As zoonoses mais comuns

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Zoonoses são doenças transmitidas dos animais para os humanos. Confira as mais comuns.

As zoonoses são infecções que podem ser transmitidas dos animais (silvestres, domésticos e de estimação) para mulheres e homens. A OMS – Organização Mundial da Saúde – estima que 60% das doenças infecciosas humanas são classificadas como zoonoses. Algumas são raras, outras, extremamente comuns.

Nas referências clássicas, zoonoses são apenas as enfermidades transmitidas entre vertebrados (mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes). Alguns especialistas, no entanto, incluem os artrópodes no grupo de transmissão, tais como pulgas, piolhos e mosquitos.

As zoonoses, na verdade, são provocadas por micro-organismos – geralmente, fungos e bactérias – que colonizam o nosso organismo. Em vários casos, os germes responsáveis estão presentes em animais domésticos saudáveis. Além dos cachorros, os gatos, aves, cavalos e animais de abate também pode transmitir estas infecções.

As zoonoses mais comuns

A autorização para a importação de animais exóticos (pertencentes à fauna brasileira) esbarra em muitos trâmites burocráticos, mas também na necessidade de impedir a proliferação de doenças. Alguns agentes infecciosos podem ser inócuos em determinados locais, mas bastante nocivos em outros.

Da mesma maneira. É proibido criar alguns animais nativos em cativeiro, como papagaios, jabutis e jiboias. Eles podem se infectar com agentes presentes no ambiente urbano e também trazer doenças desconhecidas para os moradores da cidade.

O controle das zoonoses passa pela higienização e sanitarização dos espaços públicos, eliminação de locais propícios a alagamentos, erradicação de parasitas (pombas, ratos, mosquitos, piolhos, pulgas, etc.). No caso dos cachorros, os tutores podem fazer a sua parte, com banhos regulares, limpeza dos espaços de convivência, consultas regulares ao veterinário e vacinação em dia.

As formas de infecção

O contato direto ou indireto com animais de estimação, domésticos e silvestres sempre é um fator de eventuais transmissões de zoonoses. Se o bicho tocado ou observado de perto estiver infectado por bactérias e vírus nocivos, a infecção sempre é possível.

As principais formas de transmissão são as seguintes:

contato direto – o contágio pode ocorrer através do contato com a saliva, urina, fezes, muco, sangue e quaisquer secreções corporais, inclusive as emitidas pela respiração. As mordidas e arranhões também podem atuar como “armas” das zoonoses;

contato indireto – é possível contrair uma zoonose manuseando objetos usados pelos animais infectados (sintomáticos ou não) ou higienizando as áreas em que eles vivem (casinhas, caminhas, etc.). A parvovirose, por exemplo, não é uma zoonose, mas pode ser transmitida de cães para cães até seis meses depois do contágio, porque o vírus se mantém viável em pisos, muros, etc.;

ingestão direta – caso o animal esteja infectado, o tutor entre em contato com as fezes ou urina e leve as mãos à boca ou nariz antes de higienizá-las, os micro-organismos podem ser transmitidos.

As infecções mais frequentes

Relacionamos a seguir as zoonoses mais comuns. A lista inclui apenas as doenças que podem ser transmitidas de cães para humanos:

bicho geográfico – A larva migrans cutânea, conhecida popularmente como bicho geográfico por produzir manchas na pele semelhantes a mapas, é causada por um parasita que retira os nutrientes necessários para as funções do tecido epitelial. Os vetores são os vermes Ancylostoma caninum e A. brasiliensis, presentes nas fezes de cães e gatos e responsáveis por muita irritação e coceira. A transmissão ocorre pelo contato direto ou pela contaminação de alimentos ou água pelas fezes. As larvas aproveitam ferimentos na pele para entrar no organismo e seguir até o intestino, onde se reproduzem e botam ovos, dando início a um novo ciclo. A prevenção é a higienização dos pets depois de passeios e brincadeiras em gramados, jardins, tanques de areia em parques e praças, etc. O bicho geográfico é bastante comum em regiões tropicais;

brucelose – nos cães, a infecção transmitida pela bactéria Brucella canis provoca abortos espontâneos e infertilidade nos machos. A doença pode ser transmitida para humanos, especialmente através do contato com secreções vaginais e da inalação oronasal. Nos humanos, a doença causa febre, sudorese noturna, falta de apetite, calafrios, cansaço e dores pelo corpo. Algumas manifestações alérgicas podem ocorrer. É considerada uma doença funcional, uma vez que afeta principalmente veterinários e trabalhadores de pet shops. É mais comum em indivíduos imunodeprimidos;

criptosporidíase – é uma afecção causada por protozoários do gênero Cryptosporidium, bastante comum: ele sobrevive na água e em ambientes úmidos. O micro-organismo foi descrito em 1907, nos EUA, e já foi encontrado em todas as regiões do planeta, com exceção dos polos. a infecção causa diarreias e gastroenterites severas, que podem ser inclusive fatais para pessoas com o sistema imunológico debilitado. Nos humanos, o vetor mais comum é o C. parvum e o C. hominis, mas outras espécies, como o C. meleagridis (que infecta aves), C. canis (cães) e C. felis (gatos) também infectam o organismo humano;  

doença de Lyme – a doença é transmitida por bactérias do gênero Borrelia, que parasitam carrapatos e completa o ciclo vital em boa parte dos mamíferos e aves. Os cães geralmente apresentam apenas irritação no local da picada do inseto portador. Nos dias seguintes, causa febre, dor de cabeça e cansaço. Sem tratamento, pode provocar dores nas articulações, paralisia de um dos lados da face, rigidez do pescoço e palpitações cardíacas. Mesmo com tratamento, cerca de 20% dos pacientes sofrem com desconforto articular pelo resto da vida. Os sintomas são os mesmos em cães e humanos. A prevenção passa pela eliminação dos vetores, com o uso de carrapaticidas;

