O que é cinomose: É uma doença infectocontagiosa, fatal em muitos casos. Saiba mais sobre a cinomose.

A cinomose é uma infecção viral altamente contagiosa causada pelo CDV (canine distemper virus), da família Paramyxoviridae, gênero Morbilivírus. Ela afeta alguns animais silvestres, como doninhas, furões, lontras e guaxinins, além de canídeos como lobos e raposas. Em Portugal, esta infecção é conhecida como esgana.

A cinomose afeta cachorros de todas as raças e portes, independente de idade ou sexo, e pode ser fatal, especialmente entre filhotes. Algumas raças caninas, como o shih tzu e o lhasa apso, pareciam ser resistentes à infecção, mas atualmente sabe-se que esta pretensa proteção era devida ao isolamento geográfico inicial.

Todos os cães domésticos e selvagens estão sujeitos a contrair a enfermidade. Os animais das duas raças citadas foram desenvolvidos no Tibete, país ocupado pela China situado na cordilheira do Himalaia, onde permaneciam sem contato com outros animais carnívoros. Uma vez que foram levados para a Inglaterra – e, de lá, para o mundo –, ficou demonstrado que os lhasa apsos e shih tzus também podem se infectar com a cinomose.

Sobre a cinomose e sua letalidade

A cinomose é a doença infectocontagiosa que apresenta o maior número de óbitos entre os cães (o número de casos fatais nos EUA supera os provocados pela raiva, a enfermidade mais conhecida). Estima-se que o diagnóstico tardio seja responsável pela morte de 70% dos animais até nove meses de vida infectados pelo CDV.

Cachorro deitado no sofá com cinomose

A cinomose é uma virose sem tratamento específico, apesar dos avanços da Medicina Veterinária no controle e combate à doença. A vacinação deve ter início no final da fase da amamentação e renovada a cada ano. Cadelas não imunizadas não devem cruzar, porque são os anticorpos das mães que protegem os filhotes nas primeiras semanas de vida.

Além da vacinação, é importante manter os filhotes longe da presença de outros cães adultos, potencias transmissores.

O isolamento deve ser mantido durante os primeiros três meses, mesmo com a aplicação das primeiras doses da vacina: especialmente entre cães de raças pequenas, a vacina é fracionada em até três doses e a imunização só se completa cerca de 15 dias depois da aplicação do último reforço.

O tempo de sobrevida dos filhotes infectados varia de quatro a seis meses. Os cachorros de maior porte costumam apresentar maior resistência aos sintomas da cinomose. Já entre os adultos, os tratamentos atuais têm obtido boa margem de sucesso, mas, devido ao diagnóstico tardio, muitos cachorros ficam com sequelas neurológicas, como tiques nervosos e espasmos.

Nos casos de óbitos, os especialistas recomendam o chamado “vazio sanitário” – um intervalo mínimo de três meses até receber outros cachorros no mesmo ambiente, especialmente quando se trata da adoção de filhotes, além de eliminar brinquedos, roupas, comedouros e desinfetar adequadamente o local.

As características da cinomose

 O CDV, vírus responsável pela cinomose canina, induz a doença predominantemente em carnívoros terrestres, mas já foi identificado em outras espécies, como focas e botos. A virulência varia de acordo com a linhagem do agente etiológico.

O vírus se reproduz em tecidos linfoides (timo, medula óssea, baço e gânglios linfáticos), nervosos (cérebro, cerebelo, bulbo e medula espinal) e epiteliais (pele), sendo eliminado com a expiração e também nas fezes, urina e secreções oculares. O CDV permanece nestes líquidos por até 90 dias após a infecção.

Uma vez inalados, os vírus são absorvidos por macrófagos, glóbulos brancos cuja função é ingerir micro-organismos e quaisquer antígenos (substâncias que provocam respostas do sistema imune, como um micróbio ou mesmo uma partícula de poeira).

Os macrófagos acabam conduzindo alguns vírus íntegros, através dos vasos linfáticos, até os nódulos linfáticos presentes na laringe, amídalas e brônquios – nestas estruturas, ocorre a replicação (multiplicação) do CDV, que tem início em 24 a 36 horas da inalação.

Como ocorre a transmissão da cinomose?

Na maioria dos casos, a cinomose é transmitida através da absorção de gotículas de secreções bucais e nasais. Os cachorros se orientam basicamente pelo olfato e a interação social entre eles ocorre com cheiradas mútuas nos focinhos.

