Agressividade canina: como lidar com a agressividade dos cachorros?

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A agressividade canina é normal até certo ponto. Veja como lidar com a agressividade dos cachorros e quando ela se torna um problema.

A espécie Canis lupus familiaris – os nossos queridos peludos – não é violenta. A agressividade canina surge em alguns indivíduos, especialmente nos mais territorialistas, como pastores e boiadeiros, mas não chega a ser um problema. Alguns pets, no entanto, podem se tornar bastante agressivos e precisam ser adestrados.

Em geral, a agressividade canina surge quando um cachorro não identifica, no seu tutor, o líder do grupo e tende a ocupar esta posição. Isto pode acontecer precocemente, ainda quando o pet é um filhote. Os tutores precisam se impor na condição de liderança, para estabelecer relacionamentos saudáveis na família.

Os sinais de agressividade canina

Os sintomas de agressividade canina precisam ser identificados e corrigidos logo que surgem. Com relação a cachorros de raça, criadores responsáveis tendem a usar apenas os cães mais dóceis e submissos para a reprodução.

Agressividade canina

Ao adotar um cão ainda filhote, é possível verificar o seu temperamento ainda quando ele está na companhia da mãe e dos irmãos. Todos eles são curiosos e querem explorar o ambiente, mas alguns revelam comportamento agressivo e não são ideais como cachorros de companhia – a principal atividade dos peludos hoje em dia.

Em casa, é possível identificar alguns sinais:

possessividade com a comida – alguns filhotes podem decidir não permitir a aproximação dos membros da família humana nos momentos das refeições. Rosnadas e avanços não devem ser permitidos;

possessividade com os tutores – os cães podem estabelecer relacionamentos de posse com os humanos. Eles passam a acreditar terem exclusividade nas relações e isto precisa ser coibido imediatamente;

territorialidade – todos os cães possuem forte instinto de proteção e segurança, mas, em casa, este comportamento não deve ser incentivado: são os tutores os responsáveis por decidir quem transita pelos ambientes da casa, nunca os pets.

A prevenção de agressividade nos cachorros

Ao adotar um cachorro, defina quais são os brinquedos que ele pode acessar, os momentos de brincadeiras, os locais em que eles podem descansar e interagir com a família. O tutor precisa ser firme desde o início.

É um erro imaginar que o filhote fofinho, ao demonstrar ciúme e rosnar ou avançar para qualquer pessoa, está sendo protetor e simpático: ele, na verdade, está se assenhoreando das pessoas e ambientes – e esta é uma atribuição dos tutores.

Corrija firmemente qualquer comportamento territorialista, tão logo ele se manifeste. Isso não impedirá que o cão possa ser empregado para guarda, apenas fará com que ele entenda quem é o chefe, quem estabelece as regras da casa.

Uma conduta bastante comum pode ser observada logo nos primeiros passeios. Cães com tendência à agressividade tendem a explorar sem medo as ruas e praças (o comportamento comum é sentir algum medo com o trânsito de veículos e pessoas estranhas).

Um cachorro que puxa a guia durante as caminhadas está sinalizando quem é o líder. Ele quer decidir para onde ir e de que forma chegar. Ensinar os comandos básicos (“fica”, “senta”, “para”, “não”, etc.) é muito importante.

Nunca deixe o pet puxar a guia. Ele entenderá rapidamente quem está no comando. Cães são animais extremamente inteligentes e possuem forte senso de hierarquia. A submissão ao tutor não é uma condição de inferioridade ou degradação: é apenas o posicionamento na “linha de comando” da família.

Os cachorros são animais gregários, sociáveis, e tendem a entender as funções de cada membro. Na natureza, alguns indivíduos cuidam dos filhotes, outros montam guarda no acampamento, outros saem para caçar.

O líder da matilha – o cão alfa – determina a posição de cada membro do grupo. Foi assim que eles aprenderam a respeitar as regras – se fizessem o contrário, provavelmente se tornariam lobos solitários, com grandes dificuldades para sobreviver. Em casa, com humanos, esta forma de organização precisa ser reproduzida.

