adotar um novo “melhor amigo da família”. Afinal, existem centenas de animais que precisam de pais e irmãos.

    Quando a dor estiver mais calma, pense nesta possibilidade, mas não adote um cachorro para substituir aquele que morreu. Cada ser que passa pela nossa vida é único e participa da nossa história com experiências novas e diferentes.

    Lembre-se: cachorros são seres vivos, diferentes uns dos outros. Não são objetos que podem ser trocados quando estão velhos ou desgastados. Assim que se sentir renovado, deixe que um novo cachorro participe da sua vida.

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    Dingo encontrado ferido é confundido com cachorro e acaba adotado

    Família encontra filhote ferido no quintal, pensa que é um cachorro e acaba adotando: um dingo, um predador terrestre da Austrália.

    Uma família australiana, certa manhã, foi acordada com os ganidos de um filhote. O animal parecia ferido e talvez tivesse sido abandonado. A família não pensou duas vezes para acolher o “cachorro”.

    Mal sabiam eles, no entanto, que o simpático filhote era, na verdade, um dingo. O fato ocorreu em Wandiligong, um vilarejo de menos de 500 habitantes no Estado de Vitória, no sudeste da Austrália.

    O dingo, na verdade, é o maior predador terrestre da Oceania e nunca se adaptou à convivência com humanos, seja com os nativos australianos, seja com os ingleses, que chegaram à região no final do século XVIII. Restam poucos indivíduos na natureza.

    A adoção

    Preocupada com o bem-estar do “cachorro”, a família o recolheu e decidiu tomar conta dele – pelo menos, até que os donos legítimos viessem reclamá-lo.

    Ninguém apareceu procurando o filhote, que foi ficando na casa.

    O dingo foi conquistando a nova família e finalmente foi adotado. Deram a ele o nome de Wandi. Mas a dùvida continuava: afinal, Wandi é um cachorro, uma raposa ou o quê?

    Algumas fotografias de Wandi foram postadas nas redes sociais pelos tutores orgulhosos – e então começaram as discussões e polêmicas. Afinal, a internet está cheia de especialistas, seja qual for o assunto.

    Os tutores do filhote decidiram levá-lo a um centro veterinário próximo a Wandiligong. Os médicos logo desconfiaram de que Wandi poderia ser um dingo. Para ter certeza, decidiu-se por um exame de DNA, para mapeamento genético de Wandi

    Os dingos, que alcançaram o topo da cadeia alimentar na Austrália, estão divididos em três subespécies: os dingos da floresta, do deserto e das montanhas (terras altas). Os exames genéticos constataram que Wandi é um dingo da última categoria, sem nenhum ancestral canino ou de outra espécie.

    O destino de Wandi

    Wandi é uma fêmea selvagem. Ela dificilmente se adaptaria ao convívio com humanos depois de atingida a idade da adulta. Por isto, especialistas da Fundação Australiana do Dingo convenceram a família a “deixá-la ir”. Mesmo com o coração em pedaços, os tutores entenderam que a vida selvagem era a melhor opção para o filhote.

    O dingo fêmea foi levado para o santuário da fundação. Depois de um período de adaptação, Wandi será solta para viver com os seus iguais. As características genéticas da fêmea certamente contribuirão para a diversificação do DNA, ampliando as probabilidades de sobrevida da espécie.

    Os dingos

    Atualmente, a espécie está classificada como vulnerável, a sexta categoria de classificação das espécies da IUCN (que vai do “sem risco” ao “extinto”. O motivo principal é a caça indiscriminada, por causa dos ataques destes animais aos currais e galinheiros instalador pelos ingleses a partir de 1800.

    Além disto, o hábitat dos dingos vem sendo continuamente devastado pela ação humana, seja na abertura de campos para lavoura e pecuária, seja para atividades de mineração.

    Os dingos chegaram à Austrália há cerca de quatro mil anos e podem ter sido os responsáveis pelo decaimento da população de monotremado se marsupiais, os mamíferos mais “simples” da escala zoológica.

    Estes canídeos selvagens também estão associados à extinção do tigre-da-Tasmânia, felídeo que a habitava o sul da Oceania. Ainda são considerados como pragas pelos fazendeiros, mas eles contribuem para o equilíbrio ecológico, caçando roedores e coelhos que, de outra forma, poderiam inviabilizar a agricultura do país.

    Acidentes ambientais na Austrália

    Vale lembrar que não existem raposas nativas da Austrália. Os colonos europeus decidiram criar coelhos no “Novíssimo Continente”, mas, sem predadores naturais além dos dingos, que eram caçados sem dó pelos colonos, os coelhos acabaram se multiplicando excessivamente, tornando-se uma praga em pouco tempo.

    Para controlar os coelhos, os ingleses decidiram importar outra espècie para a Austrália: as raposas. Também não deu certo: os canídeos encontraram os wombats na ilha.

    Wombats (Vombate) são marsupiais, parentes próximos dos cangurus. Eles têm o metabolismo muito lento (chegam a levar duas semanas para digerir os alimentos).

    Por isto, eles são animais vagarosos. As raposas preferiam caçá-los, em vez de correr atrás dos velozes coelhos, embaixo do sol escaldante do interior da Austrália. E os coelhos permaneceram livres para continuar se multiplicando a toda velocidade.

    Atualmente, os dingos selvagens australianos estão protegidos pela legislação ambiental do país. Eles são os principais responsáveis pelo controle da população de cangurus, wombats e de animais ocidentais introduzidos pelos europeus, como as raposas e coelhos, além dos gatos selvagens que proliferaram no país.

    A natureza é sábia e, sem a interferência excessiva dos homens, sempre encontra formas de manter ou recuperar o equilíbrio. Por isto, o retorno de Wandi ao convívio com os seus iguais pode ser considerado uma vitória dos ambientalistas.

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    Motorista de Uber se recusa a levar o surfista Derek Rabelo com seu cão-guia

    Aconteceu mais uma vez, desta vez em São Paulo com o atleta Derek Rabelo, surfista deficiente visual mundialmente reconhecido.

    A lei federal é antiga: completou 14 anos em junho passado. Mesmo assim, continua havendo brasileiros que se julgam acima da lei. Derek Rabelo, deficiente visual, postou, em sua página do no Facebook, no dia 20/11/19:

    “Fui vítima de preconceito e discriminação! Fui recusado pela motorista Fernanda, do aplicativo Uber, por ser usuário de cão-guia. Ela exigiu que eu me retirasse do carro, falando que não iria levar cachorro”.