Fora do organismo animal, o CDV é pouco resistente e torna-se inviável em questão de minutos (ao contrário do vírus da parvovirose, que sobrevive durante meses no ambiente). Em função disso, são raros os casos de contágio indireto, mesmo na partilha eventual de utensílios e brinquedos com animais infectados – que, de qualquer forma, precisam ser descartados em caso de diagnóstico positivo.

Mesmo assim, existem muitos relatos de cinomose canina indireta em espaços comumente partilhados por cachorros, como praças e parques. O contágio indireto é mais comum no inverno, já que é difícil ter certeza de que um cachorro infectado não passeou em determinado local ou brincou com um objeto deixado na via pública.

O período de incubação da cinomose nos cachorros, entre a exposição ao vírus e o início da replicação é de quatro a dez dias. Durante esse tempo, os animais expostos ao CDV podem transmitir o vírus, mesmo sem apresentar sintomas.

Por isso, caso alguns cachorros infectados partilhem o espaço com animais saudáveis, podem se tornar vetores da doença. Isto pode ocorrer nos passeios, em clínicas veterinárias, pet shops, salões de banho e tosa, etc.

Os primeiros sintomas da cinomose são semelhantes aos de um resfriado ou gripe, com espirros e tosse. Nesta fase, o risco de contágio é ainda maior.

O CDV não é muito ativo sob temperaturas mais elevadas; por isso, sinais de gripe ou resfriado no verão podem ser considerados suspeitos.

Os sintomas da cinomose canina

A cinomose é uma doença infecciosa grave, que requer atendimento médico-hospitalar de emergência. Os vírus responsáveis começam a se multiplicar na corrente sanguínea, no sistema linfático e, num segundo momento, continuam se replicando no sistema nervoso central.

Nas clínicas veterinárias, a maioria dos casos de cinomose em cães é detectada a partir de algumas queixas inespecíficas dos tutores:

  • febre bifásica (com períodos intercalados de inflamação e intoxicação);
  • secreções (corrimentos) nasais e oculares com ou sem pus;
  • prostração;
  • vômitos e diarreia, com a consequente desidratação.

Os sintomas da cinomose mais comuns são:

  • Febre
  • Secreções nasais e oculares
  • Vômitos
  • Diarréia
  • Apatia
  • Perda de apetite
  • Convulsões
  • Paralisia
  • Tiques nervosos
  • Falta de coordenação

A partir do histórico, da avaliação clínica e de exames complementares, o especialista pode identificar:

• leucopenia (redução da quantidade de glóbulos brancos na corrente sanguínea);

• hiperqueratose do focinho e das almofadas plantares (engrossamento da camada de queratina na epiderme);

• mioclonias (contrações breves e repetidas de um músculo ou grupo de músculos, geralmente nos braços e pernas);

• sintomas neurológicos (desequilíbrio, tontura, tiques nervosos, formigamento nos membros, convulsões, tremores involuntários.

De acordo com o estágio em que a cinomose é detectada, os cães sobreviventes podem ter paralisias temporárias ou permanentes, em função da fragmentação dos neurônios envolvidos na locomoção e na coordenação motora.

Um dos primeiros sintomas da cinomose observados por leigos é a dilatação das pupilas, quase sempre acompanhada do aumento da sensibilidade à luz. Até que o socorro veterinário seja providenciado, recomenda-se manter o animal na penumbra, inclusive para evitar o comprometimento da retina, que pode levar à cegueira.

Danos ao sistema nervoso

A cinomose afeta as mielinas, bainhas lipídicas que revestem os axônios, os terminais dos neurônios (células do sistema nervoso). A mielina está envolvida na transmissão dos estímulos entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico, que se comunica diretamente com todas as células do organismo.

Diversos sintomas da cinomose, que variam de acordo com o estado geral de saúde do pet, são causados por danos ao SNC. Tonturas, desequilíbrios e falta de coordenação são devidos à perda progressiva da coordenação motora ou à falta de comunicação entre os neurônios e os demais tecidos orgânicos.

Com a replicação contínua dos vírus no organismo canino, estes agentes passam a infectar o SNC e também os tecidos epiteliais. O grau clínico de severidade da cinomose depende de alguns fatores, tais como as cepas de vírus envolvidas na infecção e o estado imunológico do cachorro infectado.

