A anemia em cachorros prejudica a saúde e bem-estar dos animais. Conheça as causas, sintomas e tratamentos.

Trata-se de um problema grave, que deixa os pets muito quietos, sem energia e pode levar a condições ainda mais severas. A anemia em cachorros é considerada quase sempre como uma doença secundária e, por isso, uma vez que se chega a este diagnóstico, é necessário descobrir as causas, para definir o tratamento mais adequado para cada caso.

A anemia crônica em cachorros está relacionada à dificuldade do sangue em transportar oxigênio para todas as células e gás carbônico para ser expelido pelos pulmões. Não é uma enfermidade em si, mas é uma condição que inspira cuidados.

Muitos tutores acreditam que, por não ser fatal, a anemia não é um problema importante. Efetivamente, não se trata de uma doença, mas de uma condição orgânica. Seja como for, esta condição possui uma causa que precisa ser identificada, para não comprometer a saúde dos cachorros.

O que é anemia?

Anemia é redução da quantidade da hemoglobina, uma proteína presente no interior das hemácias o eritrócitos (glóbulos vermelhos do sangue) responsável por transportar o oxigênio, através da circulação sanguínea, para todas as células do organismo – tanto dos cachorros, quanto dos homens e de todos os outros animais homeotérmicos (mamíferos e aves).

Nas células, o oxigênio se combina com glicose e gera a energia necessária (ATP, ou trifosfato de adenosina) para todas as atividades orgânicas: respiração, excreção, nutrição, reprodução, etc. Com a queda da quantidade de oxigênio, todas as atividades metabólicas ficam comprometidas.

As hemácias também transportam o gás carbônico (CO2) resultante da respiração celular. A hemoglobina se liga às moléculas de CO2 e as carregam, através das veias, para os pulmões, onde são finalmente expelidas.

Uma das formas de detectar a anemia é identificar a presença excessiva, na corrente sanguínea, de hemácias imaturas, os chamados reticulócitos. Os glóbulos vermelhos são produzidos na medula óssea e encaminhados para o sangue na medida das necessidades orgânicas.

Quando ocorre uma carência de hemoglobina, a medula óssea “trabalha mais” e envia um número maior de reticulócitos, como estratégia de compensação. Em média, a quantidade de hemácias imaturas é de 0,5% a 2,5% do total de glóbulos vermelhos. Exames laboratoriais conseguem identificar um possível aumento.

Quais são as causas da anemia em cachorros?

A anemia em cachorro pode ocorrer de forma crônica ou aguda e depende de diversos motivos. A anemia aguda geralmente decorre da queda súbita da hemoglobina, em função de hemorragias ou de hemólise (processo de destruição das hemácias).

A hemólise pode ser fisiológica ou patológica e consiste na alteração, dissolução ou destruição dos glóbulos vermelhos. Ela ocorre com o rompimento da membrana celular e consequente lançamento de hemoglobina, eritrócitos, etc.

Em condições normais, trata-se de uma estratégia orgânica para a substituição de células velhas, que perderam a capacidade original. Os glóbulos vermelhos do sangue não apresentam núcleo celular, razão por que não têm capacidade de reprodução.

As hemácias apresentam um curto período de vida útil (cerca de 120 dias), ao final do qual são destruídas pelo organismo. Esta tarefa geralmente é executada pelo baço, fígado ou medula óssea, por células que constituem o sistema macrofágico.

Mas esta destruição pode ser patológica. Por exemplo, no caso de anemia hemolítica autoimune, o sistema imunológico deixa de reconhecer as células vermelhas e passa a atacá-las, como se fossem agentes invasores.

As anemias agudas podem ser causadas por traumatismos que gerem hemorragias internas ou externas ou por doenças preexistentes, tais como distúrbios gástricos, intestinais ou hepáticos. Em geral, estas enfermidades são diagnosticadas antes do surgimento da carência de hemoglobina no sangue.

As formas crônicas da anemia em cachorros são as mais comumente diagnosticadas. Elas podem ser consequências de diferentes condições:

  • deficiência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico na alimentação;
  • doenças renais ou hepáticas;
  • gastrite e úlcera gástrica ou duodenal;
  • neoplasia em algum órgão abdominal.

As deficiências nutricionais determinantes da anemia em cachorros geralmente estão relacionadas a rações de má qualidade ou do oferecimento de alimentação humana para os pets. É natural, para um cão que receba carne cozida para humanos deixe a ração balanceada de lado, deixando de absorver uma série de nutrientes.