    A esposa de Derek Rabelo, grávida de nove meses, gravou a cena chocante, mas o internauta ainda não sabe se postará o vídeo. Apesar do preconceito e do flagrante desrespeito à legislação em vigor — para não falar da completa falta de alteridade e solidariedade —, o portador de deficiência não quer expor a privacidade da agressora.

    A repercussão

    Centenas de usuários do Facebook ja se posicionaram contra a arbitrariedade da motorista do Uber. Em apenas alguns minutos, o depoimento de Rabelo atraiu centenas de “likes” e provocou dezenas de comentários em solidariedade.

    A recusa em transportar cães-guia prevê o pagamento de multa e pode provocar inclusive o impedimento do infrator de exercer atividade profissional que envolva atendimento público. Em outros casos semelhantes, aplicativos se pronunciaram contra a decisão dos motoristas.

    No entanto, parece que falta treinamento para os motoristas de Uber e de outros aplicativos de mobilidade. Além disto, profissionais como “Fernanda” (não sabemos o nome completo) parece não sofrerem sanções, se os usuários agredidos não levarem o caso à justiça.

    A legislação sobre cão-guia

    A lei 11.126/05, de 27-06-2005, dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, acompanhado por seu cão-guia.

    Veja também: Motorista de Uber que recusou cão-guia terá de pagar indenização.

    A deficiente visual referida no texto da lei abrange cegueira e baixa visão. A permissão para ficar ao lado do cão-guia estende-se a todas as modalidades de transporte, inclusive internacional, com origem em território brasileiro.

    Qualquer tentativa de impedir ou dificultar o gozo deste direito constitui ato de discriminação, que deve ser apenado e multado de acordo com legislação suplementar.

    Já o decreto 5.904/06, de 21-09-2006, ratifica a lei federal e assim instrumentaliza o disposto:

    – proíbe a exigência do uso de focinheira para os cães-guia. A presença de adestradores só é prevista no caso de cães em fase de treinamento;

    – libera a entrada e permanência dos guias em estabelecimentos de saúde, com exceção dos setores de isolamento, quimioterapia, centros cirúrgicos, assistência a queimados, centrais de esterilização, unidades de tratamento intensivo, áreas de preparo e manipulação de medicamentos, farmácias hospitalares e centros de processamento de alimentos;

    – reserva, no transporte público, os assentos mais amplos para os deficientes iguais e seus cães-guia;

    – elimina quaisquer restrições a animais domésticos previstas em convenções de condomínios;

    – proíbe a cobrança de valores extras para a condução e permanência de cães-guia no cumprimento de suas funções.

    Para identificação do cão-guia, é suficiente a apresentação da plaqueta expedida pelo centro de treinamento, contendo os nomes e fotos do usuário e do cachorro. O decreto dispõe ainda das normas para o adestramento do animal.

    O descumprimento desta legislação acarreta multa de R$ 1.000 a R$ 30.000. Em casos de reincidência, a multa é reaplicado e a autoridades competentes podem interditar a empresa ou cassar a habilitação, no caso de motoristas ou condutores.

    Além disto, o portador de deficiência física, caso se sinta lesado, tanto em função da perda de compromissos pessoais e profissionais, quanto face à sua dignidade pessoal, poderá entrar com processo cível.

    Conclusão

    Entramos em contato com Derek Rabelo e, caso ele queira se pronunciar sobre o ocorrido ou acrescentar qualquer informação, este texto será atualizado.

    Com relação aos prestadores de serviço, é necessário que se conscientizem de que o transporte de cães-guia não é um favor, não é uma circunstância em que eles podem decidir se querem ou não aceitar a presença do cachorro.

    Um cão-guia é a própria visão do deficiente físico. Ele é exaustivamente adestrado para guiar cegos e portadores de baixa visão. Em muitos casos, a autonomia do deficiente visual é garantida apenas pela presença e a condução segura do cachorro.

    Os cães-guia submetem-se a um treinamento extenso para se tornarem animais de assistência. Eles aprendem a entender quaisquer riscos que possam afetar a integridade e a segurança dos deficientes visuais.

    Não está em questão saber se o cachorro deixará pelos nos bancos. Ele poderia deixar até pulgas e carrapatos (nunca é o caso). Estamos falando em inserção social. Deficientes físicos trabalham, estudam, frequentam hospitais e clínicas, passeiam, namoram. Em suma, são seres humanos.

    Impedir a entrada de um cão-guia é recusar o direito de ir e vir, uma das cláusulas pétreas da nossa Constituição. Motoristas, atendentes, qualquer outro profissional, não podem decidir sobre uma questão tão grave. Mais que isto: não podem brincar de Deus e decidir sobre a vida.

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    Cachorro enfrenta cobra venenosa para salvar sua família

    O fiel companheiro sacrificou a vida ao enfrentar cobra venenosa para defender a família.

    Não resta nenhuma dúvida: o cachorro é o melhor e mais fiel amigo do homem. Este é mais um fato, infelizmente bastante triste, para comprovar o que todos os tutores já sabem.

    Esta é a história de Laden, um cachorro SRD que vivia no leste da Índia. Ele só queria proteger a família, mesmo que isto significasse sacrificar a própria vida. E foi exatamente isto que ele fez há poucos dias, em 05/11/19.

    A história

    Laden era um cachorro como todos os demais que nós conhecemos. Ele vivia com a família em um subúrbio de Bhubaneswar, capital do Estado de Odisha, no litoral indiano do oceano Índico.

    Certo dia, que começou exatamente igual aos demais, Laden estava em casa com “o pai e os dois irmãos“, quando uma cobra venenosa invadiu o imóvel. As duas crianças estavam brincando na frente da casa, perto da porta de entrada.

    Os adultos da família também estavam no quintal. Em certo momento, uma serpente de cerca de 1,50 metro tentou esgueirar-se para dentro da casa.

    As crianças começaram a chorar, enquanto os adultos gritavam, sem saber o que fazer. Vale lembrar que, em caso de aproximação de uma serpente, os gritos de nada adiantam, uma vez que os ofídios são praticamente surdos, apesar de conseguirem captar as vibrações do solo (como os passos de uma possível presa que está se aproximando).

