Estudo publicado no final de outubro de 2015 confirma: convívio com cachorros reduz asma.

Já era sabido. O convívio com cachorros reduz a asma em crianças. Um cão em casa nos primeiros anos de vida reduz a incidência de doenças nas vias aéreas e nos brônquios. Bebês criados em fazendas são ainda menos suscetíveis a problemas pulmonares, especialmente quando crescem na presença de equinos e muares.

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A convivência com cavalos e jumentos reduz a possibilidade de asma em até 52%. Com os cachorros, a possibilidade é menor: 15%, de acordo com um estudo sueco (a pesquisa foi publicada pela JAMA Pediatrics; foram acompanhadas 650 mil crianças). No entanto, trata-se de uma diferença substancial. A asma é uma doença que provoca sérias limitações, e qualquer possibilidade de redução é sempre bem-vinda.

A asma

Trata-se de uma doença das vias aéreas. O pulmão de um asmático é diferente de um pulmão saudável: os órgãos são mais sensíveis, sempre inflamados. Com isto, os pulmões reagem ao menor sinal de infecção, que pode ser por um vírus, fungo ou bactéria ou mesmo agentes poluentes, como pólen, fumaça e qualquer outro irritante ou alergênico.

No geral, em uma pessoa sem asma, o organismo identifica os agentes irritantes e “fecha“ os canais: a musculatura em torno dos brônquios se contrai e impede que os inflamatórios penetrem o pulmão. Estes gatilhos também acontecem com quem têm asma, mas são menos intensos; assim, a poeira causa irritação severa.

A asma é uma condição extremamente comum, acometendo cerca de 230 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, não existem pesquisas, mas estima-se que 10% da população sofram com o problema.

A conclusão da JAMA Pediatrics é que a presença de animais de estimação – especialmente cachorros – fortalece o sistema imunológico e pode evitar a instalação de alergias. Estudos anteriores apresentaram resultados conflitantes; desta forma, é preciso aprofundar a investigação.

Asma e cachorros

Outro estudo, da Universidade de Uppsala, na Suécia, coordenado pela médica especializada em epidemiologia celular Tove Fall, reuniu avaliações de mais de um milhão de crianças. A base da pesquisa foi a presença regular de cachorros na infância (de zero a sete anos). A conclusão óbvia foi: um cão em casa reduz em 15% a incidência de asma.

Fall, a partir dos resultados obtidos com o estudo, afirma que a pesquisa confirma a hipótese da higiene: a exposição à poeira e à sujeira melhora as nossas respostas aos agentes alergênicos. A resposta imunológica se torna maior à medida que nos expomos à a pelos, pólen, etc.

Os estudiosos propõem que a presença dos cachorros para crianças ajuda a criar mudanças no bioma intestinal (as bactérias e fungos que vivem naturalmente nos nossos intestinos), o que provoca maior preparação para enfrentar certos fatores alergênicos – inclusive o pelo de cão.

Porém, são necessários estudos mais aprofundados, pois os resultados de pesquisas mais antigas apresentam resultados conflitantes. A ONG Allergy UK, da Grã-Bretanha, pesquisou o assunto e revela: 40% das crianças asmáticas são alérgicas a pelos de gato e metade delas, a pelos de cachorros.

Os animais se lambem para se limpar. Neste procedimento, células de saliva, caspa e pelos soltos são liberados para o ambiente. O estudo da JAMA Pediatrics, no entanto, sugere que crianças expostas a esta caspa apresentam menos probabilidades de desenvolver a asma.

A amostragem permitiu identificar um fator hereditário para a ocorrência de asma. Pais asmáticos (ou que tiveram asma na infância) transmitem esta herança para os filhos. Por isto, casais com histórico de asma precisam pensar seriamente em adotar um cachorro antes de engravidar.

 Os riscos de reações alérgicas

Quem convive com animais pode tomar algumas providências para reduzir os riscos de reações alérgicas:

  • mantenha os animais fora do quarto e, preferencialmente, longe de sofás e poltronas;
  • banhos regulares nos animais de estimação da família podem ajudar bastante;
  • filtros de ar e aspirações do ambiente diminuem os riscos de proliferação dos alergênicos;
  • não há raças de cachorros mais ou menos “poluentes”. Mesmo os cães de pelo curto expelem caspa.

 Cachorros e crianças

Com cuidados básicos de higiene e certa distância entre os bebês e os cachorros (evitando lambidas, por exemplo), não há motivos para não ter um cachorro em casa. Na chegada do bebê à casa, basta pedir para alguém dar uma volta com o pet, até que ele se acostume com o novo membro da família.

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O cachorro não deve ser impedido de visitar o berço: ele, como todo o restante da família, está curioso sobre a criança. É preciso deixar que ele se aproxime, identifique o bebê e não se sinta “rebaixado” na estrutura da família: para o cãozinho (por maior que seja), a família é uma matilha – e ele já tem um lugar definido. O bebê é o “novato”.

Bebês e crianças pequenas não têm medo de cachorros. Não é necessário ter medo do relacionamento: as crianças, crescendo, certamente irão enfiar dedos nos olhos e orelhas, morderão unhas e bocas. Não há problemas a temer: em geral, bocas de cachorros (e também de gatos) são mais saudáveis do que as de humanos.

Alergias

Metade das crianças asmáticas é alérgica a gatos e 40% delas são alérgicas a cachorros. Portanto, comprar um pet para uma criança asmática não é uma boa ideia. O principal é já ter um cachorro em casa quando o bebê é recepcionado: o ambiente já está preparado, com todas as inflamações visíveis.

Os animais se lambem para se limpar. Neste processo, caspa, saliva e pelos soltos são eliminados. Este é um fator alergênico – mas também é um reforço para o sistema imunológico, quando a exposição ocorre paulatinamente.


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