Meu cachorro não quer comer ração: o que fazer?

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Alguns cachorros enjoam, mas existem outros motivos para não comer ração. Veja o que fazer quando seu cachorro não quer comer ração.

Uma situação que sempre preocupa os tutores é a falta de apetite. “Meu cachorro não quer comer, o que eu faço?” é uma dúvida frequente em consultórios veterinários. Verificamos as causas mais comuns e as maneiras mais simples de contornar a situação.

Quando se trata de alimentação, alguns cães são mais seletivos do que outros. Eles escolhem – ou rejeitam – a ração e outros alimentos em função de motivos diversos, tais como o sabor, o aroma e a textura, por exemplo.

Nesses casos, é necessário identificar as preferências pessoais para que o cachorro volte a comer a ração. A maioria dos peludos, no entanto, não é tão exigente, mas pode ser condicionada a não comer ração, principalmente em função de “erros de abordagem” por parte dos tutores.

O aspecto da ração

A maioria dos peludos não faz distinção entre sabores; portanto, a escolha entre a ração de carne e legumes ou frango e ervas é uma tarefa dos tutores. Os cachorros têm até cinco vezes menos papilas gustativas na boca. Por isso, o gosto do alimento não é determinante.

Por outro lado, a textura e o aroma interferem bastante nas opções caninas. Um cachorro pode não comer ração porque a comida está velha, ou porque o pote foi deixado aberto. Os grãos estão amolecidos e/ou perderam o cheiro (mesmo que os nossos sentidos não percebam a diferença).

Os cães identificam os produtos comestíveis principalmente pelo cheiro, já que o olfato é o sentido mais apurado. Por questões evolutivas, eles rejeitam alimentos “passados” – carne em decomposição não tem o mesmo odor da carne fresca, que é a preferência da espécie.

Os cachorros se desenvolveram devorando as presas quase imediatamente depois do abate – no máximo, os animais subordinados do grupo comem alguns minutos depois que os dominantes se servem, já que eles têm a primazia da escolha.

Meu cachorro não quer comer ração: o que fazer?

As hienas, por exemplo, que são parentes muito próximos dos cães, desenvolveram outra estratégia de sobrevivência: elas acompanham predadores mais fortes e comem os restos das carcaças abatidas pelos grandões. Mas cachorros e lobos dificilmente reproduzem esta conduta – a não ser em casos de fome muito aguda.

Por isso, mesmo os nossos cães, que nunca caçaram nada e não fazem ideia do que seja uma estratégia de captura, continuam selecionando a comida de acordo com o aspecto: o cheiro deve ser característico.

Por outro lado, a aparência não é importante para os peludos. Rações com grãos coloridos (ou em forma de estrelas, ossinhos, etc.) não alteram a percepção. Os formatos e cores diferentes seduzem apenas os tutores, que podem se interessar pelo produto.

As rações coloridas artificialmente, aliás, devem ser evitadas. Grãos vermelhos e verdes são tingidos com substâncias químicas que muitas vezes são prejudiciais à saúde. Na melhor das hipóteses, elas não agregam nenhum benefício. E também não são mais atraentes.

O que fazer?

Como se pode ver, as rações velhas ou conservadas de maneira inadequada são solenemente rejeitadas pelos cachorros. Os produtos podem manter a composição nutricional e não serem prejudiciais, mas, para os cachorros, eles são diferentes demais.

Muito mole, esfarelada ou sem o cheiro característico, a ração não será aceita pelos peludos. É uma questão de preservação, mas também de hábito. Nós também rejeitamos uma salada murcha e um molho talhado, mesmo que as vitaminas e sais minerais continuem presentes no prato.

A maioria dos veterinários afirma que os cachorros não são muito exigentes no que se refere ao sabor. Ao rejeitarem a comida, eles podem estar sinalizando outros motivos para os tutores. Quase nunca se trata de terem enjoado do gosto da ração.

Os motivos para a rejeição da ração

Na maioria das vezes em que o cachorro não quer comer a ração, os tutores entendem que eles “enjoaram” e decidem trocar o produto ou o sabor. Isso quase sempre funciona, mas não pelos motivos imaginados: os cachorros apenas identificam a novidade e decidem experimentá-la.

Eles fariam o mesmo se a “velha ração” tivesse sido umedecida ou misturada a um alimento novo. Portanto, se a tigela está ficando cheia, talvez seja o caso de misturar uma novidade no prato. A maioria dos cães gosta muito de ovos misturados aos grãos. Iogurte e molhos de carne ou legumes também costumam ser bem aceitos.

Mas, antes de se perguntar por que o cachorro não quer comer a ração, talvez seja o caso de pesquisar um pouco mais. Talvez o pet simplesmente não esteja com fome, ou esteja sentindo algum desconforto.

Os cachorros podem ficar até dois dias inteiros sem se aproximar do alimento. Mais do que isso, o tutor deve começar a desconfiar de algum problema de saúde. É importante verificar se o pet mudou outros hábitos: está mais agitado ou apático, mais sonolento, exibe sinais de dor ou desconforto.