    Enquanto a família buscava abrigo para se proteger, Laden não pensou duas vezes e investiu contra a cobra venenosa. A serpente morreu em poucos instantes, mas não sem antes picar várias vezes o cachorro herói.

    O “salvador” não resistiu. Em poucos momentos, Laden morreu, vítima do veneno da serpente, provavelmente uma naja. Confira o salvamento no vídeo. (Aviso: Cenas fortes)

    Sobre as cobras najas

    Naja ou cobra-real é o nome comum de cerca de 20 espécies que colonizam o continente africano e toda a região centro-sul da Ásia, do Iraque à Indochina. Algumas espécies desenvolveram a capacidade de elevar boa parte do corpo, enquanto outras cospem o veneno a distâncias consideráveis. Isto aumenta o raio de ataque e captura das presas. Apenas quatro gotas do veneno de algumas espécies são suficientes para matar um cavalo.

    Todas as espécies de najas já catalogadas são potencialmente fatais para os seres humanos. O veneno ataca o sistema nervoso central, provocando cegueira e paralisia em poucos minutos. O inchaço e a necrose do tecido em volta da picada também reduzem as chances de salvamento.

    Mesmo assim, as najas não são as “vilãs da história“: elas são responsáveis pelo controle da população de roedores. Na África, por exemplo, a naja egípcia reduziu o desperdício de grãos provocado pelos ratos e ajudou a construir um dos maiores impérios da Antiguidade, baseado na produção de cereais. Sem estas cobras, os faraós não teriam sido tão prósperos e poderosos.

    Outro ataque

    Odisha é uma região famosa pela abundância de cobras venenosas. Uma delas merece destaque a naja. Em março deste ano, uma destas serpentes foi capturada em Ganjam, um povoado próximo a Bhubaneswar.

    A naja de Ganjam media quase quatro metros de comprimento e ficou famosa pela resistência: o animal escondeu-se o quanto pôde e tomou mais de uma hora da equipe de resgate. A cobra foi solta na mata próxima, seu ambiente natural.

    Em julho de 2019, outro cachorro destacou-se pelo heroísmo. Também em Odisha, o dálmata Tyson sacrificou-se para salvar a família. O indiano Ameem Shamir acordou de madrugada com os latidos insistentes de Tyson.

    Ao sair para o quintal, Shamir presenciou os momentos finais da luta entre o seu cachorro e uma naja. Antes que pudesse intervir, o dálmata já havia arrancado a cabeça da cobra.

    O fiel companheiro morreu meia hora depois. Ele não chegou a ser picado,  mas provavelmente engoliu as glândulas que secretam o veneno. Seja como for, Laden e Tyson morreram bravamente e certamente estão no céu dos cachorros, ainda velando pela integridade de suas famílias.

    Coragem e lealdade estão entre as principais características de nossos companheiros de quatro patas. Estas histórias apenas confirmam o que nós já sabemos há milênios.

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    Polícia resgata cāo preso em carro fechado

    Aconteceu no Distrito Federal: um cāo deixado em carro fechado foi resgatado pela polícia.

    No dia 05/11/19, a Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada para resgatar um cāo da raça Yorkshire deixado preso em um carro fechado. A primeira viatura policial chegou ao local por volta das 14h50min.

    O cachorro foi resgatado pela Polícia. Foto: G1.com.br

    O animal estava ofegante, em função do calor dessa tarde – a temperatura em Brasília atingiu os 30ºC no dia 05.11 – e também muito assustado com a situação e com o alvoroço: dezenas de curiosos se acotovelavam para entender o que estava acontecendo.

    Operação resgate

    O cachorro estava preso em um carro totalmente fechado na Superquadra 706 Sul, na Asa Sul do plano piloto. O automóvel estava estacionado regularmente. Os policiais conseguiram identificar o telefone do proprietário pela placa do veículo, mas não conseguiram estabelecer contato.

    Dez minutos depois do início da operação, os oficiais da PM decidiram quebrar o vidro de uma das janelas dianteiras do automóvel, para permitir que o animal respirasse. O cāo foi finalmente resgatado.

    Apenas duas horas depois, por volta das 17h, o tutor do cachorro foi localizado, em um hospital da região.

    Felizmente, o cão não sofreu maiores danos físicos. Mesmo assim, os policiais dirigiram-se ao hospital, identificaram o dono do animal e lavraram termo circunstanciado da ocorrência. O tutor irá responder por maus tratos e também por crime ambiental.

    Veja também: Como denunciar maus tratos

    A legislação

    No Distrito Federal – e na maioria das unidades da federação -, não existe legislação específica que regulamente e penalize a permanência prolongada de animais de estimação (cães e gatos) em carros fechados.

    Mesmo assim, muitos magistrados interpretam esta condição como “maus tratos a animais”. Evidentemente, um juiz usará o bom senso para avaliar cada caso, verificando se o tutor imprudente, descuidado ou simplesmente desatento.

    Mas, no caso em questão, o processo civil poderia enquadrar o infrator como autor de maus tratos, com pena de detenção de até três anos. O castigo mais pesado, de qualquer forma, seria perder o companheiro de quatro patas.

    Efetivamente, o Código de Trânsito Brasileiro (lei 9.503/1997) define como infração grave, sujeita a multa, pontos na CNH e até o guinchamento do veículo:

    – conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas (na caçamba de um utilitário, por exemplo;

    – dirigir o veículo transportando pessoas, animais ou volumes à sua esquerda ou entre as pernas;

    – dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança (transportar o cachorro solto no banco traseiro ou do carona).

    Muitos motoristas optam por prender a coleira do cachorro ao cinto de segurança. Outros deixam a janela totalmente aberta para que os pets possam “sentir o vento”. As duas condutas são irregulares. Deixe as janelas fechadas (ou com um vão pelo qual não passe a cabeça do pet) e use gaiolas de transporte ou cadeiras especiais para o transporte.

    Mas, se você é um cidadão responsável, que se depara com esta situação – um cachorro ofegante preso em um carro fechado -, não tente fazer “justiça com as próprias mãos”.

    ATENÇÃO: Por mais bem-intencionado que você seja, quebrar a vidraça de um veículo certamente será considerado dano ao patrimônio privado ou até mesmo vandalismo. Ligue 190 e denuncie. Os policiais militares recebem treinamento para lidar com a situação. Se possível, aguarde o resgate e tente distrair o pet.

