03 histórias de cães de rua resgatados que tiveram um final feliz

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Conheça algumas histórias de cães de rua que foram adotados e ganharam um final feliz. 

As histórias de animais abandonados nem sempre têm um final feliz. Apresentamos a seguir alguns casos de cães que viviam nas ruas, foram adotados por pessoas responsáveis e conquistaram uma segunda chance na vida. 

Estas histórias aquecem o coração e estimulam a adoção. Vale lembrar que não existem “cães de rua”: eles são animais que foram abandonados por tutores negligentes, ou que já nasceram sem teto porque os pais não foram esterilizados. Mas lugar de cachorro é em casa, com carinho, segurança, agasalho e saúde. 

Por um lado, os humanos abrem as portas de seus lares, oferecem alimento, abrigo, brinquedos, passeios e assistência médica. Por outro, os cães oferecem fidelidade absoluta, amizade, lealdade, companheirismo e muitas brincadeiras. 

Avelar 

Avelar é o melhor amigo de Helena. Ele foi acolhido por Stella Petrovitz Barreto, depois de ter sido encontrado atropelado na rua – felizmente, ele não teve ferimentos graves. Stella é mãe de Helena, uma menina diagnosticada com o transtorno do espectro autista. 

03 histórias de cães de rua resgatados que tiveram um final feliz

A ideia inicial de Stella não era receber um novo membro na família. Ela pretendia apenas oferecer um lar temporário para o cachorro se restabelecer. Em seguida, ele seria encaminhado para um abrigo – e ficaria na fila de espera a adoção. 

Mas Helena e Avelar construíram uma relação extremamente sólida. Vale lembrar que os autistas apresentam dificuldades na interação social e não conseguem estabelecer laços sólidos de amizade. Mas a história com o cachorro foi diferente. 

Menos de uma semana depois da chegada de Avelar, os pais começaram a notar diferenças no comportamento de Helena, que tinha apenas dois anos na época. Brincando com o cachorro, a menina começou a estabelecer elos mais sólidos – inclusive com a família humana. 

A mãe afirma que a menina tinha dificuldades de expressão e evitar contatos físicos. Convivendo com Avelar, Helena começou a se mostrar mais carinhosa com a família – inclusive com os outros cachorros da casa. A garotinha vive conversando com o peludo e “Avelar” foi uma das primeiras palavras que Helena aprendeu a pronunciar corretamente. 

Helena chegou a “mamar” no corpinho do cachorro. Ele não reclamava, nem rosnava. Nos momentos de crise, Avelar não sai do lado da companheira. “Ela está evoluindo cada vez mais”, diz a mãe, que não se importa de dividir o apartamento com mais três cachorros. “Foi um encontro de almas”, completa Stella. 

Com o tempo, Avelar tornou-se um membro da família. Stella nem pensa na possibilidade de doá-lo ou perdê-lo. Helena, hoje com quatro anos, continua estabelecendo relações mais sólidas e o cachorro é o centro das atenções – e dos afagos – da menina e da mãe. 

Muriel 

Cães e gatos são antídotos para a tristeza e a solidão. É impossível conviver com um deles e continuar se sentindo sozinho. Diversos cachorros são adestrados como “terapeutas”, para acompanhar pacientes internados em hospitais, além de idosos de que vivem em asilos e crianças em orfanatos. 

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Muriel é uma cadelinha que comprova a regra. Marina Benetti passou por diversos especialistas até obter o diagnóstico definitivo: ela sofria de depressão. Ao contrário do que pensa o senso comum, a depressão não é causada por tédio, desilusões sentimentais, nem “falta de Deus”, como dizem algumas pessoas. 

Trata-se de uma doença causada pela deficiência na produção de neurotransmissores, que se reflete nas reações emocionais. A depressão ainda não tem cura, mas os portadores podem ser tratados com medicamentos, acompanhamento psicológico e exercícios. A presença de um cão pode ser um diferencial. 

Este é o caso de Muriel, uma cachorrinha sofrida e cheia de traumas colecionados durante a vida nas ruas. Além disso, ela já havia sido adotada e devolvida várias vezes ao abrigo, por “falta de adaptação”. Mas Marina pôde observar os benefícios do relacionamento em muito pouco tempo. 

