Cachorra idosa e doente esperava o fim dos dias em um lixão, mas agora sorri feliz

Esta cachorra idosa e doente perdeu todas as esperanças. Ela apenas esperava o fim de sua vida.

“Talvez a morte seja menos dolorosa do que esta vida”. Provavelmente, este era o pensamento desta cachorra, que pareceu ter desistido de tudo. Quase sem forças e muito doente, ela se refugiou em um aterro sanitário e estava contando os dias.

Cachorros idosos e portadores de deficiências e doenças raramente encontram lares adotivos. Os candidatos a tutores dão preferência a animais idosos, saudáveis e resistentes. Não são raros, inclusive, os casos de abandono simplesmente porque os peludos se tornaram “imprestáveis”, no conceito dos irresponsáveis.

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Alguém se compadeceu da situação da cachorra e construiu uma casinha para ela no aterro, com plástico e outros materiais descartados. A peluda foi inteligente o suficiente para entender que se tratava de um abrigo e instalou-se ali, onde mais tarde foi encontrada pelos socorristas.

Uma nova chance

A situação desta cachorra era realmente deprimente. Faminta, ela mostrava as costelas expostas no peito. Os dentes que ainda restavam estavam apodrecendo na boca, o corpo inteiro estava recoberto de ferimentos e escoriações.

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A pelagem, se algum dia foi bonita e saudável, mostrava-se seca, com muitas falhas causadas por alergias e dermatites. Mas um grupo resolveu conceder uma nova oportunidade. Este episódio ocorreu em Valência, cidade espanhola às margens do mar Mediterrâneo.

Uma equipe do Let’s Adopt International, ONG comandada por Victor Lakhill, encontrou a cachorra doente e idosa deitada em um monte de lixão em um aterro sanitário da cidade. A primeira providência foi dar água e algum alimento para o animal, que recebeu o nome de Maya.

Victor Lakhill havia recebido uma notificação: um cachorro de grande porte estava abandonado no aterro sanitário de Valência. O animal não interagia com os demais cães que procuravam comida no lixão, nem se mostrou receptivo às tentativas de alguns moradores de atraí-lo.

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Uma curiosidade: na mitologia greco-romana, Maya é uma das plêiades, transformada em estrela por Zeus para escapar da perseguição do caçador Órion. Maya tornou-se a deusa da fecundidade, personificando o renascimento da primavera.

Depois da refeição – a primeira em meses –, Maya foi levada ao veterinário. A cachorra estava seriamente desnutrida e com anemia. Além disso, ela estava infectada pelas bactérias causadoras de erliquiose e anaplasmose, duas doenças transmitidas por carrapatos raras no Brasil, mas relativamente comuns na Europa.

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As duas infecções inicialmente causam dores musculares e de cabeça, apatia, falta de apetite e desinteresse pelas atividades preferidas. Sem um diagnóstico precoce, elas interferem nas funções das células sanguíneas e, em caso de negligência extrema – como foi o caso de Maya –, prejudicam a oxigenação das células e comprometem órgãos e sistemas.

Maya também sofria de mastite, uma séria inflamação das mamas que afeta cadelas em idade reprodutiva, podendo inclusive levar à esterilidade. Se não for tratada, a mastite torna-se crônica e caracteriza-se por um estado doloroso permanente.

A cachorra também estava com uma grave inflamação nas fossas lacrimais, que determinava o extravasamento contínuo das lágrimas. Este pranto incontido de Maya contribuía para conferir o aspecto triste e desalentado que ela exibia. O cenário era desolador e a cachorra parecia não conseguir conter o choro.

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A recuperação

Apesar das péssimas condições em que foi encontrada, Maya começou a dar sinais de recuperação logo nos primeiros dias depois de ter sido abrigada no canil da Let’s Adopt. Alimentada e medicada, a cachorra voltou a brincar e a se interessar por tudo que acontecia ao seu redor.

Havia, no entanto, um longo caminho a ser percorrido. Os voluntários do canil sabiam que não podiam alimentar grandes esperanças, em função das múltiplas deficiências apresentadas por Maya. Era preciso dar tempo ao tempo, mas ninguém poderia precisar de quanto tempo a cachorra ainda dispunha.

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A história de Maya não é conhecida, mas é provável que ela tenha tido uma longa vida sem o apoio de uma família humana. Quando era jovem, ela conseguia alimentar-se e abrigar-se – também é possível que tenha dado à luz algumas ninhadas. Com a velhice, no entanto, todo o organismo estava prejudicado.

A cachorra continuou revelando boas respostas ao tratamento com medicamentos, cuidados intensivos, exercícios físicos e uma boa dose de atenção. Maya recuperou a saúde, apesar de ser uma cachorra anciã, com os problemas decorrentes da idade.

É pouco provável que alguém se disponha a adotar Maya, apesar de ser uma cachorra brincalhona, leal, divertida, afetuosa e muito carinhosa. Mesmo assim, ela conquistou um lugar cativo no abrigo, onde é cercada de cuidados e mimos. Ela vai desfrutar um final de vida digna, como todos os seres merecem.

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