Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério

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Desde a morte do tutor, ele nunca se afastou do cemitério. Agora, o cachorro conforta pessoas no local. 

Há três anos, Bobby mora no cemitério de Roca (Província de Rio Negro, Argentina). Ele está no local desde a morte do tutor, e de alguma forma aprendeu a confortar as pessoas que comparecem aos funerais. Ele se posiciona junto à sepultura, observa a família com atenção e recebe carinho dos acompanhantes. 

Bobby decidiu que o melhor lugar do mundo, para ele, é o cemitério, último local em que viu o seu melhor amigo. A permanência chamou a atenção dos funcionários do local, que em pouco tempo fizeram amizade com o cachorro. 

Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério
Foto: Juan Thomes

Este cachorro é uma demonstração de que os cachorros são seres extremamente fiéis aos amigos que fazem durante a vida. Ele manteve a lealdade ao tutor falecido e a outras pessoas que passaram a fazer parte da sua vida. Sem dúvida nenhuma, o amor que eles sentem é incondicional. 

Os enterros 

Um dos funcionários do cemitério mais próximos de Bobby é o coveiro Daniel Cisterna, que trabalha todas as tardes. General Roca é um município de pouco mais de 80 mil habitantes – número mais do que suficiente para fazer um cachorro desaparecer na paisagem. Mas isso não aconteceu com Bobby. 

Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério
Foto: Juan Thomes

Em todos os serviços fúnebres que contam com a participação de Cisterna, Bobby faz questão de estar presente. O cachorro acompanha o féretro, deita-se sobre o monte de terra formado pela abertura da sepultura e transmite empatia, oferecendo algum tipo de conforto para as pessoas enlutadas. 

O servidor municipal trabalha no cemitério há 16 anos e viu quando Bobby decidiu permanecer ao lado da sepultura do antigo tutor. Cisterna disse ao jornal Rio Negro que “meu trabalho é enterrar e percorrer o cemitério todas as tardes”. 

Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério
Foto: Juan Thomes

Todas as tardes, a partir das 13h, Bobby espera o coveiro na entrada. Quando ele ouve o barulho da motocicleta de Cisterna, aproxima-se do amigo e fica com ele até o final do expediente. Na despedida, ele acompanha o servidor até a floricultura, que fica na entrada do cemitério, e retorna para casa. 

A lealdade do cachorro estaria comprovada apenas pela dedicação a Cisterna, mas o lado mais tocante de Bobby aflora quando ele acompanha os funerais. De acordo com o coveiro, todo o serviço, da saída do velório até o fechamento da sepultura, toma cerca de 45 minutos. 

Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério
Foto: Juan Thomes

Durante todo esse tempo, Bobby permanece deitado, observando a família em silêncio. Ele não late, nem faz movimentos bruscos. “Parece que entende os sentimentos dos parentes”, diz Cisterna. 

“Todos ficam maravilhados com o gesto do animal, acariciam e fazem perguntas sobre ele”, complementa o zelador do cemitério. Não importa se está chovendo, com frio ou Sol, ele acompanha os funerais até a família se dispersar”. 

A casa de Bobby 

Nos primeiros meses, ele ficava junto ao jazigo do antigo tutor. Depois de um tempo de permanência no cemitério, observando que ele não se afastaria dali, os funcionários decidiram providenciar uma casinha para Bobby. 

Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério
Foto: Juan Thomes

O coveiro Cisterna contou que a família do antigo tutor tentou algumas vezes levá-lo do cemitério. “Eles o procuraram, mas Bobby não mudou de ideia. Certa vez, um parente o levou embora de caminhão, mas ele encontrou o caminho de volta”. 

Bobby tem uma madrinha, chamada Adriana Carrasco. Ela leva comida para o cachorro todas as semanas e, quando ele sente algum desconforto, é encaminhado por ela ao veterinário – ele inclusive foi castrado, para não se envolver em brigas com outros animais. Cisterna é o contato com Adriana, caso Bobby tenha alguma necessidade. 

Bobby, o cachorro que conforta as pessoas no cemitério
Foto: Juan Thomes

Adriana é professora e defensora dos animais. Além de Bobby, auxiliada pelos irmãos, as filhas e o marido, Adriana cuida de algumas dezenas de cães de rua de General Roca, especialmente nas imediações do cemitério. 

A professora começou a tratar dos animais de rua em 2008, quando a mãe morreu e foi sepultada no local. Adriana ficou sensibilizada com o número de animais que viviam no local. Bobby, no entanto, é o único que dá atenção às pessoas de luto.

A história de Bobby ficou conhecida e tornou-se popular na Província de Rio Negro e em outras regiões da Argentina – uma espécie de lenda urbana. Muitas pessoas se interessaram em adotar o cachorro, para que ele tivesse um lar. 

Cisterna e Adriana garantem, no entanto, que Bobby está no cemitério por vontade própria – e não lhe falta carinho, comida e atendimento médico, sempre que há necessidade. Nas palavras dos tutores improvisados, “ele está bem aqui”.