Motoboy atrasa entrega para salvar cachorro: ‘o cara jogou o cachorro, fechou a porte e saiu’

O cachorro foi atirado no trânsito. Um motoboy conseguiu salvá-lo, mesmo atrasando a entrega.

A vida dos motoboys não é moleza. Mal entregam uma encomenda, eles precisam correr para atender outros pedidos. Quando não há trabalho, não há salário: a correria faz parte do cotidiano. Mas este motoboy em especial decidiu atrasar uma entrega para salvar um cachorro.

Ele viu a porta de um carro se abrir e o motorista atirar o peludo no meio do trânsito: o cachorro foi abandonado como um traste velho. O motoboy pensou: “Espera aí, você vai morrer no meio de tantos carros”. Ele parou a motocicleta e recolheu o cãozinho.

Abandono e resgate

O episódio aconteceu na Av. Contorno Sul,  na Vila Rural Nova Ucrânia, em Apucarana, cidade na região centro-norte do Paraná, com mais de 130 mil habitantes e muitos congestionamentos. Eduardo Rodrigo dos Santos seguia a rotina de mais um dia de trabalho, quando observou uma cena curiosa.

Um pouco à frente dele, em plena pista, um carro parou rapidamente, abriu a porta do passageiro e atirou um cachorrinho para fora. O animal foi abandonado sem piedade. Para o motorista, pouco importava o que poderia acontecer com o peludo.

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Foto: Arquivo Pessoal/Eduardo Rodrigo dos Santos

Eduardo estava transportando uma encomenda de lanches – e todos esses pedidos são sempre urgentes. Mesmo assim, o motoboy interrompeu o trajeto, recolheu o cachorro e deu uma carona na própria motocicleta.

O importante, no momento, era colocar o cachorrinho em um lugar seguro. No meio das “motos e fuscas que avançam os sinais vermelhos e perdem os verdes”, como canta Caetano Veloso, o animal teria pouca chance de sobreviver ileso.

Rodrigo levou um grande susto – talvez, apenas menor do que o do cachorro. Antes de conseguir chegar até o peludo, ele observou com aflição os carros e caminhões que trafegavam pela avenida tentando se desviar do animal: um verdadeiro sufoco.

O motoboy enviou uma mensagem pelo celular aos colegas do grupo, explicando a situação. Ele recolheu o cachorrinho preto e branco e teria de atrasar a entrega, para levar o peludo. Rodrigo decidiu adotar o animal, que passou a se chamar Thor.

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Foto: Arquivo Pessoal/Eduardo Rodrigo dos Santos

No áudio, é possível ouvir o herói do dia dizendo: “Hoje você não vai morrer atropelado, não. Se depender de mim, você vai continuar vivo. Vamos embora, parceiro”. Rodrigo poderia ter escolhido ignorar o animal em perigo, mas ele fez o certo.

O benfeitor postou fotos de Thor nas redes sociais, mas já havia dito aos amigos que estava resolvido: o cachorrinho ficaria com ele, mesmo que o tutor fosse encontrado. Ele não poderia devolver o peludo para alguém tão irresponsável.

Mas, ninguém se apresentou na internet reclamando o cachorro, nem fornecendo qualquer tipo de informação sobre ele. Três dias depois, Thor foi definitivamente adotado por Rodrigo, que trabalha há dez anos como motoboy e já tinha outro cachorro em casa.

Todos, na família Santos, já se tornaram bons amigos e a vida de Thor segue em frente, com alegria e segurança, graças à ação do novo tutor, que merece aplausos e, mais que isto, deve servir de exemplo. Rodrigo disse à equipe de reportagem do G1 que queria que as pessoas tivessem mais amor no coração:

“Eles falam de paz, de mudar o mundo, mas a melhoria começa em casa, dentro do coração. Se não tiver amor, nada vai para frente.”

Maus tratos

O abandono de animais de estimação pode ser configurado como crime de maus tratos, de acordo com a legislação brasileira, que prevê detenção de dois a cinco anos em casos como o de Thor, além da aplicação de multas.

O episódio também tem o agravante de o animal ter sido deixado em uma via expressa, com grande fluxo de veículos. Crimes como este devem ser denunciados à Polícia Civil, que possui delegacias especializadas para tratar de casos de desrespeito ao meio ambiente e aos animais domésticos ou silvestres.

A adoção de cães e gatos é um assunto muito sério, que deve ser analisado com muita ponderação. Animais de estimação não podem ser considerados objetos de decoração descartáveis, dos quais se pode desfazer quando surge algum problema.

Antes de adotar um pet, é importante verificar se as despesas cabem no orçamento doméstico, se o espaço em casa é suficiente para abrigar mais um membro da família e cuidar das necessidades dos animais.

É preciso lembrar também que cães e gatos envelhecem, ficam doentes e dão muito trabalho, ao mesmo tempo em que divertem, agradam e tornam-se amigos inseparáveis. Quem está pensando em adotar deve pensar também que o novo “filho” pode ser arteiro, antissocial, bagunceiro e até mesmo agressivo. E nada disso é justificativa para abandoná-lo.

Em casos extremos, os animais que não podem mais viver em casa devem ser entregues em abrigos, para que eles tenham pelos menos abrigo e alimento, além da oportunidade de encontrar uma nova família.

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