A convivência de cachorros e crianças

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A convivência dos cachorros em casa também contribuem com a imunidade do organismo infantil. Saiba mais sobre a convivência de cachorros e crianças.

Apesar de alguns tutores decidirem afastar os pets quando uma criança está chegando na família, doando ou até abandonando cães e gatos, existem inúmeros benefícios na convivência de cachorros e crianças. 

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Todos nós colecionamos – em fotografias e na própria memória – imagens deliciosas de crianças brincando, partilhando objetos, explorando ambientes ou simplesmente dormindo juntas. Contudo, a convivência vai muito além de recordações agradáveis. 

Evidentemente, existe o lado complicado deste relacionamento. Afinal, reunir cachorros e crianças quase sempre significa muita bagunça: coisas fora do lugar, desperdícios, acidentes (graves ou nem tanto). Por isso, muita gente renuncia ao prazer da convivência com os animais de estimação. 

Convivência Cachorro e criança

De qualquer forma, os benefícios cognitivos, afetivos sociais proporcionados pelo convívio de crianças e cachorros ultrapassa em muito a trabalheira demandada por estas duplas. No fiel da balança, o resultado é extremamente positivo. 

Sistema imunológico 

Diversos estudos acadêmicos comprovam: crianças que convivem com cachorros desenvolvem o sistema imunológico de maneira mais eficiente. O motivo é que a proximidade entre kids & pets expõe os pequenos, em doses mínimas, a eventuais invasores do organismo. 

O resultado é que o sistema imunológico é ativado mais frequentemente e, quando surge um problema mais grave, como uma infecção viral ou bacteriana, o corpo das crianças e cachorros responde mais rapidamente, providenciando anticorpos para combater as doenças. 

Evidentemente, os cachorros não possuem o condão de impedir infecções como sarampo e catapora – para isto, nós desenvolvemos doenças que protegem as nossas crianças, mas a convivência reduz a incidência de gripes e resfriados. 

Reações alérgicas 

Por maiores que sejam os cuidados e atenções dispensados, crianças pintam e bordam quando estão brincando com cachorros. Algumas doenças de origem alérgica, como a bronquite asmática, afetam muito menos os pequenos que vivem com cachorros desde bebês. 

Algumas dermatites crônicas também são evitadas ou atenuadas pela parceria entre crianças e cachorros. Os nossos filhos expõem a pele – o maior órgão do corpo humano – com mais frequência à poeira, terra, areia e outros agentes alergênicos. 

O resultado é que o sistema imunológico se adapta gradualmente a esta exposição e os anticorpos respondem com mais frequência e eficiência. Impedindo que as reações alérgicas atinjam níveis críticos. 

Afetividade 

Todos nós sabemos que os cachorros são seres extremamente afetuosos e leais. Os nossos pets querem nos ver bem e fazem o possível para demonstrar o amor que sentem por toda a família. Quando um bebê chega em casa, os peludos rapidamente se acostumam com o novo membro da família. 

Alguns cachorros podem demonstrar inicialmente um pouco de ciúme, mas basta perceberem que o bebê não é uma ameaça para se aproximarem. Os cachorros são instintivamente protetores e montam guarda junto ao berço para garantir que nada de ruim aconteça com aqueles estranhos seres pequeninos. 

Convivência Cachorro e criança1

Existem relatos de centenas de casos heroicos – cachorros salvando crianças de ameaças graves, como avalanches, afogamentos, atropelamentos, ataques de animais ferozes ou peçonhentos, mas é no dia a dia que a convivência se revela proveitosa. 

Os cachorros protegem, vigiam, alertam quando alguma coisa está errada, brincam, fazem companhia. Com isso, as crianças aprendem a dar valor aos pequenos gestos, às pequenas gentilezas do dia a dia. 

Crianças introvertidas, que preferem brincar sozinhas, são especialmente beneficiadas pela convivência com cachorros. Elas encontram neles os parceiros ideais, que não competem nem exigem tratamentos especiais ou exclusivos: basta atirar uma bolinha ou fazer um carinho que os peludos demonstram toda a capacidade de amar de que são dotados. 