03 histórias de cães de rua resgatados que tiveram um final feliz

Muriel é muito medrosa – e não sem motivos. O abrigo que a acolheu constatou que ela tem muitos dentes quebrados em função da violência com que era tratada pelo primeiro tutor. De acordo com Marina, “Muriel tem medo até de mosquito”. 

A jovem conta que a cachorra chegou na sua vida em um momento muito difícil para as duas. Mas ela sentia que uma tinha que cuidar da outra: “Mesmo estando muito mal, eu sabia que precisava me levantar da cama para cuidar dela, para sair para passear. Ela adora comer e eu penso que preciso preparar a comida, até porque eu mesma preciso me alimentar”. 

Muriel e Marina estão juntas há quase três anos. Desde o primeiro encontro, a cachorra tem sido fundamental no processo de superação da doença. Muriel ainda é tímida e tem medo de sair na rua, mas a tutora garante: “todos os dias, a gente luta para avançar um pouco mais”. 

Picasso 

Esta história aconteceu nos EUA. Picasso nasceu em um canil ilegal, entre os muitos que obrigam cães machos e fêmeas a acasalarem e terem diversas ninhadas a cada ano. O cachorrinho nasceu com uma deformidade no focinho – os irmãos rapidamente foram negociados, mas Picasso não encontrou um pretendente. 

03 histórias de cães de rua resgatados que tiveram um final feliz

O filhote estava crescendo e, como não apareciam tutores interessados, o canil decidiu sacrificá-lo. Então, Liesl Wilhardt, fundadora do Luvable Pet Rescue (Eugene, Oregon), decidiu assumir o cãozinho. Hoje, ele vive com a tutora e nove irmãos também adotados. 

O cachorro foi abandonado com um irmão em um centro de animais em Porterville (Califórnia), no final de 2016. Foi lá que eles receberam os nomes de “Pablo” e “Picasso”, uma referência aos rostos desproporcionais criados pelo artista espanhol. 

Liesl entrou em contato com o centro de animais justamente nessa época. Ela estava interessada em animais com algum tipo de problema ou deficiência físico. Ao tomar conhecimento de Picasso, ela foi até o abrigo – Pablo já havia sido sacrificado. 

Além de ganhar uma família, Picasso foi adestrado para ajudar outras pessoas que sofrem com o preconceito por serem portadoras de algum tipo de deficiência física. A tutora afirma que o cachorro é “perfeitamente imperfeito”. 

Atualmente, Picasso é o garoto-propaganda do abrigo mantido por Liesl. O cachorro é um dos muitos animais que nascem com deficiências, porque a “moda” é ter cachorros pequenos – os pocket dogs. Picasso é mestiço de lulu da Pomerânia, chihuahua e pitbull. Os cruzamentos foram feitos na tentativa de obter cães com a aparência do pitbull, mas de porte muito pequeno. 

O abandono no Brasil 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, vivem abandonados nas ruas brasileiras 30 milhões de animais – 20 milhões de cachorros e dez milhões de gatos. Os cães são os melhores amigos dos humanos, mas pelo menos muitos destes definitivamente não são os melhores amigos dos peludos. 

Nas pequenas e grandes cidades do país, há um cachorro para cada quatro ou cinco humanos. E dez por cento desses peludos não tem residência fixa. Muitos abrigos e até indivíduos procuram amenizar o problema, que não é apenas humanitário, mas também de saúde pública. 

Moral da história 

Nós tiramos os cachorros da natureza. Antes da parceria de sucesso entre humanos e caninos, eles viviam em bandos numerosos, caçavam, organizavam acampamentos para se proteger, defendiam-se dos predadores. 

Nas ruas das cidades, os cães não têm segurança. Eles ficam expostos a acidentes e brigas, além de não poderem se proteger do frio, da chuva ou do sol. Alguns se tornam agressivos e criam um problema para todos os moradores – inclusive os humanos. 

Outros se tornam vetores de doenças que podem ser transmitidas para os animais de estimação e também para os humanos, como a raiva, sarna, leptospirose, toxoplasmose e bicho geográfico. É fundamental que sejamos responsáveis pelos animais que retiramos da natureza, para o nosso proveito. A adoção é o melhor final feliz para os cães e gatos de rua.