    Os efeitos colaterais

    Cães reagem de forma muito semelhante a crianças pequenas. O primeiro efeito colateral, ao ser deixado para trás, mesmo que seja por alguns minutos, é a sensação de abandono.

    Felizmente, os cachorros não contam o tempo como nós e, por isto, o afastamento por alguns instantes ou horas (quando saímos de casa para trabalhar ou estudar, por exemplo), não costuma ter efeitos prolongados.

    Mesmo assim, ao deixar o cachorro sozinho em um ambiente estranho, é necessário deixar alguma coisa com que ele possa se distrair – um brinquedo preferido ou uma peça de roupa com o cheirinho do dono.

    A insolação e a desidratação, por outro lado, podem ter consequências complicadas. Temperaturas altas combinadas com a má circulação do ar podem provocar inclusive a morte do pet. A hipertermia compromete todas as funções metabólicas – respiração, circulação sanguínea, digestão e excreção.

    Em casos extremos, quando a condição é prolongada ou quando o calor é excessivo – situação comum no Brasil durante praticamente no ano inteiro – os cães podem ter vertigens, perda de consciência, convulsões, paradas cardíacas e comprometimentos sérios em diversos órgãos.

    As providências necessárias

    Deixar o cachorro sozinho no carro enquanto usa o banheiro do posto de abastecimento ou para retirar uma encomenda num local que não aceita cães é plenamente justificável. Seja como for, sempre que for sair de carro com o seu pet, não se esqueça de levar água e nunca estacione sob o sol.

    Não demore, sob nenhuma condição, mais dez minutos. Os pets podem entrar em pânico, a água pode esquentar (e contribuir para piorar os sintomas físicos). Cães com muito calor podem sofrer com vômitos e diarreias – e quem vai ter de limpar o carro é você.

    Mesmo sob temperaturas amenas, a permanência em um carro fechado, por apenas dez minutos, é mais que suficiente para provocar insolação. Em 20 minutos, um cāo de pequeno porte já começa a sentir os efeitos da desidratação. Em menos de uma hora, ele pode morrer.

    Cães maiores também sofrem com os efeitos do calor, especialmente os braquicefálicos – os cães de “cara amassada”, como buldogues, pugs e boxers. Tente imaginar os efeitos do calor excessivo em um chow chow, por exemplo, ou em qualquer animal de pelo longo e espesso.

    Um detalhe técnico: os vidros dos carros filtram os raios infravermelhos do sol, impedindo que eles se acumulem no interior. Passado algum tempo, porém, todas as superfícies internas passam a distribuir o calor – e elas próprias começam a emitir esses raios.

    Em um dia fresco, mas ensolarado, com temperatura ambiente de 20*C, a temperatura no interior de um veículo compacto pode ultrapassar os 50*C em menos de 30 minutos. E ela continuará subindo, se nenhuma providência for tomada – abrir as portas é a melhor medida.

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    Via: G1.com.br

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    Cachorro viraliza na internet por dormir com chupeta

    O bebê cachorro pertence a moradores de rua e já ganhou até chupeta.

    Um bebê cachorro está fazendo sucesso nas praias e ruas de São Vicente (litoral sul de São Paulo). Ele pertence a moradores de rua da cidade praiana e as fotos estão viralizando nas redes sociais: o cãozinho aparece nas imagens divulgadas descansando em uma caminha, com direito a travesseiro, cobertas e até mesmo uma chupeta!

    Foto: Renata Macedo de Jesus

    Na cama improvisada, o bebê cachorro, aparece ao lado de um urso de pelúcia. Pelo jeito, aconchego e boa companhia não faltam a este peludo de quatro patas recém-chegado ao planeta.

    Veja também: Como alimentar um cão de rua?

    A postagem na internet

    O post do cachorro bebê de São Vicente já conta com algumas dezenas de milhares de visualizações. As fotos chegaram às redes sociais através dos cliques de Renata Macedo de Jesus, de 37 anos, uma fotógrafa que reside em São Vicente. A profissional não resistiu quando viu a cena.

    No dia 03/08/2019, o casal, com seu cachorro bebê, circulava pela Rua Quinze de Novembro, no centro da cidade, poucas quadras distante da orla marítima, quando se viu frente a frente com Renata. A rua é um dos principais polos comerciais e financeiros da cidade, razão por que está sempre cheia de pessoas.

    Veja também: Loja italiana protege cães de rua em suas vitrines

    O olho da fotógrafa, porém, não se deixou iludir: ali estava uma cena digna de ser registrada. É Renata quem narra o encontro: “eu atravessei a rua para conversar com eles, pedi para fotografar e divulgar, para ver se  podia conseguir alguma ajuda”.

    Foto: Renata Macedo de Jesus

    O casal concordou no mesmo instante. Eles posaram para as fotos e elogiaram o resultado – como faria, aliás, qualquer casal orgulhoso por ver seu filho em destaque.

    Fazendo a diferença

    Além da solidariedade e do olho profissional, Renata tem outro motivo para clicar o bebê diferente que vive nas ruas de São Vicente: ela também adotou dois cachorros, com quem divide a casa e a vida atualmente. Quem é pai ou mãe de um cãozinho sempre se sensibiliza ao ver animais em condições inadequadas.

    Não se engane: apesar de o cachorro bebê de São Vicente ter algumas regalias, como uma chupeta e uma caminha quente, ele e os seus pais adotivos são moradores de rua e sofrem com todos os transtornos decorrentes desta condição.

    Renata afirma que o que chamou a sua atenção foi o fato de que o cachorrinho está agasalhado e assistido. Tem até uma chupeta para sonhar com os dias em que mamava tranquilo na mãe. Os tutores também estão asseados e vestidos, mas moram na rua, onde ninguém deveria morar, independente dos motivos que os levaram para lá.

    Foto: Renata Macedo de Jesus

    A fotógrafa diz que pretende reencontrar o casal, que “vive entre o centro e a praia”, para entregar as fotos que pretende revelar. Nos comentários feitos nas postagens, muitos identificam o casal.

    Um internauta comentou: “casal querido, eles amam cachorros. Não podem ver um solto na rua e já adotam”. Um belo gesto, concordam? O mundo está repleto de bons exemplos de piedade, caridade, empatia e amor. E você, já fez alguém feliz hoje?