Machos e fêmeas

Em primeiro lugar, os tutores devem considerar a castração para os seus cachorros. É um procedimento simples, de recuperação quase imediata, que elimina diversos comportamentos inadequados, como a territorialidade.

Além disso, a castração evita fugas e invasões – os machos tendem a escapar quando sentem os feromônios de uma fêmea no cio e estas atraem parceiros sexuais quando atingem o estro, o período de ovulação, em que estão prontas para acasalar.

Veja também: Macho ou Fêmea – Qual escolher?

Os machos não castrados quase sempre se envolvem em brigas com outros cachorros: eles sabem instintivamente que precisam espalhar o mais possível os seus genes. Esta é uma programação natural, apesar de indesejada para quem quer apenas a companhia de um peludo.

Quem tem duas fêmeas não castradas em casa pode ter problemas com a agressividade. Nas alcateias, apenas algumas lobas cruzam e engravidam: a maioria tem de se contentar em ajudar a criar os filhotes.

Esta situação se repete, mas de forma indesejada nas casas de humanos (ou mistas), quando há duas cachorras férteis em casa: a mais forte fará prevalecer a sua condição de liderança, atacando a mais fraca. As brigas podem ter consequências graves.

O medo

Os cachorros foram dotados pela natureza com recursos consideráveis para defender-se e também para atacar. Eles são fisicamente fortes (até mesmo um pequeno maltês possui uma força considerável) e exibem dentes que desencorajam possíveis agressões.

Mas eles também são capazes de sentir medo. Isso acontece quando eles fazem algo errado (os peludos não entendem o que está errado, mas sabem que o tutor está contrariado), quando são “abandonados” ou quando não recebem atenção suficiente.

O medo, uma sensação comum aos animais superiores (como mamíferos e aves), pode desencadear a agressividade e a violência. Antes de sofrer uma possível ameaça, os pets atacam – é uma forma de prevenção, ainda que bastante negativa.

O importante é garantir que os pets se sintam seguros e confortáveis. A rotina da casa, a oferta regular de alimentos, as brincadeiras, os passeios e até as visitas ao veterinário fornecem estabilidade e previsibilidade. Se não há ameaças a combater, não é necessário ser agressivo ou violento.

O tédio

Cachorros são animais sociáveis, mas, no convívio com humanos, muitas vezes eles não encontram condições adequadas para travar contato com outros pets. Longos períodos de isolamento podem levar à agressividade.

Um cachorro deixado sozinho em casa, sem nenhuma atividade, certamente irá procurar alguma coisa para fazer. Isolado, ele se torna entediado, irritado, ansioso, estressado. Cada peludo reage de forma diferente.

Alguns poderão encarar a situação como “normal”: é normal ficar sozinho, não dividir o espaço, não conviver com ninguém. Se eles desenvolverem esses sentimentos, naturalmente se mostrarão agressivos nas oportunidades que tiverem de entrar em contato com outros pets.

Por isso, nunca deixe o seu pet sozinho por períodos prolongados. Todos nós precisamos sair de casa, para trabalhar, estudar, relaxar, ter um momento de lazer. É importante lembrar, no entanto, que o cachorro precisa ter alguma coisa para fazer durante essas separações.

Você pode deixar brinquedos à disposição (varie os brinquedos semanalmente, para que eles tenham ar de novidade), programar a TV ou o computador para reproduzir imagens e sons por curtos períodos durante as ausências, garantir que o pet possa observar o movimento da rua por uma janela e até oferecer uma peça de roupa com o cheiro do tutor. estas providências simples são suficientes para ocupar o cachorro.

Mesmo assim, é importante reservar um tempo para o peludo: ele precisa passear diariamente, brincar com os tutores, relaxar ao lado enquanto nós estamos assistindo à TV, cozinhando ou descansando no sofá.

O ciúme

Cachorros raramente têm ciúme dos tutores. É um mito imaginar que os pets de qualquer tamanho gostem de exclusividade e queiram estabelecer uma relação específica, em um mundo habitado apenas por eles e seus idolatrados tutores. Este é um transtorno humano – não é canino.