A deficiência de ferro é a principal causa da anemia canina não relacionada a perdas repentinas de sangue ou a problemas internos. Apesar de não ser comum, a anemia ferropriva pode ser detectada em animais mal alimentados ou subalimentados.

Quem adota o alimento caseiro para os cachorros precisa enriquecer as receitas com vegetais verde-escuros, fígado e ovos, mas recomenda-se que os ingredientes sejam submetidos à orientação de um veterinário.

As rações balanceadas oferecem todos os nutrientes necessários, mas é importante que o produto escolhido seja adequado ao pet: idade, faixa etária, sexo, condições gerais de saúde e raça (ou porte, no caso dos animais sem raça definida) devem ser considerados no momento da escolha.

Também é importante verificar a quantidade diária ideal para cada animal. Não basta apenas seguir as instruções das embalagens dos produtos. As características de cada cachorro precisam ser levadas em consideração: os cachorros mais ativos precisam receber porções maiores e mais ricas em proteína, por exemplo.

A anemia falciforme

Trata-se de uma doença hereditária, em que o formato das hemácias é alterado. Em condições normais, os glóbulos vermelhos são arredondados, mas quando esta doença se manifesta – sempre de forma súbita –, eles apresentam forma de foice (por isso, o nome falciforme).

A membrana celular se rompe com facilidade e as células passam a morrer prematuramente, sem que haja tempo para o organismo repô-las na circulação sanguínea. Além da redução da oferta de oxigênio, a doença também predispõe o paciente a infecções oportunistas.

Em casos graves, a anemia falciforme pode chegar a obstruir os vasos sanguíneos, causando dores repentinas.

Quais são os sintomas da anemia em cachorro?

Os sintomas da anemia em cachorros variam bastante. A intensidade do quadro depende de uma série de fatores, tais como:

  • o estado físico do paciente;
  • a rapidez com que a doença se instalou;
  • a capacidade de cada cachorro de compensar o déficit de hemoglobina.

Os primeiros sinais da anemia em cachorro, decorrentes da queda da oferta de oxigênio nos tecidos, são os seguintes:

  • apatia;
  • fraqueza e cansaço;
  • dores de cabeça;
  • indisposição para brincar e fazer as atividades cotidianas;
  • vertigens e desorientação ao caminhar;
  • dificuldade para respirar e perda do fôlego durante os exercícios físicos;
  • perda de apetite (e consequente perda de peso);
  • aumento da sede;
  • palidez nas gengivas e na parte interna das pálpebras;
  • urina escura;
  • sangue nas fezes.

Na maioria dos casos de anemia canina, o que mais chama a atenção dos tutores é a mudança de comportamento. Cachorros anêmicos mudam as características de personalidade, tornando-se menos brincalhões. Os cachorros doentes podem querer ficar isolados, perdendo o interesse por atividades antes bastante aguardadas.

Tudo depende do temperamento dos cachorros. Alguns pets são mais tranquilos, gostam de ficar quietos em seu canto. Outros são ativos, agitados, estão sempre procurando novidades onde quer que estejam.

As mudanças de comportamento podem ser repentinas ou progressivas, mas qualquer alteração sensível precisa ser avaliada pelo veterinário. As formas agudas da anemia são facilmente controladas, com medicamentos ou mesmo com mudanças na alimentação.

Os tipos mais comuns de anemia em cachorros

Os cachorros costumam apresentar as seguintes anomalias relacionadas à queda do número de hemácias em circulação na corrente sanguínea:

anemia regenerativa hemorrágica – ocorre quando há uma perda significativa de sangue, seja em função de cortes na pele, seja por causa de rompimentos ou obstruções de órgãos internos. Esta anemia é chamada regenerativa porque a medula óssea está funcionando regularmente e é capaz de substituir as hemácias perdidas, desde que a hemorragia seja estancada;

anemia regenerativa hemolítica – ocorre quando as hemácias têm a vida útil reduzida. É um problema típico de doenças autoimunes (em que os anticorpos atacam células saudáveis), como a anemia falciforme. Algumas intoxicações (como a ingestão acidental de cebola, por exemplo), também são responsáveis por este distúrbio;

anemia arregenerativa aplásica – esta condição acontece por problemas na medula óssea, que deixa de produzir novas hemácias (ou passa a produzir em número menor do que o necessário para as funções orgânicas). Inflamações na medula óssea são as principais responsáveis, mas esta forma de anemia também ocorre em casos de parvovirose e erliquiose;

anemia arregenerativa por deficiência nutricional – é a forma mais comum e, felizmente, a mais simples de tratar. A falta de ferro na alimentação é a principal causa desta forma de anemia. Mesmo que o cachorro esteja aparentemente forte e bem cuidado, a forma de nutrição está deixando a desejar.

