Filhotes São Resgatados de Saco Abandonado em Praça de Votorantim (SP)

Cena de Abandono Choca Moradores em Votorantim

Uma caminhada noturna que poderia ser rotineira se transformou em um ato de resgate inesquecível. Na última sexta-feira, na Praça Lecy de Campos, em Votorantim, no interior de São Paulo, cinco filhotes de cachorro foram encontrados dentro de um saco plástico fechado e amarrado, abandonados à beira da rua, sem comida, sem abrigo e sem qualquer chance de sobrevivência caso não fossem encontrados a tempo.

Filhotes São Resgatados de Saco Abandonado em Praça de Votorantim (SP)
Foto: Luciane Fiuza/Arquivo pessoal

Quem os salvou foi a gerente comercial Luciane Fiuza, de 48 anos, moradora de Sorocaba que trabalha na cidade. Ela caminhava ao lado do marido e de seus próprios cães quando avistou o pacote suspeito do outro lado da rua. O casal atravessou imediatamente para verificar — e o que encontraram dentro confirmou o pior: dois machos e três fêmeas, recém-nascidos, amontoados no plástico sem nenhuma proteção.

Não Foi a Primeira Vez — E Pode Não Ser a Última

O que torna o episódio ainda mais alarmante é o histórico do local. Para Luciane, aquele não era um caso isolado. Segundo o G1, a moradora relatou que este foi o terceiro resgate que realizou na mesma região em menos de um ano — o primeiro aconteceu em abril do ano anterior, o segundo em janeiro, e agora este, todos seguindo o mesmo padrão: ninhadas abandonadas, no mesmo ponto, da mesma forma.

Um Padrão que Aponta para um Responsável

“Não pode ser coincidência. Deve ser a mesma pessoa. Meu marido fica revoltado”, afirmou Luciane, indignada com a repetição dos casos. A suspeita de que um único responsável esteja por trás dos três episódios levanta questões sérias sobre fiscalização, denúncias e a ausência de punição efetiva para quem pratica maus-tratos e abandono animal — crime previsto na legislação brasileira.

Da Rua para um Lar: O Caminho da Adoção Responsável

Luciane não se limitou ao resgate. Levou os cinco filhotes para casa, deu banho, ofereceu alimentação adequada e acionou uma rede de apoio composta por ONGs e ativistas da causa animal para encontrar famílias dispostas a adotá-los de forma responsável. A resposta foi rápida: as três fêmeas foram adotadas no sábado seguinte, e os dois machos encontraram um lar durante a Feira da Lua de Votorantim, na terça-feira.

A Pergunta que Fica

Para quem acompanha casos como esse, a história de Luciane pode sugerir a melhor abordagem diante do abandono animal: agir, mobilizar e não silenciar. Mas ela mesma reconhece a dificuldade de compreender tamanha crueldade.

“Até me emociono. Fico pensando: como alguém consegue colocar eles num saco como se fossem nada? São vidas que dependem da gente. Essa pessoa não tem amor nem por ela mesma”, desabafou a gerente.

Solidariedade Como Antídoto para a Indiferença

Casos como o de Votorantim expõem uma ferida social que vai além do amor aos animais: revelam a urgência de uma cultura de responsabilidade, denúncia e empatia. Enquanto autoridades não avançam na identificação e punição de quem abandona animais sistematicamente, são cidadãos como Luciane que suprem a lacuna — com tempo, recursos próprios e sensibilidade.

O episódio serve de alerta e, ao mesmo tempo, de exemplo. Resgatar, cuidar e promover a adoção responsável pode sugerir a melhor forma de enfrentar o abandono animal onde quer que ele ocorra — nas praças, nas ruas e, sobretudo, na consciência coletiva.

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