Como escolher um canil de confiança

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Quem quer adotar um cão de raça precisa tomar algumas precauções ao escolher o canil. Confira.

Muitas pessoas sonham em ter um cão de raça. Alguns querem um animal para guarda e proteção, mas a maioria pretende apenas conviver com um peludo sempre pronto a distribuir lambidas e muita alegria. É preciso ter cuidado ao escolher um canil de confiança, para não comprar gato por lebre.

Existem centenas de cães sem raça definida à espera de adoção nos abrigos públicos e em centros de resgate particulares, mas não há nada de errado em querer um pet de raça. Neste caso, é necessário atentar para a pureza da raça, os atributos e características dos pais e avós, etc.

Como escolher um canil

A raça ideal

Antes de escolher um canil de confiança, os candidatos a tutor devem pesquisar as raças caninas. Alguns cachorros entram na moda, mas não são exatamente parecidos aos famosos que geraram interesse.

A cadela Lili, por exemplo, de “A Dama e o Vagabundo”, é retratada como um animal dócil, manso e afetuoso. No entanto, cocker spaniels americanos são, por natureza, agitados e impetuosos. Em 1955, ano de lançamento do desenho animado nos EUA, os cães são raça foram recordistas em vendas – e também em devolução.

Cães de raça exigem cuidados especiais com a alimentação, estética (banhos, tosas, corte de unhas, etc.) e a saúde. Um afghan hound impressiona pela beleza, mas é preciso ter certeza de que a família tem disponibilidade para escovar os longos fios da pelagem todos os dias.

A raça revela especificidades que podem indicar o que é ideal para cada família. Um bloodhound não “cabe” em um pequeno apartamento, os cães braquicefálicos (de focinho achatado) têm dificuldades para subir escadas, pastores alemães, border collies e dobermans são atléticos e precisam de muita atividade física, etc.

Muitas vezes, o porte do cachorro engana. O yorkshire terrier, por exemplo, é adotado por muitas pessoas que querem um animal de colo, mas os cães da raça são ativos e um pouco bagunceiros. Se você quer um cãozinho tranquilo, shih tzus e malteses seriam melhores opções.

A escolha do sexo é igualmente importante. As fêmeas tendem a ser mais obedientes, mansas e educadas, mas talvez a escolha da família seja um animal mais agressivo, independente ou intimidador.

Os cuidados na hora de escolher um canil

Como verificar a confiabilidade de um canil? Afinal, existem maus criadores que exploram as cadelas com gestações consecutivas ou com cruzamentos incompatíveis (entre irmãos, por exemplo) que perpetuam doenças genéticas.

Outros criadores simplesmente vendem como “puros” filhotes nascidos de mestiçagens. É difícil garantir, apenas observando os recém-nascidos, que eles são de raça. Por exemplo, dálmatas nascem sem as pintas e basset hounds, com orelhas pequenas, ainda não plenamente desenvolvidas.

Para evitar estes contratempos, é necessário conferir os registros dos canis, verificar fotos e filmes nos sites, visitar pessoalmente os locais de criação, verificar a documentação da ninhada e dos ancestrais.

A visita ao canil é importante para garantir que os cachorros são mantidos em boas condições. Os interessados precisam inspecionar as instalações, o tipo de alimento oferecido para matrizes e padreadores, as condições de higiene, etc.

Conversar com o veterinário é fundamental. Um filhote de raça só deve deixar o canil do nascimento depois de receber as primeiras doses das vacinas e dos vermífugos. A visita é igualmente importante para verificar a personalidade do cãozinho, que desde pequeno revela agressividade, dominância, territorialidade, etc.

Nenhum desses fatores é considerado um defeito em si mesmo, mas, para a companhia de uma família com crianças e idosos, os animais mais dóceis e obedientes devem ser escolhidos em detrimento aos mais independentes.

Peça indicações

Especialmente nos casos dos marinheiros de primeira viagem – os tutores que estão adotando um cachorro pela primeira vez –, é importante obter informações. Pesquise sobre a raça: características anatômicas, fases do desenvolvimento físico, adestramento, eventuais doenças genéticas, alimentação, cuidados com a saúde.

Sempre que possível, converse com pessoas que convivam com animais da raça escolhida. Apesar das diferenças individuais, cães da mesma raça apresentam diversas características comuns e as informações podem ser úteis para confirmar a escolha ou, talvez, para pesquisar outras raças.

Além disso, tutores de animais de raça conhecem canis de confiança e provavelmente já eliminaram alguns estabelecimentos no momento em que adotaram os pets. A experiência prática é importante para garantir a escolha certa.

Os tutores podem fornecem informações preciosas: se o filhote foi entregue em boas condições de saúde, se o canil prestou informações sobre a alimentação, adestramento e cuidados com a saúde, se há clubes da raça nas imediações, etc.