esporotricose – é causada pelo fungo Sporotrix schenkii e também é conhecida como doença da roseira. Além de presente em jardins e praças, o micro-organismo adaptou-se a viver em lixões e aterros sanitários. Bastante comum em regiões tropicais, a infecção ocorre nos passeios, mas até mesmo os gatos que não saem de casa podem se infectar, uma vez que os fungos viajam nas correntes de vento. Os humanos contraem a doença na manipulação de fezes e urina dos pets. A esporotricose causa irritações e ferimentos na pele (nos animais, a manifestação tem início no rosto); em casos graves, o fungo pode penetrar a circulação linfática e comprometer todos os órgãos e tecidos;

giardíase – é uma verminose causada pelos protozoários da espécie Giardia lamblia. O contágio ocorre dos cães e gatos para o homem vice-versa. a giardíase é causada pela ingestão de ovos do micro-organismo presentes em carnes cruas e mal passadas, ou durante a higienização de ambientes de animais doentes. Em humanos, a giardíase quase sempre é assintomática, mas pode provocar diarreias é má absorção das gorduras. É uma doença de distribuição mundial, mas é mais comum em regiões carentes. A perda de peso é o sinal mais evidente. Nos cachorros, as diarreias são constantes, o que pode levar um quadro de desidratação. o tratamento é feito com antiparasitários, além de medicamentos específicos para amenizar os sinais;

hantavirose – trata-se de uma virose aguda, transmitida por hantavírus. Na fase inicial, a doença se caracteriza pela febre baixa ou moderada, dores nas articulações, espasmos abdominais, diarreia, náuseas e vômitos (cães e humanos apresentam os mesmos sinais). Em uma segunda etapa, doença pode afetar o coração e os pulmões, provocando dificuldade para respirar, aceleração das pulsações cardíacas, pressão baixa e tosse seca. A hantavirose pode ser fatal. Ela é disseminada, em áreas urbanas, principalmente por ratos, mas o vírus, transmissível através da urina, fezes e saliva, já foi identificado também em pombas;

leishmaniose – a doença é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pela picada de insetos. Todos os mamíferos podem contrair a infecção, que apresenta três tipos principais: cutânea (que causa feridas generalizadas na pele, mucocutânea (que também causa feridas na boca e narinas) e visceral (além das úlceras, também provoca febre, redução dos glóbulos vermelhos e inchaço do baço e do fígado). Os cachorros e gatos não transmitem a doença diretamente para os humanos, mas, infectados podem transferir os protozoários para mosquitos não contaminados, aumentando as probabilidades de proliferação da leishmaniose, que pode ser fatal;

leptospirose – entre humanos, é uma infecção aguda potencialmente grave. É causada pela transmissão de bactérias do gênero Leptospira, que parasitam o organismo de mamíferos. As bactérias podem sobreviver indefinidamente nos rins dos infectados e por até seis meses no meio ambiente. Os micro-organismos são excretados com a urina e podem ser transmitidos diretamente ou através da contaminação da água (em enchentes e inundações, por exemplo). No Brasil, os principais vetores da leptospirose são os ratos (ratazanas, camundongos, etc.). Muitos infectados são assintomáticos; os principais sintomas são febre alta, dores musculares, na cabeça e no peito, vermelhidão nos olhos e cansaço. a maioria dos humanos se cura espontaneamente, mas a leptospirose pode evoluir para a doença de Weil, com icterícia, hemorragias, complicações renais e coma. nos cães, a doença é potencialmente fatal, mas pode ser prevenida com a vacinação;

raiva – é uma infecção viral, que se instala inicialmente nos nervos periféricos e em seguida no sistema nervoso central dos mamíferos carnívoros. Em ambientes urbanos, os cães são os principais transmissores do vírus, que também infectam outros canídeos (lobos, raposas, etc.), morcegos hematófagos e outros animais silvestres. Prevenível com a vacinação para cães, a doença é fatal (até 2006, foram relatados apenas dois casos de cura entre humanos; os cachorros doentes são abatidos). Além das mordidas, a raiva pode ser transmitida através de lambidas em feridas ou na boca. A raiva é impropriamente chamada de hidrofobia, porque parte dos pacientes apresenta intolerência à água a fase aguda;

É perigoso ter animais de estimação?

Não existe nenhum risco em ter cachorros, gatos, ferrets, répteis, peixes, aves ou invertebrados em casa. Mantidos em boas condições de saúde e higiene, além de não transmitirem nenhuma zoonose, eles são bastante úteis para a nossa saúde.

Brincar com um cão o gato, ouvir o canto de uma ave ou observar um aquário ou um terrário oferecem benefícios que vão além da diversão e da contemplação da beleza. É sabido que os animais de estimação ajudam a regular a pressão arterial, reduzindo as chances de doenças cardiovasculares.

Conviver com um cão ou gato nos obriga a fazer exercícios. Mesmo que a atividade física fique abaixo do necessário, um bichinho nos arranca do sedentarismo. Precisamos passear todos os dias com os cachorros, brincar com bolinhas, gravetos, barbantes, etc. Isto contribui para evitar o sobrepeso, fonte de doenças diversas, do diabetes tipo 2 ao infarto do miocárdio.

Mesmo assim, existem alguns riscos de os animais de estimação transmitirem zoonoses para os tutores – e para eventuais visitas também. As formas de prevenção, no entanto, são relativamente fáceis:

  • vacinação;
  • vermifugação regular;
  • higiene (banhos, tosas, corte de unhas, etc.);
  • passeios em ambientes saudáveis.