    O mundo fica melhor quando nos apoiamos uns aos outros. Isto é verdadeiro para cães, gatos, humanos… Isto vale para todo o mundo!

    Nota da Redação: Apesar de parecer fofo e muito lindo, chupetas são prejudiciais para os cachorros. Mas sobre isso vamos comentar em outro artigo, em breve.

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    Créditos: g1.globo.com

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    Prefeitura dá desconto no IPTU para quem adotar cão de rua

    A boa notícia vem de um município do Paraná: quem adotar um cão de rua terá até 50% de desconto no IPTU.

    Quinta do Sol é uma cidade do centro-oeste paranaense, com menos de 6.000 habitantes, fundada em 1964. A prefeitura do município passou a conceder, em julho de 2019, descontos entre 30% e 50% sobre o valor do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), para os contribuintes que adotarem cães de rua.

    De acordo com o prefeito João Cláudio Romero (PP), a medida não causará grande impacto na economia de Quinta do Sol. A medida já foi implantada, depois da sanção da lei pelo prefeito. Estudos realizados pela Divisão de Proteção aos Animais do município apontam que existem cerca de 150 cachorros perambulando pelas ruas da cidade.

    Veja também: Loja italiana protege cães de rua em suas vitrines

    O projeto de lei 2.005/2019 foi batizado de Programa de Resgate de Cães de Rua. Além do abatimento no imposto, os novos tutores ganham uma casinha de cachorro, além do eventual atendimento veterinário necessário antes da adoção (castração, vacinação básica, etc.).

    Além das adoções, o projeto sancionado prevê a construção de um abrigo público temporário para acolher cães resgatados (ou em situação de vulnerabilidade), onde os pets receberão microchip de identificação e serão cadastrados no Sistema de Identificação Animal (SAI), uma espécie de RG canino.

    Caberá à equipe do abrigo acompanhar o relacionamento da “nova família”: em caso de maus tratos, os animais serão recolhidos e o abatimento no imposto, cancelado.

    Em 2017, Quinta do Sol já havia demonstrado sensibilidade em relação aos cães de rua, punindo rigorosamente os maus tratos contra animais no município. A legislação local prevê a aplicação de multas de até R$ 20 mil, de acordo com a gravidade da ocorrência.

    Veja também: Shopping center na Turquia abriga cães de rua nas noites frias

    Ainda de acordo com a nova lei, os valores arrecadados com as penalidades precisam ser repassados obrigatoriamente para o Fundo Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Quinta do Sol, órgão que desenvolve projetos e ações ambientais relacionados ao bem-estar dos pets. Os infratores que não pagarem as multas terão o nome inscrito na Dívida Pública do município.

    Exemplos de iniciativas semelhantes

    Não é somente Quinta do Sol que decidiu cuidar melhor dos cidadãos caninos. Desde 2016, o governo de Araquari (SC), também oferece abatimentos no IPTU para os proprietários que adotam cães de rua.

    A medida conta com o apoio de uma ONG de proteção de animais do município, responsável por cadastrar os moradores interessados, bem como de alojar temporariamente os cachorros, castrá-los, vaciná-los e finalmente transferi-los para a nova família.

    Cães de rua?

    Vale a pena considerar que, assim como não existem pessoas de rua, também não existem cães de rua. As primeiras passaram a morar nas ruas em função de problemas financeiros graves, enquanto os animais “sem dono” são cães abandonados por tutores irresponsáveis, que não hesitam em se desfazer de seus companheiros.

    Muitos seres humanos abandonam cães e gatos porque “não têm espaço para eles”, porque “chegou um bebê e a família cresceu”, porque “um parente veio morar na casa e ele é alérgico”, porque “os animais se tornaram arredios ou violentos”, porque “precisou viajar e não tinha com quem deixar o animal de estimação”.

    Tutores de animais, sejam eles quem forem, precisam se conscientizar de que cães e gatos (além de aves, cavalos, etc.) são seres vivos, que estabelecem relações de amor e amizade, que precisam da ajuda dos humanos para crescer adequadamente – ou mesmo apenas para sobreviver.

    Cães e gatos não são coisas das quais nós possamos nos desfazer num momento de dificuldade ou de contrariedade. Quem pensa assim jamais deve adotar um pet: compre um bicho de pelúcia, que pode ser atirado ao lixo quando surgirem contratempos, ou quando a curiosidade acabar.

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    Via: bemparana.com.br

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    Projeto de lei quer que animais deixem de ser coisas

    O projeto, apelidado de “animal não é coisa”, deve ser votado ainda no segundo semestre de 2019.

    De acordo com a legislação brasileira, animais são “bens móveis”. O artigo nº 82 do nosso Código Civil determina que: são bens móveis “aqueles que possuem movimento próprio, tais como animais selvagens, domésticos ou domesticados, além dos suscetíveis de remoção por força alheia, desde que não se altere a substância ou destinação econômico-social”.

    Um projeto de lei que está tramitando no Senado da República, no entanto, quer mudar esta história. Trata-se do PLC 27/2018, de autoria da Câmara dos Deputados, através da iniciativa do deputado Ricardo Izar (PSD-SP). A ementa (uma espécie de resumo do projeto) acrescenta dispositivo à lei nº 9.605/1998, para dispor sobre “a natureza jurídica dos animais não humanos”.

    Veja também: Cães são “coisa” ou “gente”?

    A explicação

    O PLC, já votado na Câmara dos Deputados e aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado, determina que:

    • os animais não humanos possuem natureza jurídica sui generis (de gênero próprio, em condições especiais) e são sujeitos de direitos despersonificados, dos quais devem gozar e obter tutela jurisdicional em caso de violação, vedado o seu tratamento como coisa.

    Em outras palavras, animais como cães e gatos possuem natureza jurídica – e, desta forma devem ter os seus direitos preservados nas diversas áreas: penal, comercial, etc., no âmbito público ou privado.

    A lei não equipara humanos a não humanos. Com a lei, os animais passarão a ser dotados de direitos despersonificados – todos eles têm os mesmos direitos, que devem ser defendidos pelos tutores ou, na sua ausência ou invalidação (quando os próprios tutores são os agentes da ação criminosa, como maus tratos, por exemplo), recebem a defesa da sociedade, através dos órgãos de segurança e justiça.