Mas, mesmo sem conhecer nenhum tutor da raça pretendida, é possível encontrar, na internet, depoimentos de pessoas que convivem com estes cachorros. Há comentários valiosos sobre o temperamento, as travessuras mais comuns, as necessidades específicas da raça, etc.

A documentação

Todo canil deve ser registrado na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), órgão máximo no país quando se trata de cães de raça. Além disso, existem clubes locais de raças, que organizam encontros de criadores e também zelam pela pureza dos pets.

A CBKC, cujo site é www.cbkc.org, é filiada à Federação Cinológica Internacional (FCI), sediada na Bélgica, promove concursos e competições, além de descrever com detalhes o padrão oficial, para o Brasil, de cada raça.

A maioria dos canis registrados na CBKC mantêm sites próprios, além de perfis em redes sociais, como Instagram e Facebook. A documentação obrigatória, na maioria dos casos, é disponibilizada nas páginas eletrônicas. Ter o registro na CBKC é o primeiro requisito para saber se o canil é confiável.

Quase todas as cidades brasileiras de médio e grande porte possuem um kennel club filiado à CBKC. Visitar estas instituições é fundamental na escolha da raça e do filhote ideal para cada família.

Os canis devem fornecer o pedigree dos machos e fêmeas que mantêm sob sua guarda. “Pedigree” é o gráfico da linhagem dos cães. Trata-se de uma palavra derivada do francês arcaico “pied de gru”, que significa pé de grou, uma ave pernalta que apresenta quatro dedos, sendo um deles oposto aos demais. Os primeiros registros genealógicos utilizavam um sinal semelhante ao pé desta ave para indicar ascendentes e descendentes.

O pedigree é fornecido pela CBKC, muitas vezes com a mediação do kennel club local. O documento só é emitido para cães com a ancestralidade registrada em um stud book, arquivo oficial que organiza e guarda os registros genealógicos de uma raça pura de animais domésticos.

A visita ao canil

Uma vez escolhido um canil de confiança e identificada a disponibilidade de uma ninhada da raça que se pretende adotar, o próximo passo é visitar pessoalmente as instalações do estabelecimento. Não confie apenas em informações virtuais.

É importante analisar a estrutura do canil, verificando a adequação das instalações para a segurança, bem-estar e integridade dos cães ali mantidos. A inspeção in loco é importante para certificar-se da higiene e habitabilidade do local.

Confira o tipo de alimento fornecido para os cães e peça orientações sobre a ração mais adequada para os filhotes. Posteriormente, quando eles já estiverem instalados em casa, o veterinário poderá indicar suplementos, de acordo com as condições físicas dos pets.

É importante conhecer os pais do cãozinho pretendido. Naturalmente, cães adultos são mais reticentes na interação com humanos estranhos, mas as maçãs não caem muito longe da macieira: a personalidade dos filhotes é sempre muito semelhante à dos genitores.

Os canis mantêm o registro de todos os prêmios obtidos pelos cães do seu plantel. No pedigree, constam todas as premiações em exposições oficiais. são títulos de beleza, porte e postura, habilidade de trabalho, etc. Evidentemente, quanto mais premiado é um cão, mais caros são os seus filhotes.

Confira as vacinas e os vermífugos aplicados nos cães adultos e também as primeiras doses nos filhotes. Pergunte ao criador quais são as práticas adotadas para a prevenção e eliminação de parasitas, como piolhos e pulgas.

Na conversa com o criador, para garantir que se trata de um canil de confiança, os interessados devem sempre perguntar:

• há quanto tempo ele trabalha com cães – e especificamente com cães da raça;

• há quanto tempo o canil é registrado na CBKC;

• como são realizados os cruzamentos (por exemplo, se existe intercâmbio com outros canis e, neste caso, qual a procedência de eventuais machos “estranhos);

• quantas as vezes as fêmeas cruzam por ano (o ideal é que haja uma pausa entre dois estros, para o organismo canino descansar e refazer-se);

• com quantos dias os filhotes podem ser separados;

• qual é a documentação inicial fornecida (atestados médicos, laudos de inexistência de doenças genéticas, pedigree, etc.);

• se o canil oferece algum tipo de adestramento ou socialização dos filhotes com humanos e outros cães.

Esteja disponível para fornecer informações sobre você, a sua família e a sua casa. Assim como você quer o melhor, um criador responsável também precisa saber as condições em que o filhote nascido no canil será criado.

O documento de compra e venda é um certificado diferente do pedigree. Ele é redigido pelo próprio canil e deve trazer a data de nascimento do filhote, nome e idade dos pais, nome e dados do criador, atendimentos veterinários prestados e o preço a ser pago.

Além disso, o criador pode estabelecer cláusulas específicas, como a não responsabilização pelos atos do novo tutor em relação ao cãozinho e a impossibilidade de devolução ao canil por qualquer motivo. É importante estar tudo documentado, para que não haja dúvidas entre as partes.