O tratamento da cinomose

Historicamente, o diagnóstico de cinomose era praticamente uma sentença de morte. O número elevado de intervenções médicas sem sucesso estava relacionado basicamente a dois fatores:

a negligência da maioria dos tutores no surgimento dos primeiros sintomas da cinomose (febre, diarreia, prostração, falta de apetite, etc.). O socorro veterinário só era acessado quando surgiam os sinais neurológicos;

a crença arraigada, inclusive entre profissionais da área veterinária, de que, mesmo controlada a infecção, com a eliminação dos vírus, os sintomas neurológicos da cinomose seriam progressivos (degenerativos), sem possibilidade de reversão. Em outras palavras, não havia tratamento eficaz; o prognóstico mais comum era a eutanásia.

A ciência veterinária entendia que a cinomose era uma doença autoimune (como o diabetes tipo 1, o lúpus eritematoso e a doença celíaca, por exemplo), em que o próprio sistema imunológico ataca estruturas orgânicas.

O prognóstico consistia em aplicar medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores, para eliminar (ou atenuar) os ataques ao SNC. O problema é que os imunossupressores também reduziam a capacidade orgânica de responder a infecções secundárias; com isso, os pacientes ficavam ainda mais debilitados.

Atualmente, sabe-se que a resposta do sistema imunológico está diretamente relacionada à presença do CDV na corrente sanguínea. Por isso, o uso de anti-inflamatórios (especialmente corticoides) é contraindicado, pois estes medicamentos reduzem a ação das células de defesa e, consequentemente, aumentam a carga viral, aumentando os transtornos orgânicos e antecipando o óbito do paciente.

Hoje, o tratamento para cinomose mais empregado é feito à base de ribavirina, alfa-interferon e vitamina A, as mesmas substâncias utilizadas no tratamento do sarampo humano, cujo vírus pertence à mesma família e gênero (Paramyxoviridae – Morbilivírus).

Na verdade, esta terapia surgiu nos anos 1990, quando experimentos em laboratório constataram que a reação canina ao CDV era muito semelhante à reação do organismo humano exposto ao vírus do sarampo.

O uso de retinoides (vitamina A e derivados) elimina em 100% os vírus da cinomose presentes na corrente sanguínea. Por isso, a doença é totalmente curável, desde que o tratamento seja iniciado precocemente, antes do surgimento de intercorrências.

A vitamina A é totalmente segura, mesmo em altas dosagens. O organismo dos mamíferos carnívoros apresenta a capacidade de transformar a vitamina A em ésteres não tóxicos, que são eliminados na urina e nas fezes.

Os cachorros e outros carnívoros podem ingerir até 300.000 UI/kg diárias por até 30 dias consecutivos sem risco de sofrer hipervitaminose, capacidade cerca de 60 vezes superior à verificada entre humanos.

A eficácia da ribavirina também foi comprovada em pesquisas para o combate de sequelas do sarampo (alguns humanos convalescentes desenvolvem encefalite esclerosante, uma doença neurovegetativa.

Descobriu-se que a droga antiviral, além de destruir o vírus do sarampo, também é eficaz no combate ao CDV. A ribavirina tem outra vantagem: ela consegue ultrapassar as barreiras de proteção do SNC sem causar danos aos neurônios. Nos animais que já apresentam sintomas neurológicos, a eficácia da droga atinge 80%.

Maus prognósticos

As boas notícias com relação aos bons resultados dos tratamentos atuais, no entanto, não são uma justificativa para negligenciar a prevenção da cinomose.

A doença continua sendo altamente contagiosa, muitas vezes fatal e as sequelas, que atingem 70% dos filhotes e 30% dos adultos sobreviventes, sempre diminuem drasticamente a qualidade de vida dos cachorros afetados.

Os animais não socorridos antes do surgimento dos sintomas neurológicos podem ter comprometida, de forma definitiva, a coordenação motora, com a ocorrência de paralisias. A dilatação das pupilas pode acarretar em fotofobia permanente e até mesmo levar à cegueira.

Antes mesmo do surgimento destes sintomas, a desidratação pode causar a morte. Em cães filhotes e jovens, a desnutrição pode causar danos ao desenvolvimento adequado.

Desde o primeiro momento da infecção, o CDV debilita o organismo canino; esta redução da eficiência do sistema imunológico facilita a instalação de outras infecções e inflamações secundárias, inclusive por parte de bactérias que colonizam naturalmente o organismo dos cachorros.

Os distúrbios causados no SNC pela cinomose podem se desenvolver também em cães que não apresentaram sinais sistêmicos da doença (não ficaram visivelmente doentes) e comprometer a coordenação geral, a visão e até mesmo o controle dos esfíncteres.

Os animais a partir dos seis anos podem desenvolver a encefalite do cão idoso, em que ocorre a degeneração neuronal do córtex cerebral, com a instalação progressiva de depressão, desorientação, pressão intracraniana e deficiências visuais.