     O projeto já foi aprovado na Comissão do Meio Ambiente do Senado. O próximo passo é a discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e, em seguida, a votação em plenário (com posterior sanção da Presidência da República).

    Veja também: Lei proíbe deixar cachorros acorrentados e sempre presos.

    Os direitos dos animais

    Apesar de o Brasil ser o campeão da biodiversidade – já foram classificadas mais de 103 mil espécies animais na nossa fauna, ainda precisamos evoluir bastante no tocante aos direitos dos animais. Com poucas exceções, a legislação brasileira delega ao poder público e à coletividade a defesa dos animais. Isto está expresso na Constituição Federal, promulgada em 1988.

    De acordo com o capítulo 6º da Carta Magna, o estado e a sociedade têm:

    • o dever de respeitar a vida, a liberdade corporal e a integridade física dos seres vivos;
    • de proibir as práticas que coloquem em risco a função ecológica;
    • de impedir a extinção de espécies;
    • de coibir a violência e a crueldade contra qualquer animal.

    Mesmo assim, apenas alguns municípios e unidades da federação desenvolveram legislações específicas. No caso da nova lei, que altera o Código Civil, impedirá que os animais sejam tratados como coisas.

    As instituições jurídicas poderão enxergar os animais como seres detentores de direitos e, assim, juízes, promotores e defensores poderão tomar medidas capazes de impedir, minimizar ou corrigir os danos causados por pessoas e empresas.

    O caso da ursa Marsha

    Reynaldo Velloso, presidente da Comissão Nacional de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cita um exemplo emblemático: a ursa Marsha.

    O animal é um urso-pardo siberiano, espécie que vive na Sibéria (Mongólia e leste da Rússia). Marsha, que ganhou o apelido de “a ursa mais triste do mundo”, foi levada do frio siberiano para viver no calor do Piauí, onde trabalhou durante vários anos apresentando-se em circos.

    A situação de Marsha foi denunciada e teve início uma longa disputa judicial. Se ela fosse considerada um “ser detentor de direitos”, poderia ser retirada do circo em apenas alguns dias; bastaria que um advogado impetrasse um habeas corpus.

    Mas Marsha, aos olhos da legislação, era apenas um “bem móvel”, uma coisa, a propriedade de alguém. Ela teve de esperar, apesar dos evidentes maus tratos, algumas décadas até finalmente ser transferida para um santuário de animais em Joanópolis (SP).

    Em tempo: a ursa passa bem, obrigado. Mudou o nome para Rovena e hoje tem direito a um grande gramado e uma piscina no sítio em que foi acolhida. Se as leis tivessem sido alteradas há mais tempo, Rovena – e outros milhões de animais pelo Brasil – não precisariam sofrer tanto.

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    Menina de 7 anos cata latinhas para comprar ração para cachorros de rua

    O mais impressionante é que a ração é para cães de rua. Confira e emocione-se.

    Uma menina de apenas sete anos que vive na capital gaúcha está dando um exemplo que deve ser seguido não apenas por crianças. Isabel – este é o nome da nossa jovem heroína – é apaixonada por animais. Os pais contam que a atração se tornou visível quando ela ainda era pequena.

    Isabel parece ter um carinho especial pelos cães de rua. Os olhinhos dela não escondem: se pudesse, levaria todos eles para casa.

    Da mesma forma, ela não pode alimentar todos os cães que encontra pela frente. A família desta menina não teria condições financeiras para arcar com a despesa. Foi isto que os pais explicaram para a pequena Isabel, que ainda não tinha completado sete anos.

    As latinhas

    A menina começou a pensar em como resolver o problema – afinal, os seus amigos de quatro patas que vivem nas rua têm fome, e já foi dito que “quem tem fome, tem pressa”.

    Isabel encontrou uma solução inusitada: catar latinhas, para vender em cooperativas de reciclagem. A família da menina não incentivou, mas também não proibiu a iniciativa: todos imaginaram que a garotinha iria se cansar e encontrar outra coisa para se distrair.

    Não foi isto que aconteceu. Todos os dias, depois das aulas, Isabel sai pelas ruas próximas à sua casa com um saco plástico em busca de latinhas. Todo o dinheiro arrecadado (que, na verdade, é muito pouco) é usado para comprar ração para os cães de rua.

    Ao que tudo indica, a recompensa de Isabel é ver a alegria dos animais. Muitos deles já conhecem a menina e seguem-na nas suas andanças em busca de latinhas. E Isabel segue firme em sua missão de melhorar a vida dos animais.

    Na verdade, a recompensa é infinitamente maior. De forma inconsciente, ela sabe que os cães – de raça ou de rua, não importa – são seres leais, amorosos e puros, que querem dar apenas amor e carinho. É isto que Isabel recebe no dia a dia, mas algumas surpresas sempre surgem no caminho da menina.

    Glória do desporto nacional

    A menina tímida de sete anos tem outra paixão além dos cães. Mas não é segredo: sempre que pode, ela sai para catar latinhas vestindo a camisa do seu time de futebol do coração: o Sport Club Internacional. Isabel gosta em especial de um jogador: Andrés D’Alessandro, o craque argentino, meio-campista do Inter.

    As andanças de Isabel em busca de latinhas e o seu empenho em comprar ração para os cães de rua não demoraram para chegar à internet.

    Os internautas (milhares deles) decidiram fazer uma campanha através das redes sociais. A ideia era que os vídeos da menininha andando pelas ruas atrás de latinhas chegassem até o jogador do Internacional, o que não foi nada difícil.

    O jogador também se convenceu com a história e a persistência de Isabel. D’Alessandro, porém, não se limitou a curtir as postagens que contavam parte da história desta menina de sete anos. O atleta de 37 anos decidiu conhecer a menina e ajudá-la em sua campanha em favor dos cães de rua.

    Isabel foi levada até o centro de treinamento do Inter, onde conheceu o seu ídolo e vários outros jogadores do time. A menina ganhou cestas básicas, material escolar, brinquedos e, é claro, muitos quilos de ração para cães. Os vira-latas de Porto Alegre – pelo menos os que conhecem Isabel – agradecem.

    Veja o vídeo:

    O alumínio

    Isabel segue o exemplo de milhares de brasileiros, que diariamente recolhem latas de alumínio para a reciclagem. O material é abundante: pesquisas indicam que cada brasileiro consome 54 latinhas a cada ano.