Exercícios físicos 

Estudos da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP) indicam que um terço das crianças brasileiras entre cinco e 11 anos de idade apresentam problemas de sobrepeso ou obesidade. Deste total, mais de 80% continuarão obesas ao atingirem a vida adulta. 

O motivo principal deste sério problema de saúde é a falta de atividade física de qualidade. Na atualidade, muitas crianças aprendem a usar um smartphone antes mesmo de aprender a andar. Isto é excelente para o desenvolvimento intelectual, mas o corpo precisa se desenvolver de forma harmoniosa, para evitar problemas de saúde sérios. 

As nossas crianças estão se exercitando pouco e comendo mal – estão se rendendo as delícias perigosas do fast food. Especialistas em saúde pública estimam que 0,5% dos nossos pequenos já sofrem de colesterol alto e podem desenvolver distúrbios cardiovasculares ainda na infância. 

Evidentemente, um cachorro não pode ser responsabilizado pela saúde e bem-estar das crianças da casa: esta missão compete aos pais. Mas os pets podem ser excelentes auxiliares nesta tarefa. 

As crianças podem ser incentivas a conduzir os peludos nas caminhadas diárias, andando e correndo com eles pelas ruas e praças. Os pais podem responsabilizar os filhos pelas brincadeiras – seja no sofá, seja no quintal. 

As crianças estarão sendo incentivadas a assumir uma responsabilidade definida e também a desenvolver uma atividade física intensa e lúdica: estarão se exercitando sem perceber. Uma caminhada de 30 minutos por dia, com um cachorro curioso e cheio de energia, é um excelente ponto de partida para largar de vez o sedentarismo. 

Senso de responsabilidade 

Os peludos são excelentes companheiros de brincadeiras. Eles são divertidos e incansáveis. Mesmo os cães mais mal-humorados costumam estabelecer uma relação diferenciada com as crianças, a quem eles entendem ser muito importante proteger. 

Por outro lado, cachorros dão trabalho. Eles precisam comer, beber água, brincar, exercitar-se, passear. Eventualmente, eles também precisam tomar remédios ou comportar-se com um incômodo colar elisabetano. 

As crianças podem assumir parte da responsabilidade de “ter um cachorro”. Elas podem trocar a água da vasilha, guardar brinquedos, separar roupas que precisam de lavagem. Claro, elas ainda são imaturas e o ônus da guarda, segurança, alimentação e educação cabe aos adultos da casa, mas a partilha das obrigações fortalece o senso de responsabilidade, que será útil por toda a vida. 

O pertencimento 

Os cachorros são guardiães naturais. Entre as cadelas que já tiveram filhotes, o instinto maternal de guarda, carinho e proteção quase sempre é um sentimento forte e sensível, mas todos os cães são sentinelas ativas, sempre a postos para “servir e proteger”. 

No dia a dia, as crianças são convidadas a perceber e entender esta capacidade de doação que os cachorros apresentam. Isto fortalece os laços de família, de pertencimento. Os nossos pequenos passam gradualmente a agir como membros de um grupo. 

Distúrbios de ansiedade 

Nos dias de hoje, muitas crianças desenvolvem distúrbios de ansiedade, em função das muitas atividades cotidianas que desenvolvem. Desde pequenas, elas precisam responder a uma série de estímulos e incentivos da família, do núcleo próximo de amigos ou da escola, 

A convivência com cachorros é previsível e prazerosa. Os nossos pets sempre respondem da mesma maneira positiva. A parceria pode inclusive funcionar como apoio terapêutico, inclusive para os pequenos diagnosticados com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). 

Crianças hiperativas precisam responder às expectativas dos peludos, que querem correr, pular, nadar, ou simplesmente se acomodar em um canto e tirar uma soneca. Os cachorros têm um tempo próprio e as crianças, na sua companhia, aprendem a “reduzir a velocidade”. 

Elas também precisam aprender a não ter medos infundados e a serem constantes, sem grandes variações de humor. Cachorros são seres muito simples e as crianças acabam aprendendo a respeitar o tempo do outro. Isto se transfere quase naturalmente para os outros relacionamentos. 