Mas os cães podem desenvolver alguns traumas e passar a exibir comportamentos problemáticos. É o caso, por exemplo, de tutores que confundem cães com bebês e carregam os pets no colo para onde forem.

Cachorros são animais ativos, que precisam de exercícios. Alguns gostam de colo, mas os chamegos e carinhos precisam ser reservados para momentos especiais. Alguns pets de pequeno porte, como o yorkshire terrier e o poodle, foram desenvolvidos para atividades intensas, como caçar roedores ou resgatar aves abatidas no voo.

Os ciúmes dos cachorros, na verdade, são comportamentos aprendidos com os tutores. Eles passam a transitar o tempo todo no colo, tornam-se o centro das atenções da casa, recebem regalias indevidas ou exageradas e, claro, acostumam-se com as mordomias.

Isto, no entanto, traz muitos prejuízos para o equilíbrio físico e emocional dos pets. Eles não são crianças de colo (são eternas crianças, mas não de colo), que precisam de auxílio para qualquer deslocamento.

A solução, felizmente, é bem simples. Em vez de mantê-lo no colo o tempo todo, os tutores devem começar a estimular as brincadeiras: uma bolinha, um brinquedo arremessado. Os menores, como chihuahuas e pinschers, podem ser estimulados no próprio sofá da sala.

Alguns saltos, corridas, explorações, caminhadas tranquilas ou mais intensas, são suficientes para dar início ao reequilíbrio dos pets. Tenha certeza de que eles serão mais felizes comportando-se como cachorros, não como crianças humanas.

A correção

Muitos tutores inexperientes permitem o desenvolvimento da agressividade canina. Por não saberem orientar, educar e reprimir condutas inadequadas, é comum ver pessoas às voltas com problemas de violência contra outros animais, pessoas estranhos, visitas e até membros da família.

A solução do problema é passar a desestimular o comportamento indesejado. Se um cão apresenta histórico de brigas com outros animais, ele deve ser isolado e introduzido à presença dos outros pets apenas em situações controladas.

Durante os passeios, a guia curta (e, se necessário, a adoção de uma focinheira) pode impedir que o cachorro agressivo ataque os transeuntes – pessoas, animais e até carros e motos. O tutor precisa entender e demonstrar quem está no controle da situação.

Encurtar os passeios, suspender as brincadeiras em que surjam oportunidades de exibição do comportamento agressivo, desestimular o cachorro assim que ele começa a “mostrar os dentes” são boas oportunidades de reeducação.

Em alguns dias, o pet passará a exibir a conduta desejada pelos tutores e deve ser recompensado todas as vezes – bastam alguns petiscos oferecidos no momento certo para que o cachorro entenda gradualmente o que se espera dele.

Gritos e castigos físicos são totalmente improdutivos. Um cachorro já agressivo apenas responderá com violência ainda maior, especialmente quando ele se considerar em uma disputa com o tutor.

Conclusão

Nunca recompense o comportamento agressivo. Alguns tutores se divertem quando um cachorro se esforça para não entregar um brinquedo, mas, na verdade, estão reforçando uma conduta indesejável, que será transferida para outras situações.

Nunca apele para maus tratos físicos ou emocionais. Ninguém aprende com agressões e não se combate violência com violência. Agredir um cachorro apenas fará com que ele encare a “lei do mais forte” com naturalidade.

Nas atividades físicas – brincadeiras e passeios –, evite deixar o cachorro estressado ou esgotado. Acompanhe o ritmo do pet, que varia de acordo com a idade e as condições de saúde. Se ele ficar agitado, baixe a bola antes de oferecer alimento ou descanso.

Mantenha sempre a liderança. O tutor é o líder da matilha e os demais membros humanos da família precisam ser encarados como superiores aos pets. Inverter as posições gera agressividade, violência e uma convivência muito pouco saudável para humanos e caninos.

Em casos extremos, ou quando o tutor não tem tempo para educar o cachorro, sempre é possível usar os recursos de um adestrador profissional. O ideal, mesmo nestes casos, é que os tutores participem das atividades educativas e de recondicionamento.