Quase metade (40%) dos cães infectados pelo CDV é afetada por encefalite associada a inflamações ópticas da íris, córnea e coroide. Outros problemas menos comuns entre os sobreviventes à cinomose são:

a hipoplasia do esmalte – enfraquecimento do esmalte da dentição, entre cães infectados antes da eclosão dos dentes permanentes;

a hiperqueratose nasal – endurecimento da pele do nariz, que se torna dolorido ao toque;

a dermatite pustulosa – uma infecção da pele que provoca feridas e facilita a instalação de outras invasões bacterianas, fúngicas e virais.

O CDV, mesmo depois de eliminado do organismo canino, pode ser determinante de uma série de distúrbios ópticos permanentes. Os animais afetados podem sofrer com:

irite (inflamação da íris, também conhecida como uveíte anterior), que causa dor, hipersensibilidade à luz, turvação da visão e vermelhidão;

neurite óptica, que causa dor e vermelhidão nos olhos, além de ser responsável por muitos casos de perda temporária ou permanente da visão;

retinocoroidite, uma inflamação da retina e da coroide, que também pode levar à cegueira.

Quanto custa o tratamento para cinomose?

Como já foi dito, não há tratamentos antivirais definitivos para combater a cinomose. A ribavirina e os retinoides conseguem matar o CDV, mas tudo depende do quanto a infecção avançou e quantos comprometimentos causou, especialmente no SNC.

A internação de cachorros com cinomose é importante porque eles são potenciais transmissores da doença, que é facilmente disseminada entre os pets. Já existem exames rápidos de diagnóstico, que levam menos de 20 minutos. Em caso positivo, os pets já permanecem na clínica para o início dos procedimentos terapêuticos.

O custo do tratamento depende dos procedimentos adotados pela equipe de saúde. Além da consulta médica e dos exames laboratoriais para detecção da doença, um cachorro com cinomose pode precisar de:

  • internação e isolamento;
  • reidratação corporal, para reposição dos líquidos perdidos com vômitos e diarreias;
  • terapia com ribavirina e retinoides, para eliminar o CDV;
  • terapia com antibióticos, para combater infecções secundárias;
  • fisioterapia, para capacitar o paciente a conviver com as sequelas da doença.

No total, o custo global do tratamento para cinomose pode chegar a R$ 4.000. Mas, considerando-se que as doses iniciais da vacina e as revacinações anuais custam em média R$ 100, verifica-se que a prevenção vale muito mais a pena, principalmente considerando o bem-estar e a qualidade de vida preservadas.

Quanto tempo dura o tratamento da cinomose?

Mais uma vez, tudo depende do estado geral do paciente. Os filhotes infectados com menos de seis meses levam em média de quatro a seis meses para superar a cinomose canina, desde a internação até o final do tratamento. Mesmo assim, na imensa maioria dos casos, eles terão o desenvolvimento físico comprometido.

Cães de porte médio e grande costumam superar a cinomose com mais rapidez e menos sequelas do que os pequenos. Entre os animais de raças pequenas, mesmo com diagnóstico rápido, o prognóstico é ruim em 80% dos casos.

Animais adultos tendem a se recuperar com mais rapidez, desde que haja um diagnóstico precoce: o tratamento completo não ultrapassa dois meses. Os cachorros idosos também costumam responder bem ao tratamento, mas isto depende do histórico médico.

Os cachorros alérgicos podem sofrer com problemas de pele mais acentuados durante todo o tempo restante de vida, mesmo que não desenvolvam sequelas no SNC.

Os danos neurológicos quase sempre reduzem sensivelmente a capacidade física dos cachorros. Os animais podem ter problemas de locomoção e mesmo para atividades simples, como subir ou descer de um sofá. Alguns pacientes necessitam de fisioterapia neurológica e ortopédica no longo prazo.

Existem tratamentos caseiros para cinomose?

A internet é um verdadeiro milagre do nosso tempo. Com apenas um smartphone na mão, quase todos nós podemos receber notícias em tempo real, não importa o lugar em que estejamos. Mas a rede mundial também é fértil em espalhar boatos, as famosas fake news.

Recentemente, surgiram relatos sobre dois tratamentos infalíveis para o combate à cinomose: o uso de suco de quiabo e o da clara de ovo crua. O suco (qualquer um), cujas “receitas” às vezes sugerem a mistura com bebidas esportivas, pode ajudar a repor os líquidos perdidos, reduzindo a desidratação, mas é difícil imaginar um cachorro bebendo 100 ml de quiabo misturado com Gatorade de uma vez só.