Terapias especiais 

Crianças com necessidades especiais também podem se beneficiar da convivência com cachorros. Os pequenos com limitações físicas, com dificuldades provisórias ou permanentes de locomoção, com déficit de atenção contam com um bom auxiliar para o dia a dia. 

Em casos de doenças – e toda criança precisa ficar acamada uma vez ou outra –, os cachorros atuam como verdadeiros terapeutas. Eles parecem perceber que os pacientes precisam de tranquilidade e silêncio e simplesmente ficam ao lado, ou ao pé da cama, para qualquer eventualidade. 

O autismo 

Trata-se de uma série de distúrbios causados por desordens no desenvolvimento do sistema nervoso antes e depois do nascimento, que pode se traduzir em dificuldades de locomoção, de comunicação, de coordenação motora e em deficiências intelectuais. 

O autismo não tem um tratamento específico: o acompanhamento é feito de acordo com as condições de cada indivíduo. Crianças autistas podem desenvolver ansiedade, depressão, responder inadequadamente a situações de estresse. 

Aí entram os cachorros, aliados infalíveis de crianças nestas condições. Já está comprovado cientificamente: crianças autistas que crescem ao lado de cães apresentam melhores condições de sociabilização e criam melhor condições para lidar com as suas habilidades. Alguns estudos que corroboram estas condições foram desenvolvidos pelas universidades do Missouri (EUA) e de Montreal (Canadá). 

Os cuidados entre cachorros e crianças

Para obter resultados adequados, não basta deixar cachorros e crianças lado a lado, sem nenhuma supervisão. Os tutores precisam adotar algumas providências para garantir uma convivência tranquila e saudável, sem grandes sobressaltos. 

Um momento crucial é a apresentação. Os filhotes tendem a encarar as crianças como membros da mesma cria e não demandam nenhum treinamento específico. Se forem de raças de grande porte, é necessário tomar algumas precauções para evitar traumas e quedas. 

Os animais adultos precisam ser apresentados com cuidado. Quando um bebê chega à casa, por exemplo, é importante mostrar a criança para o cachorro, permitir que ele observe e cheire (a alguma distância). 

Carinhos e mimos não podem ser negligenciados, para que o cachorro não se sinta enciumado, entendendo o bebê como um adversário. Não é preciso nenhum exagero – como deixar os dois dormirem no mesmo berço – mas o peludo não pode se sentir rejeitado, colocado em segundo plano. 

Mantenha a rotina do cachorro o mais próximo possível do que era antes de o bebê chegar. O pet pode demonstrar a sua “indignação”, fazendo xixi em locais errados, mas estas condutas tendem a desaparecer em pouco tempo. O cão precisa perceber que continua sendo querido e amado: apenas surgiu mais um membro da família. 

Quando um cão já adulto chega a uma casa com crianças, ele provavelmente tentará repetir o comportamento que exibia no lar anterior. As novas regras de convivência podem ser apresentadas sem problemas, mas o peludo precisará de um tempinho para “processar as informações”. 

Caso ele tenha vindo das ruas ou de um abrigo, é preciso respeitar um período de adaptação – e trabalhar as expectativas de ambos os lados. Provavelmente, o novo pet estará assustado, com a memória ainda vívida dos maus momentos por que passou. 

Deixe a aproximação (especialmente com as crianças) ocorrer de forma gradual, sempre atento a possíveis reações de medo e agressividade. Em uma semana ou dez dias, o pet estará plenamente adaptado à nova família. 

Seja como for, lembre-se de que, em qualquer situação, crianças pequenas, de até cinco anos, precisam da presença de um adulto quando forem dividir espaço com um cachorro, independente do porte do animal. 

A partir dos seis anos, elas já podem brincar sozinhas, de acordo com o temperamento do peludo. Eventualmente, o cachorro poderá sentir-se indisposto ou doente, pouco interessado em brincar ou interagir: este é mais um aprendizado para os pequenos, porque os humanos também se comportam assim às vezes. 

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