Padre brasileiro permite que cachorros de rua participem da missa para ajudá-los a encontrar um lar

O objetivo deste padre é incentivar a adoção de cães de rua, que são acolhidos na igreja.

Igrejas são locais para meditações e manifestações de fé. Um belo gesto cristão vem sendo apresentado por um padre brasileiro: ele não apenas permite que cães de rua entrem na igreja – inclusive durante as missas – mas também incentiva os fiéis à adoção responsável dos peludos.

A ideia do padre é simples: permitir que os cachorros circulem livremente e sejam observados pelos frequentadores. Em algum momento, talvez por inspiração divina, mas certamente por sentimentos humanos, um dos peludos é finalmente acolhido por uma família de Gravatá.

Uma igreja, muitos cachorros

Os cachorros ficam espalhados pela nave da igreja, entre os bancos e até mesmo nos degraus de acesso ao altar principal, onde as missas são oficiadas. Não há nenhum registro de que os animais tenham, até o momento, molestado fiéis e visitantes do templo católico.

Eles apenas parecem aliviados por ter encontrado um porto seguro. Entre sonecas e interações tímidas com os frequentadores da igreja, os cachorros de rua apenas esperam a boa vontade de alguém que queira levar um deles para casa.

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À noite, os cães são recolhidos na sacristia, que dá acesso para a rua e para alguns canteiros. Os animais são alimentados com doações específicas – a maioria, em forma de rações e outros alimentos específicos.

Um ditado antigo diz que “o cachorro entra na igreja porque encontra a porta aberta”. Os templos religiosos são, por definição, locais de acolhida. Esta paróquia está se tornando um bom exemplo de demonstração do amor ao próximo, um dos principais mandamentos católicos – mesmo que este próximo seja um cachorro.

Sucesso internacional

A iniciativa mereceu a atenção inclusive da Netflix. A história do padre que acolhe cachorros tornou-se um dos episódios da segunda temporada da série “Apenas Cães”. Entre as quatro narrativas, apenas a história de Gravatá tem o Brasil como cenário.

O seriado está em sua terceira temporada atualmente, mas todos os episódios continuam disponíveis no streaming. “Apenas Cães” tem como objetivo relatar histórias comoventes que mostram os laços profundos estabelecidos entre os cachorros e seus tutores.

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Momento do episódio em que padre João Paulo apresenta Bianca, uma vira-lata dócil, à igreja – FOTO: REPRODUÇÃO/NETFLIX

A narração da história de Gravatá colocou a cidade sob os holofotes dos telespectadores e demonstrou a importância da adoção de algumas atividades objetivas para superar a questão dos cães abandonados em todos os seus aspectos.

O padre afirmou, em entrevistas, ter aceitado participar da produção de “Apenas Cães” justamente para dar visibilidade aos peludos que perambulam nas ruas. O depoimento também é emocionante:

“Às vezes, parece que eu sou o salvador da pátria, mas não é isso. Só consigo resgatar e socorrer alguns cachorros. Conheço gente que tem 20 ou 30 animais, que são alimentados e bem cuidados.”

O sacerdote continua:

“Quando aceitei participar do documentário, foi para dar visibilidade para essas pessoas, que são os verdadeiros heróis. Meu trabalho é mudar a mentalidade das pessoas. Muitas dizem que achavam os cachorros invisíveis, mas que agora os veem.”

Um gesto de fé e solidariedade

Provavelmente, os cachorros não procuram esta igreja em busca de uma solução sobrenatural para a sua situação de abandono, mas muitos deles estão conseguindo obter verdadeiros milagres: casas seguras e confortáveis, tutores responsáveis e amorosos.

Esta é a proposta do padre João Paulo Araújo, de 52 anos, que está à frente da Paróquia de Santana de Gravatá, cidade pernambucana de 85 mil habitantes distante 85 km de Recife, em pleno Agreste, entre a Zona da Mata e o sertão nordestino.

Acolhimento e adoção

O sacerdote assumiu uma atitude generosa, gentil e inspiradora. Ele abriu as portas da igreja para acolher os cães de rua da cidade, que, de alguma forma, parecem acompanhar atentamente os serviços religiosos. Misturados aos fiéis, muitos peludos já conquistaram uma casa e uma família, graças à iniciativa do padre João Paulo.

Os cães proporcionam amor incondicional, apoio nas tarefas cotidianas, brincadeiras, risadas e lembranças preciosas para todas as famílias, sejam elas devotas ou não. O gesto mais nobre dos humanos é a solidariedade – e os cachorros são uma maneira fácil de cultivar esta virtude tão importante.

Não há estatísticas sobre a situação em Gravatá, mas, na capital pernambucana, estima-se que 100 mil cachorros vivem nas ruas, em situação de insegurança e abandono. Além das dificuldades decorrentes desta condição, eles também adoecem e podem inclusive transmitir algumas destas doenças para os humanos.

No país, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que haja quase 200 mil cães e gatos recolhidos em abrigos oficiais ou mantidos por organizações não governamentais – apenas 18% estão na região Nordeste.

O número aumenta dia a dia e parece estar sempre estacionado nos mesmos patamares. A cada ano, as campanhas de adoção conseguem alocar quase 200 mil animais de estimação em novos lares adotivos, mas cerca de 175,5 mil novos pets são abandonados nas ruas brasileiras todos os anos.

A iniciativa do padre João Paulo está obtendo resultados significativos para a cidade: em Gravatá, quase já não é mais possível encontrar cachorros perambulando pelas ruas da cidade. Ao contrário: um número cada vez maior de famílias vem contando com fiéis escudeiros para a guarda e a companhia.

Soluções simples e práticas, como a adotada pela Igreja de Santana, sempre alcançam os melhores resultados, além de inspirar outras comunidades, ONGs e indivíduos isolados a fazerem o melhor possível, oferecendo um novo lar para os cachorros de rua e recebendo, em troca, muito amor e fidelidade sem limites.

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