    Há 18 anos, o Brasil é campeão mundial em reciclagem de alumínio: 98,4% desse material é reaproveitado (no mundo, o percentual é de 75%).

    A atividade informal, adotada por pessoas sem emprego formal (na maioria dos casos, nem mesmo informa), injeta mais de R$ 800 milhões a cada ano. Em apenas um mês, uma latinha pode ser comprada, usada, coletada, reciclada e transportada em latinha de novo.

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    Cachorro que ficava nas Casas Bahia é adotado por funcionário

    O nome do cachorro é Dock e ele foi adotado por um funcionário das Casas Bahia. Confira a história.

    A foto de um cachorro dormindo em um sofá acabou viralizando na segunda quinzena de maio 2019 nas redes sociais. Poderia ser apenas mais um cãozinho dormindo tranquilamente, se não fosse um fato inusitado: o sofá em questão estava em exposição numa loja das Casas Bahia em Suzano (região metropolitana de São Paulo).

    De acordo com as informações recolhidas, o cachorro, de porte médio, estava frequentando a loja há diversas semanas, provavelmente atraído pelo alimento, segurança e carinho oferecidos pelos funcionários. Mas o final desta história é ainda mais comovente.

    A postagem nas redes sociais

    A jovem responsável pelo tuíte passou pela loja, viu o cachorro dormindo tranquilamente e não se conteve: perguntou a uma funcionária das Casas Bahia sobre o “hóspede”. A resposta da vendedora foi simples:

    você viu, menina, ele não sai mais daqui, nós adotamos ele.

    Logo em seguida, a internauta postou:

    “Casas Bahia pisando e me fazendo lembrar do incidente no Carrefour. Eu perguntei pra moça se ela sabia que tinha um doguinho dormindo no sofá da loja e ela falou: cê viu?”

    A jovem fez referência ao triste episódio ocorrido em dezembro de 2018, quando um cachorro foi espancado até a morte por um segurança, no estacionamento do hipermercado Carrefour. O cão vivia no estacionamento e era alimentado por funcionários e clientes. A ativista pelos direitos dos animais Luíza Mell mostrou as imagens na delegacia de polícia e em suas redes sociais.

    O caso do cachorro acolhido nas Casas Bahia rendeu muitas postagens – o equivalente a uma estratégia gratuita de marketing. Muitos internautas afirmaram que, nas próximas compras, se lembrarão da rede varejista. Por outro lado, ao Carrefour, sobraram críticas.

    A história continua

    De acordo com o gerente da loja de Suzano, Wilson Moreira, o cachorro Dock estava “visitando” as Casas Bahia já fazia cerca de um mês. Moreira disse que é uma prática comum: “aqui já temos uma rotina voltada para sempre ajudar, pois, por ser uma região central, sempre aparecem animais por aqui”.

    Em nota, a direção das Casas Bahia parabenizou a equipe e afirmou esperar que “atitudes como esta sejam exemplos a serem seguidos por outras unidades lojas que representam a marca”.

    Enquanto alguns agridem e maltratam, esta rede varejista parece ter encontrado o caminho certo, incentivando o acolhimento e o carinho. Afinal, não existem animais de rua: existem animais que vivem nas ruas em função da negligência de seres humanos irresponsáveis.

    Um final feliz

    Toda história merece um final feliz, não é verdade? E, no caso de Dock, não poderia ser diferente. Não há príncipes encantados nem fadas madrinhas, mas há um funcionário das Casas Bahia.

    Durante a sua “hospedagem” na loja de Suzano, Dock era muito bem tratado, recebia alimento e água trazida pelos empregados, descansava tranquilamente nos sofás em exposição, mas, no momento de fechar a loja, ele tinha de voltar para as ruas.

    O tempo verbal está correto: tinha, não tem mais. Henrique Ferreira, de 33 anos, um dos empregados das Casas Bahia, parecia mais empenhado em cuidar de Dock. Tanto assim que muitas colegas insistiam: “por que você não adota o cachorro?”.

    Foram tantos os pedidos, “tão sinceros, tão sentidos”, que Henrique decidiu adotar Dock. Na noite de 26 de maio, o cachorro despediu-se pela última vez dos empregados das Casas Bahia e seguiu com o novo tutor para casa. Sim, desde esta data, Dock tem um lar para chamar de seu.

    É Henrique quem conta: “apesar dos problemas financeiros (o rapaz foi assaltado recentemente: levaram o seu automóvel, que ainda está sendo pago), não pensei duas vezes em levá-lo para casa. Peguei um pouco de ração na minha mãe e no dia seguinte comprei um pacote de ração de 15 quilos e uma coleira”.

    A narrativa continua: “Um amigo, com quem divido a moradia, fez uma casinha improvisada, com um edredom quentinho. Quando ele quer fazer as suas necessidades na rua, ele me chama. Amei isso, porque estou um pouco gordinho, ele está me incentivando a andar com mais frequência”.

    Henrique conclui o novo capítulo desta história: “Dock já está no meu coração. A bondade e a gratidão dele me fizeram esquecer qualquer dificuldade. Hoje, eu tenho um amigo, um filho de quatro patas”.

    Uma bela história, dois belos exemplos: um humano, outro canino. <3

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    Jovem adota cachorro com câncer para dar a ele um lar em seus últimos dias

    Ele queria dar um lar para o cachorro, antes que dele morrer. Conheça a história deste jovem argentino e emocione-se!

    Esta é a história de Luciano Karosas, um jovem de 21 anos que vive em Berazategui, um município (ou “partido”, como dizem os nossos irmãos portenhos) da Grande Buenos Aires, capital da Argentina. É também a história de um cachorro com câncer: o seu nome é Coco – ou melhor, Thanos, o nome escolhido para a última etapa de vida. Certamente, a melhor.

    Luciano e Thanos (Foto: Instagram/Reprodução)

    Antes de conhecer Luciano, Coco viveu com quatro famílias, que o rejeitaram por causa da doença. Os tumores provocados pelo câncer deformaram a cabeça do cachorro. Se já é difícil encontrar quem queira adotar um cão idoso, imagine quando este cão está desfigurado pela doença.

    O encontro

    Griselda, outra personagem desta história, está acostumada a resgatar animais que vivem nas ruas da capital argentina – ela faz isto há anos. Esta boa samaritana encontrou Coco mais uma vez depois do último abandono; Griselda encontrou as quatro famílias adotivas, mas teve a tristeza e desilusão de ver o cão devolvido quatro vezes.

