Adoção de cães: por que é tão importante?

Adotar um cachorro é garantir um amigo fiel por muitos anos. Entenda a importância da adoção.

Quando se pensa em trazer um cachorro para a família, muitas pessoas logo imaginam um dengoso maltês, um robusto pastor alemão, um veloz whippet. Na verdade, todas as raças caninas têm características bastante sedutoras, realmente incríveis. No entanto, a adoção de cães vira-latas vem ganhando espaço no Brasil.

Alguns futuros donos alegam a opção pela adoção de um cão SRD (o simpático vira-latas) por questões filosóficas: eles são contra o comércio de seres vivos. Outros escolhem um animal em um abrigo ou CCZ (centro de controle de zoonoses) por razões financeiras – a adoção é gratuita, inclusive com a vacinação e vermifugação (que, evidentemente, precisam ser renovadas periodicamente).

Questão de afeto

Muitas campanhas que visam à adoção de cães investem no slogan: “adotar é um ato de amor”. Efetivamente, levar um cãozinho (ou canzarrão) para casa pode inclusive impedir o seu sacrifício ou encaminhamento para pesquisas científicas – no final das quais, a imensa maioria dos animais precisam ser mortos, porque estão sem condições de continuar vivendo “como cão”.

De certo, a adoção é um belo gesto, mas é preciso lembrar que o amor tem mão dupla (você e a família toda também vão se apaixonar pelo novo companheiro). Contudo, todo relacionamento amoroso exige respeito, compreensão e cuidado.

Adotar um cão é receber um novo membro do lar. Se ainda for um filhote, ele pode permanecer na família por mais de 15 anos. Se for um cachorro adulto, é difícil precisar quanto tempo ele ainda viverá, mas certamente será um período muito gratificante.

Mesmo um “velhinho” pode garantir boas experiências, mesmo que por um ano (e às vezes menos). Em geral, os cachorros adultos são mais estáveis e, se tiverem tido um lar anteriormente, já conhecem as regras da convivência com humanos.

Os novos tutores precisam se preparar para um período de adaptação. Ao ser introduzido em um ambiente estranho, cães podem se mostrar tímidos ou agressivos, apáticos ou bagunceiros. Além disto, eles ainda não conhecem a rotina da família, não sabem em que cômodos podem circular, não sabem onde fazer as necessidades biológicas. Vale lembrar que os passeios só podem ser realizados depois que a caderneta de vacinação estiver em dia.

Como adotar um cachorro?

O primeiro passo é fazer uma reunião familiar. Todos os membros devem entender os motivos da adoção e as novas responsabilidades que virão com a chegada do cão. Além disto, é preciso identificar eventuais temores, especialmente em crianças.

Com todos de acordo, é o momento de escolher o novo cachorro. Os animais grandes são bons para guarda – mesmo que eles sejam mansos, o porte costuma assustar visitantes indesejados. No entanto, quando se adota um filhote SRD, é quase impossível saber o tamanho que ele atingirá quando adulto.

Os cães pequenos são ideais para companhia e são bons companheiros para crianças, idosos e para quem mora em pequenos apartamentos. Grande ou pequeno, porém, a disponibilidade para brincar e passear com o pet é fundamental na decisão. Vale o mesmo para os “acidentes”, como o xixi no tapete e a almofada destroçada.

Antes de procurar um abrigo, entretanto, é necessário calcular os custos e verificar se eles cabem no orçamento doméstico: ração, equipamentos (roupas, tigelas, etc.), brinquedos, consultas ao veterinário, vacinas, vermífugos, etc.

No canil

Cães recolhidos ao abrigo dificilmente demonstram o temperamento real. Os animais que viveram na rua, mesmo que por curtos períodos, se ressentem da falta de espaço. Todos os pets são obrigados a conviver com muitos outros cachorros e o tratamento, mesmo nos melhores santuários caninos, fica (ou deveria ficar) muito aquém do carinho recebido em um lar de verdade.

Os filhotes conseguem se manifestar de forma efusiva e agitada. No caso de ser esta a escolha, procure um animalzinho com energia igual ou inferior à sua: um cachorro que passe o dia todo brincando, explorando e pedindo carinho pode ser uma “overdose” para muitas pessoas.

Visitar um abrigo provoca um misto de emoções. Por um lado, cada novo latido e um rabinho balançando despertam o desejo de levar o cachorro imediatamente para casa. Por outro, a visão de dezenas de animais praticamente engaiolados provoca mal estar e tristeza.

É necessário agir com a razão. Verifique os animais, selecione alguns, pergunte aos responsáveis pelo canil se o cachorro está confinado há muito tempo, se tem problemas evidentes de saúde, como estão as vacinas e vermífugos.

Se possível, leve o cão escolhido para dar uma volta nas imediações e confira como ele se comporta em relação a comandos simples (como um puxão da corrente, para que ele pare ou sente-se) e também em relação a desconhecidos – os transeuntes e veículos. Caso esteja tudo certo, o novo cão da família pode estar a caminho de casa.

Pontos para pensar

Pessoas solteiras, que passam o dia todo fora de casa, precisam refletir sobre as necessidades do cachorro, que pode se ressentir por ficar sozinho muitas vezes exibindo condutas inadequadas, como destruir objetos ou mesmo mostrar-se feroz.

No momento das férias, é necessário pensar quem ficará com o animal. É preciso cuidar de ele, alimentá-lo, limpar a sujeira. Um amigo pode levá-lo para casa e um vizinho pode dar ração e água. Um dono responsável sabe que, nestas situações, a reprocidade é fundamental.

Como regra geral, as crianças adoram cães (e gatos, passarinhos, peixes, às vezes até insetos). Quando elas se apaixonam por um pet, visto na casa de um colega ou parente, chegam a implorar aos pais para ganhar um cachorrinho. Elas sempre prometem que vão cuidar, levar para passear, arrumar a bagunça.

Entretanto, isto quase nunca acontece. Crianças estão em fase de aprendizado, são imaturas. Os cuidados, com exceção de brincadeiras e pequenos passeios, ficam sempre a cargo dos adultos. Além disto, algumas providências, como consultas veterinárias, compras de ração, encontro de um parceiro para cruzamento, são tarefas dos pais.

Se, com todos estes questionamentos, a família estiver disposta a trazer um novo membro para o lar, muitas ONGs que cuidam de animais mantêm sites (inclusive com fotos) em que exibem os cães disponíveis para adoção e as exigências. As prefeituras também oferecem animais nos canis oficiais.

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