Cachorros conseguem perceber que algumas pessoas são más

A ciência comprova: os cachorros conseguem perceber que algumas pessoas são más. Confira os estudos.

Seu cachorro não gosta de alguém? A ciência está começando a comprovar que ele tem razão. Qualquer tutor que convive com cachorros sabe que eles parecem ter um sexto sentido, alguma coisa que os faça evitar algumas pessoas de má índole. No entanto, até recentemente, isto só era percebido de forma empírica, sem provas científicas.

Cachorros podem não parecer muito inteligentes quando perdem um tempo considerável perseguindo as próprias patas, mas, na verdade, são seres com um grande potencial. Talvez por herança do seu comportamento gregário, eles são muito conscientes socialmente.

Uma vez que os cachorros são instintivamente protetores, diversas pesquisas já comprovaram que eles conseguem reconhecer rostos felizes, tristes ou irritados, perceber as emoções humanas e de outros pets e até mesmo sentir ciúme.

Agora, sabe-se que eles vão além destas condições. Aparentemente, eles conseguem perceber se alguém é ou não confiável. E, quando eles percebem condutas agressivas, egoístas ou negativas, eles passam a emitir sinais claros – e é necessário estar atento a eles.

Uma pesquisa recente indica que este fato pode ser real. Além de reconhecerem pessoas más, os cachorros também sabem quando os tutores estão prejudicando parentes e amigos. Além disto, os pets usam estas informações para decidir como interagir com os humanos.

Cachorros reconhecem pessoas más? O estudo

A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade de Kyoto (Japão), comandados pelo médico neurologista Akiko Takaoka, e publicada em janeiro de 2017 na revista americana “Neuroscience and Biobehavioral Reviews”. O periódico publica artigos de revisão originais que abordam todos os aspectos da neurociência (o estudo científico do sistema nervoso), comportamento, processos psicológicos e temas correlatos.

Os cientistas japoneses analisaram como 34 cães e seus tutores reagiam a uma situação hipotética: o dono do pet fingia não conseguir abrir uma caixa e pedia ajuda para duas pessoas (na simulação, dois pesquisadores do estudo). Um deles se mostrava prestativo, enquanto o outro se recusava a auxiliar.

Uma vez realizada a simulação, os dois pesquisadores ofereciam biscoitos caninos para os voluntários de quatro patas. Quanto mais grosseira tenha sido a recusa em ajudar, maior a reação dos cães analisados: eles recusavam a guloseima.

Na segunda simulação, foram os tutores que recusaram auxílio para um desconhecido em dificuldade. Na sequência, os pets se mostraram – pelo menos inicialmente – a receber carinhos ou a participar de brincadeiras. Os cães adultos demonstraram mais “indignação” do que os filhotes.

Os cientistas concluíram que os animais de estimação são capazes de identificar se uma pessoa é boa ou má e tratá-la de acordo com a forma como o dono foi tratado. Isto significa que, se o seu cachorro não gosta de uma pessoa, é muito provável que ela seja ruim ou muito egoísta.

Takaoka e seus colaboradores já haviam determinado que os cachorros conseguem entender o que significa apontar. Apesar de todos nós sabermos que, quando apontamos para um brinquedo ou um osso, eles percebem imediatamente e correm para recolhê-lo.

Este estudo, publicado na revista alemã “Animal Cognition”, realizou pesquisas com diversos cães, mas os objetos não estavam à mostra. Na primeira rodada de testes, os cientistas apontaram para uma tigela com comida; na segunda, uma tigela vazia. Na terceira, voltaram a apontar para uma das duas.

Os cães voluntários imediatamente encontraram a comida escondida. Em seguida, os pesquisadores passaram a apontar apenas a tigela vazia. Não houve resposta dos pets. Aparentemente, eles já sabiam que era inútil encontrar a tigela vazia e percebiam que o pesquisador não era confiável.

Numa quarta rodada, outro pesquisador, desconhecido dos cães, entrou no recinto de testes e apontou novamente para as tigelas. Os cachorros voltaram a seguir as indicações, mesmo que estas se referissem ao prato vazio.

A equipe afirmou ter ficado surpresa com a rapidez com que os cachorros decidiram em quem poderiam confiar. A inteligência social é muito superior do que imaginávamos anteriormente. Muito provavelmente, esta inteligência se desenvolveu durante os milênios de convivência entre humanos e caninos.

O próximo passo será realizar testes com lobos, os ancestrais dos cães, para determinar de que forma a domesticação influenciou a inteligência dos cachorros.

Conclusão

Os cachorros são atraídos para coisas previsíveis: a rotina é um elemento importante para eles. Uma vez que os eventos do cotidiano se tornem irregulares, eles procurarão outras atividades alternativas. Nossos pets precisam se sentir seguros.

Quando a imprevisibilidade se torna muito frequente e eles não conseguirem descobrir o que está para acontecer, os cachorros podem se tornar temerosos, agressivos ou estressados. Isto significa que, se os tutores não demonstrarem consistência em suas atitudes, é muito provável que os pets terão transtornos comportamentais.

Os cachorros são muito sensíveis à conduta dos humanos, mas eles não guardam mágoa (a menos que a conduta hostil se repita com muita frequência). Eles vivem no presente, não conseguem refletir sobre o passado de forma abstrata, nem planejar o futuro. Alguns dias depois, se por acaso encontrassem os pesquisadores agressivos ou enganadores, não demonstrariam medo ou raiva.

Por outro lado, quando eles convivem com pessoas más, as condutas inadequadas alimentarão o sentimento de desconfiança e a reserva se repetirá em todos os encontros. Aquele “amigo sacana” será sempre mal recebido e evitado, mesmo que ofereça brinquedos e quitutes.

Cães que seguem sempre o mesmo trajeto nas caminhadas diárias “avisam” os tutores quando eles fazem um caminho diferente. E, se os pets reagem positivamente a determinadas pessoas que frequentam a casa e repentinamente se afastam e evitam contato, é melhor prestar atenção nestas pessoas.

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