    Ela levou o animal para casa mais uma vez, ofereceu os cuidados de que ele necessitava e decidiu encontrar um novo tutor para Coco, custasse o que custasse; desta vez, um tutor definitivo.

    Thanos (Foto: Instagram/Reprodução)

    Era necessário encontrar alguém que quisesse dar todo o amor do mundo – ao menos, por alguns meses, ou mesmo poucos dias. Não era preciso ser especialista para verificar que Coco não conseguiria resistir por muito tempo ao câncer, cujas múltiplas metástases o desfiguravam.

    Então, Luciano Karosas entrou na história. Foi amor à primeira vista, mas a primeira missão do jovem tutor era levar Coco – então rebatizado como Thanos – para uma avaliação veterinária. O prognóstico não foi nada otimista: disseram para o jovem que o cachorro com câncer teria pouco mais de um mês de vida. Talvez, 40 dias.

    O melhor amigo do cachorro

    Esta é a melhor definição para Luciano Karosas, que é músico e ator. O jovem decidiu que, se não tinha muito tempo para ficar com Coco, teria de transformar este curto período em um período de muito amor. Luciano afirma:

    Tudo o que eu quero é mimá-lo, tentar dar-lhe muito amor e diminuir a dor que ele sente antes que ele se vá. Achei difícil adaptar-me à ideia do pouco tempo que nós vamos passar juntos.

    Thanos continua vivendo com Luciano Karosas, que decidiu procurar um veterinário especializado em tratamentos com células-tronco (estruturas que podem se transformar em células para praticamente todas as áreas do corpo).

    Na verdade, o jovem Luciano queria apenas algum fio de esperança. O especialista, contudo, foi categórico: o câncer está em estágio avançado e não há tratamento que possa reverter o quadro clínico, nem aumentar a expectativa de vida.

    O tutor argentino afirmou, em entrevista para o jornal “El Clarín”, que saiu do consultório médico “com o coração partido”. Mesmo assim, manteve a decisão de adotar Thanos e dar-lhe os últimos dias de vida com dignidade e felicidade.

    Talvez por isto, Thanos continua brincalhão e está muito feliz na companhia do tutor. Luciano publica fotos do cachorro nas redes sociais. A história de Thanos, aliás, ficou famosa na rede mundial. O cachorro, cujas fotos começaram a ser publicadas em abril de 2019, já é famoso no Twitter e no Instagram.

    Há poucos dias, Luciano postou que quer viver os últimos dias de Thanos “com câncer, com tumores, com metástases, com o que for, porque o amor e a alegria deste cachorro me contagiam e emocionam”.

    Há poucos dias, Luciano Karosas postou:

    Thanos é o melhor cachorro que já tive na minha vida. Um feliz primeiro mês juntos, gordo do papai.

    Não se sabe quanto tempo de vida resta para o cãozinho com câncer. Seja como for, ele parece mais forte e saudável. Talvez seja o amor. Talvez fosse isto que Thanos estava esperando antes de descansar: um amigo em quem confiar. Mesmo assim, Luciano afirma: “ainda há Thanos por um bom tempo”.

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    Nina, a cadelinha que sofria maus-tratos adotada por Boechat

    Boa parte dos seres humanos, quando realiza uma boa ação, costuma apregoá-la aos quatro ventos. Não foi isto, no entanto, que aconteceu com o jornalista Ricardo Boechat, âncora do “Jornal da Band” (Grupo Bandeirantes de Comunicação).

    Há pouco mais de três anos, no final de 2015, o jornalista conheceu um canil, em Porto Alegre (RS), que resgata animais que sofreram maus-tratos, seja na rua, seja na casa em que moravam. O caso de Nina se enquadra na segunda opção.

    Boechat e sua mulher, Veruska, se apaixonaram por Nina à primeira vista. Levaram-na para casa e, desde então, a cadelinha faz parte da família, que agora não conta mais com o amor do pai.

    Ricardo Boechat

    O jornalista Ricardo Boechat, que em seu currículo conta com passagens em “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de São Paulo” e “Jornal do Brasil”, trabalhava no Grupo Bandeirantes – na rádio Band News e na TV Bandeirantes, onde apresentava o principal noticiário, além de assinar uma coluna semanal da revista “Isto É”.

    Autodidata (nunca frequentou uma faculdade de Jornalismo), Boechat é um dos profissionais mais premiados do Brasil – venceu por três vezes o prêmio Esso e por diversas vezes o prêmio Comunique-se. O jornalista não nasceu no país. Ele era argentino – o pai, diplomata, estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores há 66 anos, quando Ricardo Boechat nasceu.

    O jornalista morreu no dia 11/02/19, quando o helicóptero que o transportava caiu na Rodovia Anhanguera (que liga São Paulo à região central do Estado). Boechat voltava de uma palestra em Campinas.

    Existe uma orientação evangélica para que nós não apregoemos as nossas boas ações; que nós as façamos em segredo. No entanto, o que se verifica, na maioria das vezes, é a divulgação exagerada, para que todos saibam. Boechat, contudo, não fez questão de se apresentar como “defensor dos animais maltratados”. Apenas apaixonou-se por Nina e levou-a para casa.

    De acordo com Veruska Boechat, o jornalista era “o ateu que mais praticava o mandamento mais importante de todos, que é o amor ao próximo, porque sempre se preocupou com todo mundo, sempre teve coragem”. Pelo que podemos ver, o “próximo” incluía também os nossos amigos de quatro patas.

    Esta história permaneceria em sigilo, se não fosse por um post, no dia 12/02/19, de Lourdes Sprenger nas redes sociais, solidarizando-se com a família. Sprenger é vereadora em Porto Alegre, considerada a primeira parlamentar eleita pela causa ambiental.

    A vereadora gaúcha já apresentou projetos para o apadrinhamento de cães e gatos e também para a proibição da fabricação e venda de fogos de artifício. Graças à iniciativa da parlamentar, a capital gaúcha não permite a soltura de fogos desde novembro de 2016.

    Agora, sabemos que, além de um excelente profissional da comunicação, Ricardo Boechat também se preocupava com o meio ambiente e com o cuidado com os pets. Precisamos mais de “Ricardos Boechats” no país. O jornalista já está fazendo falta.

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