Cão desanimado aparentemente devido a uma anemia canina.

O tratamento para anemia em cães

Como já foi dito, a anemia em cachorros não é propriamente uma doença. Portanto, o tratamento depende das causas que geraram o transtorno. Entre os cães, com exceção dos traumatismos que provocam hemorragias severas, raramente é necessário realizar transfusões de sangue.

O exame de sangue consegue identificar se houve queda do número de hemácias. Outra possibilidade a ser investigada é a queda das plaquetas, células do sangue responsáveis pela coagulação. Quando elas estão em baixa, os cachorros podem perder sangue na urina ou fezes, por exemplo.

Entre os exames necessários, o veterinário pode solicitar a pesquisa hemoparasitária, um tipo de hemograma que identifica se as hemácias estão sendo atacadas por protozoários causadores de doenças com a erliquiose, por exemplo.

Em casos de acidente, o animal precisa ser prontamente socorrido e as causas que geraram sangramento, rapidamente corrigidas. Trata-se de uma emergência veterinária, que pode inclusive exigir um procedimento cirúrgico.

A anemia em cães também pode ser decorrente de tratamentos prolongados com alguns fármacos, como fenilbutazona (receitada para problemas ósseos e articulares), estrogênio sintético (para cadelas castradas ou que tiveram o útero e/ou os ovários retirados), fenobarbital (anticonvulsivo), albendazol (anti-helmíntico) e medicamentos empregados na quimioterapia. Estas substâncias afetam a produção de hemácias.

Caso o cachorro seja diagnosticado como anemia hemolítica (condição com um componente hereditário), o veterinário certamente definirá um tratamento com imunossupressores (de acordo com a gravidade, também poderá indicar transfusões de sangue).

Na maioria dos casos de anemia, contudo, o tratamento é realizado em casa. Mais de 80% dos cachorros anêmicos chegam a esta condição em função de deficiências nutricionais, especialmente de ferro.

O tratamento aconselhado, nestes casos, é a troca da ração, caso o produto não consiga suprir as vitaminas e minerais necessários, ou o simples aumento da quantidade diária oferecida para os pets, no caso de a oferta ser insuficiente para garantir a energia do dia a dia.

De acordo com os resultados dos exames laboratoriais, o veterinário pode receitar suplementos de vitaminas e sais minerais – em quase todos os casos, esta medida é necessária para os cachorros “atletas”, que despendem muita energia, e também para os filhotes e os muito idosos, a partir dos dez anos de idade.

Quando for diagnosticado um quadro de anemia profunda, depois de investigar as causas, o veterinário pode solicitar exames de sangue periódicos, a fim de acompanhar a evolução da recuperação dos cachorros.

A prevenção é a melhor forma de combater a anemia em cachorros. A vacinação em dia impede o surgimento de infecções virais como cinomose e parvovirose, doenças potencialmente fatais. A vermifugação regular garante que os pets irão aproveitar ao máximo os nutrientes fornecidos pela alimentação.

Os tutores também precisam estar atentos à identificação e eliminação de ectoparasitas, como pulgas, piolhos e carrapatos. Estes insetos são vetores de diversas doenças, como a babebiose e a erliquiose, e são hematófagos – alimentam-se do sangue dos seus hospedeiros. É justamente ao sugar o sangue que os parasitas transmitem estes agentes etiológicos para os animais homeotérmicos.

Os parasitas podem ser eliminados com sabonetes e xampus específicos, além de produtos para aplicar na nuca ou cernelha dos cães. Também existem disponíveis no mercado coleiras tratadas com inseticidas. Nunca aplique inseticidas de ambiente no pelo dos cachorros; além de não fazerem o efeito desejado, podem causar alergias e intoxicações.

As visitas regulares ao veterinário também são importantes. A partir dos relatos dos tutores, o médico, ao suspeitar de algum problema de saúde, pode fazer testes complementares ou pedir exames laboratoriais. Muitas vezes, casos leves de anemia em cães nem sequer são diagnosticados, mas prejudicam o bem-estar dos pets. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados na recuperação da saúde.

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