Bombeiros se arriscam para salvar cachorro de afogamento

O cachorro caiu sem querer nas águas geladas do lago Michigan. Os bombeiros locais o salvaram.

Era apenas mais uma manhã tranquila no Olive Park, às margens do lago Michigan, em Chicago (Illinois, norte dos EUA). O local é muito procurado por caminhantes, ciclistas, corredores e tutores de cachorros, como Pepper, um klee kai do Alasca de sete anos.

Pepper conseguiu escapar da coleira, afastou-se da tutora e correu sobre as águas congeladas do lago. Naquela manhã fria de inverno, o passeio matinal rapidamente se transformou em uma emergência. Felizmente, um destacamento dos Bombeiros estava nas imediações.

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O salvamento

Pepper ficou preso em um pedaço de gelo que se destacou e estava à deriva, afastando-se em direção ao píer da Marinha, em águas abertas do lago Michigan. O klee kai ainda tentou escalar as rochas para retornar à segurança, mas a cobertura de gelo foi se fragmentando cada vez mais.

O salvamento era urgente: em poucos minutos, Pepper entraria em hipotermia – o cachorro estava sofrendo grave risco de morrer. A tutora acionou, cujo nome não foi revelado, os bombeiros. Por sorte, um grupo de soldados estava perto do lago, em um treinamento de mergulhos subaquáticos.

Um contingente de 40 bombeiros chegou ao local do acidente em dez minutos, prontos para resgatar Pepper. De acordo com os protocolos do Corpo de Bombeiros de Chicago, o procedimento padrão nestas ocorrências exige um grande número de especialistas.

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Jason Lach, vice-chefe do distrito de bombeiros explicou que a equipe deve ser formada por mergulhadores, um esquadrão policial, o chefe do batalhão e um oficial de campo, além de ambulâncias, viaturas dos bombeiros e um helicóptero.

A equipe de localização aérea avistou Pepper boiando em um pedaço de gelo distante cerca de 150 metros da margem. Os ventos estavam afastando o cachorro, que estava muito assustado, mas mostrava-se amigável, de acordo com Lach. Enquanto isso, a tutora, muito emocionada, não parava de chorar.

Chris Iverson e Emerson Branch, dois bombeiros veteranos, foram destacados para o salvamento. Enquanto os oficiais vestiam os trajes de mergulho, a equipe amarrou linhas-guia e posicionou duas escadas de 4,5 metros, em um declive suave, para que Iverson e Branch pudessem deslizar em direção ao cachorro.

Iverson conseguiu alcançar Pepper em menos de cinco minutos, mas o cachorro, apavorado, ficou agitado, começou a rosnar e acabou escorregando do pedaço de gelo, imergindo na água gelada. O bombeiro, então, usou um bastão com laço e conseguiu render o klee kai.

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Enquanto isso, Branch, orientado pela equipe aérea, deslocou-se até o local, com uma boia inflável, conhecida nos EUA como “rescue banana” (banana de resgate). O mergulhador e o cachorro foram rapidamente embarcados.

Com Pepper finalmente a salvo, os bombeiros retornaram à margem. No total, a operação de salvamento durou apenas 15 minutos. O cachorro foi envolvido em uma manta térmica e os oficiais formaram uma corrente humana sobre as rochas para levar o klee kai até o ponto em que a tutora esperava o peludo ansiosamente.

Iverson e Branch estavam cobertos por gelo, mas os dois bombeiros concluíram ilesos o resgate de Pepper. Lach informou à imprensa que, em 2021, a Unidade de Resgate Aéreo e Marítimo recebeu mais de 60 ligações telefônicas pedindo ajuda para emergências no lago Michigan e cursos d’água (lagoas, riachos, córregos e rios) que desembocam nele, entre Evanston e Indiana, duas cidades distantes mais de 320 km uma da outra.

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O grande perigo é que muitas pessoas acreditam que caminhar sobre o gelo formado nos Grandes Lagos é uma atividade segura. Mas o oficial explicou que os ventos fortes de nordeste tornam a cobertura bastante frágil, que pode se romper até mesmo com a queda de um galho de árvore.

Para Pepper, foi apenas um susto. O cachorro mostrou-se amistoso e já tinha esquecido a “aventura” por que passou antes mesmo de secar o pelo. Ele se aconchegou à tutora por alguns instantes e logo mostrou toda a vivacidade.

Por precaução, o klee kai foi levado ao veterinário. Um banho de água gelada de 15 minutos sempre inspira cuidados, especialmente considerando-se que o cachorro permaneceu quase congelado e já é um senhor, de sete anos de idade.

O klee kai

Para quem ficou curioso, o klee kai do Alasca é uma raça do tipo spitz – é o grupo 5 da Federação Cinológica Internacional (FCI), que reúne os animais do tipo nórdico, como malamutes do Alasca e huskies siberianos.

Os spitz são considerados “primitivos”, isto é, estão mais próximos das características dos lobos, como o pelo farto e o focinho longo. Nem todos são animais de grande porte: o lulu da Pomerânia, por exemplo, também faz parte do grupo.

O klee kai foi desenvolvido nos EUA, entre os anos 1970 e 1980, para ser um cão de companhia. A raça ainda não é reconhecida pela FCI (nem pela Confederação Brasileira de Cinologia – CBKC). Os cães da raça são muito parecidos com o husky siberiano, mas com dimensões bem menores.

Apenas os cães com capa escura são reconhecidos pelo United Kennel Club (UKC). Os animais totalmente brancos recebem registro, mas ainda não participam de competições oficiais. O American Kennel Club (AKC) registra cães de três tamanhos: toy, miniatura e standard.

Um klee kai mede, na altura da cernelha, entre 33 cm e 45 cm. O peso fica entre 6 kg e 12 kg.

Pepper, como todos os klee kais, é um cachorro ativo, rápido e ágil. É um excelente cão de guarda, pois é muito reservado com estranhos – como ele demonstrou quando os resgatadores se aproximaram.

É também um bom cão de guarda. Pode conviver com crianças, desde que haja supervisão de um adulto. O klee kai é muito inteligente e cheio de energia, mas, por enquanto, não é possível encontrar cães da raça no Brasil.

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