A clara de ovo não apresenta nenhuma relação com a cinomose: nenhum nutriente presente possui propriedades antivirais, analgésicas, antitérmicas, etc. É uma notícia simplesmente inventada a partir da imaginação fértil de um internauta que não devia ter nada melhor para fazer.

Além de inócuo, o ovo cru pode estar infectado com agentes patológicos, como a salmonela, família de duas bactérias (S. enterica e S. bongori). As infecções causam intoxicações alimentares que podem levar à morte.

Algumas receitas mais “científicas” sugerem a aplicação, em casa, de Cino-Globulin para prevenir e tratar a cinomose. Trata-se de um soro para uso veterinário, usado como coadjuvante também no tratamento da leptospirose, hepatite infecciosa e outras viroses.

Apenas o soro, no entanto, não é suficiente: ele repõe alguns nutrientes perdidos, mas não combate o vírus nem controla outros sintomas da cinomose. Para determinar a dosagem, a aplicação depende da observação clínica. E, de forma alguma, o soro é útil na prevenção da infecção (nem de nenhuma outra).

Vale lembrar: o tratamento da cinomose é uma terapia de suporte, que consiste basicamente em atenuar os sintomas até que o cachorro se recupere completamente (o que infelizmente nem sempre acontece).

Para combater os sintomas da cinomose, são usados medicamentos contra febre, dor, vômitos, diarreias, inflamações de pele, antibióticos para combater eventuais infecções bacterianas, etc. Os procedimentos são realizados por profissionais especializados, atentos à evolução do quadro clínico. Não existem tratamentos caseiros para combater a doença. Nem para preveni-la.

Apesar de totalmente absurdos, estes “procedimentos infalíveis” continuam disponíveis em diversos sites e blogs, inclusive com alguns influenciadores digitais “receitando” quiabo, ovo, etc. para tratar cinomose.

Uma explicação possível para este fenômeno é que são providências baratas e acessíveis, mas totalmente ineficazes para combater uma infecção – mesmo que seja um simples resfriado. É algo semelhante aos tratamentos imbatíveis contra o câncer ou a AIDS, que não têm nenhuma eficácia.

É possível prevenir a cinomose? Tem vacina?

A vacina é a única forma de prevenção da cinomose. As vacinas polivalentes V8 e V10 (ou V11, menos utilizada no Brasil) garantem a resposta eficaz de defesa orgânica. A primeira dose deve ser aplicada aos 45 dias de vida e o reforço, duas semanas mais tarde.

Cachorro recebendo a vacinação da cinomose
Filhote recebendo a vacina contra a cinomose.

A vacinação precisa ser renovada anualmente. Machos e fêmeas reprodutores precisam ser imunizados 30 dias antes do cruzamento (para cães de pequeno porte, os veterinários costumam fracionar a primeira imunização em três doses). A cinomose também pode ser transmitida verticalmente, durante a gestação e o aleitamento.

Os cachorros não imunizados de qualquer idade são suscetíveis à infecção, mas a cinomose é mais comum nos filhotes a partir dos três meses de idade, depois do desmame. Alguns estudos indicam que um quarto dos cães são infectados de forma subclínica, isto é, sem desenvolver os sintomas da cinomose, mas tornando-se agentes da propagação da doença.

A cinomose é transmitida para humanos?

A doença é uma velha conhecida da humanidade – existem relatos sobre sintomas semelhantes ainda entre os antigos egípcios –, mas não existe nenhum registro sobre a transmissão da cinomose para humanos. Os gatos também são imunes ao CDV.

A palavra vem do grego e é formada pelo termo “kinos”, que significa “cachorro”, acrescido do sufixo “ose”, indicativo de doença inflamatória. Cinomose, portanto, é uma “doença de cachorro” – também de outras espécies com que não convivemos.

Mas, se a cinomose não passa para os humanos, estes podem transportar o vírus para casa, ao pisarem em excrementos de um cachorro contaminado, ou mesmo ao roçarem a mão em uma superfície com gotículas invisíveis a olho nu de saliva, urina ou suor com a presença do CDV. Por isso, a higienização diária é importante, antes mesmo de “fazer festa” para o companheiro que está à espera em casa.

Aviso importante: O nosso conteúdo tem caráter apenas informativo e nunca deve ser usado para definir diagnósticos ou substituir a consulta com um veterinário. Recomendamos que você consulte um profissional de confiança.

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