Cão herói que salvou coalas dos incêndios florestais é homenageado com prêmio internacional

Ele participou de resgates em incêndios na Austrália. Este cão herói recebeu um prêmio internacional.

Bear é um koolie australiano – raça de pastoreio descendente dos rough collies ingleses, levados para a Austrália no século 19. Este cachorro de seis anos ajudou a encontrar e resgatar mais de cem coalas feridos ou isolados em áreas destruídas pela onda de incêndios florestais de 2019-20 no país.

O cachorro foi homenageado com o prêmio “Animal Action”, concedido pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW, na sigla em inglês), organização sediada em Washington (EUA) e presente em mais de 40 países, cujos objetivos são: resgatar animais, proteger populações e preservar os habitats.

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O cão herói

Bear ganhou destaque entre os bombeiros e voluntários que combateram os incêndios florestais na Austrália, em função da sua dedicação. Ele foi empregado especificamente para resgatar coalas no sudeste do país, nos Estados de Queensland e Nova Gales do Sul.

O trabalho de Bear com os marsupiais garantiu uma homenagem especial. Em outubro de 2021, ele recebeu o prêmio do IFAW, apresentado na Câmara dos Lordes, em Londres. Em função da pandemia de covid-19, a participação do koolie foi virtual.

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Em comunicado oficial, Romane Cristecu, pesquisadora da Universidade Sunshine Coast (Sippy Downs, Queensland) e condutora de Bear, afirmou que “Bear realmente merece este prêmio, porque ele nos ajudou a encontrar muitos coalas durante os incêndios, mas ele trabalha o ano inteiro para conquistarmos um lugar mais seguro para estes marsupiais”. A pesquisadora concluiu: “Daremos tapinhas nas costas e brincadeiras extras para comemorar seu prêmio”.

Na cerimônia de premiação, James Sawyer, diretor do IFAW no Reino Unido, afirmou que “Bear destaca as relações positivas entre cachorros e humanos. Ele fez uma enorme diferença e continua fazendo. Estamos muito orgulhosos por reconhecer as suas conquistas com este prêmio”.

Abandono e resgate

Curiosamente, Bear (o termo significa “urso” em inglês) era um sem-teto até pouco tempo atrás. Ele estava em um abrigo, tentando encontrar um novo lar, porque a família humana o rejeitou por causa da sua “energia ilimitada e entusiasmo excessivo para brincar”.

O cachorro foi levado para o abrigo quando tinha apenas um ano de idade – ainda não havia completado o desenvolvimento físico e emocional. Os candidatos à adoção de cães devem refletir seriamente antes de receber um animal em casa, considerando as características da raça e as reações do filhote, para evitar abandonos.

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Para sorte de Bear – e dos coalas do sudeste australiano –, a equipe de Sunshine Coast encontrou uma maneira de canalizar a “energia ilimitada” do peludo para atividades mais produtivas. Ele foi incluído no programa de detecção para conservação da universidade.

Dotado de um olfato extremamente apurado (inclusive para cães), o cachorro foi treinado para farejar coalas e outros animais selvagens em resgates durante desastres naturais. Bear se destacou no adestramento e tornou-se membro oficial da equipe.

Os incêndios florestais na Austrália são ocorrências anuais, que costumam ocupar a primavera e o verão. Na temporada 2020/21, no entanto, o fogo ocupou 186 mil quilômetros quadrados (uma área maior que Portugal, por exemplo). Seis mil construções e pelo menos 28 humanos morreram. Estima-se que meio bilhão de animais, entre mamíferos, aves e répteis, tenha sido impactado.

Os coalas

Apesar de terem inspirado os ursinhos de pelúcia, os coalas são mamíferos marsupiais, parentes relativamente próximos dos cangurus, gambás e vombates. São animais herbívoros, de hábitos arborícolas, nativos das regiões costeiras do leste e sul da Austrália.

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Em ambiente natural, os coalas vivem em florestas primárias de eucaliptos, cujas folhas compõem a maior parte da dieta, que apresenta baixo teor calórico e nutricional; por isso, estes animais passam a maior parte do dia dormindo (cerca de 20 horas diárias).

Como todos os marsupiais, os coalas nascem imaturos e migram para uma bolsa no abdômen materno (o marsúpio) para concluir o desenvolvimento. Mesmo depois de encerrado o ciclo fetal, os filhotes continuam pulando para o marsúpio quando se sentem ameaçados.

Bear encontrou diversos animais jovens, que devem ter se perdido das suas mães quando ainda tinham o conforto e a segurança do marsúpio. Muitos coalas tiveram de ser alimentados com mamadeiras depois do resgate (as tetas das coalas fêmeas ficam dentro da bolsa).

A maioria dos coalas resgatados com a ajuda de Bear estava desnutrida, porque estes animais quase sempre recusam outro alimento além das folhas de eucaliptos – e estas árvores foram massivamente destruídas pelos incêndios.

Os coalas são uma espécie ameaçada de extinção, classificada como “vulnerável” na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Originalmente, eles eram predados apenas por humanos (os dingos também caçam, mas apenas coalas mais velhos ou doentes). Desde a introdução, pelos ingleses, da raposa-vermelha na ilha, a população vem decaindo.

Bear ajudou a farejar mais de cem coalas vivos, presos em áreas queimadas. Por causa da ação heroica do cachorro, estes animais puderam ser resgatados, obter os cuidados médicos e recuperar-se de queimaduras, desnutrição e desidratação.

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