De qualquer forma, jejuns prolongados podem prejudicar a saúde dos cães. A partir de 12 horas em tomar nenhum alimento, aumenta ao risco de hipoglicemia (queda da taxa de açúcar no sangue), que pode ser acompanhada por enjoos, tonturas e apatia.

Tutores domesticados

A principal razão para um cachorro não querer comer a ração é o “excesso de mimo”. O animal ganha um petisco todas as vezes em que um membro da família decide comer alguma coisa. Com o tempo, ele se acostuma com os lanchinhos fora de hora e passa a rejeitar as refeições principais.

Cães não precisam de prêmios o tempo todo. Petiscos podem ser usados durante o adestramento, mas os tutores precisam saber que os peludos fazem as coisas que ensinamos principalmente porque querem nos agradar, não pelas recompensas físicas (aliás, eles preferem carinhos e palavras de incentivo).

Eles também não precisam de um pedaço do nosso sanduíche, da massa da pizza que está sobrando no canto do prato, da pipoca preparada para a sessão de cinema no sofá. Vale dizer, mesmo assim, que não é crime oferecer algumas pipocas (com pouco sal e óleo) ou um pedaço do lanche, dependendo do recheio e da cobertura.

A hora e o tempo

Os cachorros comem menos quando as atividades físicas são reduzidas. Se eles estão acostumados a brincar por duas ou três horas diárias e, por um motivo qualquer, não foi possível exercitá-lo, eles naturalmente reduzirão a ingestão de alimento.

A função dos alimentos, para os cachorros, é basicamente fornecer nutrientes, água e energia para o organismo. Eles também gostam de um petisco em ocasiões especiais, mas, na maior parte do tempo, eles apenas comem para viver – e não o contrário.

Em um dia muito frio (desde que estejam agasalhados) ou muito quente (desde que estejam hidratados), a necessidade de alimento é reduzida drasticamente. Nesses dias, eles poderão ficar embaixo das cobertas ou esticados em um piso frio, movimentando-se o mínimo possível.

Se o frio for muito forte, eles poderão comer mais, porque consumirão energia para aquecer o corpo. Em geral, porém, especialmente porque os cachorros permanecem dentro de casa, agasalhados e protegidos, o inverno brasileiro não oferece muitas oportunidades deste tipo.

Um motivo muito comum que leva os cachorros a recusar a ração é a oferta permanente de alimento. Alguns tutores chegam a comprar comedouros com reserva, para que os cães não fiquem sem alimento.

Estes utensílios são indicados para ausências prolongadas. Em uma viagem de fim de semana, por exemplo, eles podem ser usados para que o cão não fique sem comida. No dia a dia, porém, o “excesso de oferta” pode levar à recusa.

O ideal é acostumar o cão desde filhote a ter horários para as refeições. A ração pode ser servida de manhã e à noite, por exemplo, de acordo com a rotina da casa. Se o cão já se acostumou a comer quando tem vontade, basta retirar a tigela alguns minutos depois que a refeição foi servida: em alguns dias, ele entenderá as novas regras e horários.

Outros motivos para o cachorro não querer ração

O cachorro pode recusar a ração por razões diferentes. É o caso, por exemplo, do local em que a tigela do alimento é mantida. A maioria dos tutores desencoraja as atitudes agressivas dos cães quando eles estão comendo – e esta é a atitude correta a ser tomada.

Porém, como eles são educados a não exibir territorialidade quando estão comendo (um cachorro ajustado e equilibrado deve permitir que o tutor mexa na tigela a qualquer momento), é possível que o “refeitório” seja muito estressante.

É o caso, por exemplo, de servir a ração em uma passagem – a porta da cozinha, por exemplo. O movimento constante de pessoas pode fazer o cachorro simplesmente desistir de se alimentar.

Portanto, escolha um local tranquilo, em que ele possa alimentar-se no ritmo próprio. Quase sempre, os cachorros devoram o alimento oferecido, mas alguns animais gostam de ter um tempinho para namorar o prato antes de comer.

Às vezes, o cão não se alimenta por motivos bem mais simples: a tigela é funda demais para os pequenos alcançarem a comida, ou estão colocadas muito abaixo da altura dos grandões, tornando a tarefa de comer difícil e incômoda.

Em outras situações, os cachorros precisam “perseguir” a tigela. Alguns produtos são muito leves e frágeis (ideais para cães de pequeno porte), mas acabam sendo arrastados quando um cão médio ou grande tenta alcançar a comida. O desconforto pode levar o cachorro a concluir que é mais prático não se alimentar. Pelo menos, por algumas horas ou dias.

O cachorro também pode recusar a ração por se sentir entediado. Os animais que passam muito tempo sozinhos precisam ter algum tipo de estímulo, para que possam se distrair. Do contrário, eles se sentirão ansiosos, estressados e até deprimidos. Cães são animais gregários e precisam da companhia da “matilha” para manterem o equilíbrio emocional.

Uma janela com vista para a rua, uma TV ou rádio programada para ligar por alguns minutos durante a ausência dos tutores, brinquedos novos, objetos com o cheiro dos tutores, são opções que mantêm o cachorro entretido enquanto fica sozinho.