Cachorro sem fome: o que pode estar acontecendo?

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Eles são gulosos. Cachorro sem fome é sinal de que alguma coisa errada está acontecendo.

Ninguém melhor do que o tutor para perceber que alguma coisa diferente está acontecendo com o cachorro. Quando os peludos estão sem fome, acende-se o sinal amarelo: não é normal que eles recusem alimento.

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Enquanto alguns cães se atiram sobre o comedouro e só levantam a cabeça quando o prato está vazio, outros (a minoria) são mais delicados e comem como se estivessem escolhendo os grãos de ração.

Para um cão adulto saudável, ficar um ou dois dias sem comer pode não significar nada de errado. Nos dias mais quentes, é comum que o cachorro se mostre sem fome. O mesmo acontece quando, por qualquer motivo, ele deixa de se exercitar como faz normalmente: se o cachorro não está gastando energia, não há razão para repô-la.

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A falta de apetite nos cachorros

A recusa a comer é um dos sinais que mais preocupa os tutores. Os cachorros são bastante resistentes à dor e raramente exibem sintomas patentes de incômodos ou desconfortos. Mas, quando se mostram sem fome, quase certamente alguma coisa errada está acontecendo com eles.

Os principais motivos para a falta ou redução da fome nos cachorros são os seguintes:

  • doenças infectocontagiosas – a inapetência é um sintoma de algumas viroses graves, tais como cinomose, parvovirose, coronavirose, etc.;
  • obstruções – o cão pode estar com uma obstrução intestinal, que pode ser causada por prisão de ventre, presença de objeto estranho ou aderências;
  • tumores benignos ou malignos no trato digestório;
  • problemas nos dentes e gengivas;
  • distúrbios no esôfago, estômago, intestino ou órgãos anexos (vesícula biliar, fígado, etc.);
  • insuficiência cardiorrespiratória;
  • insuficiência renal crônica;
  • insuficiência hepática crônica;
  • intoxicações, que podem ser provocadas pela ingestão de medicamentos, produtos de limpeza, artigos de higiene, venenos, alimentos humanos e algumas plantas, como bico-de-papagaio e comigo-ninguém-pode, e também pela inalação de alguns gases, como monóxido de carbono;
  • desconforto abdominal – dores de barriga podem ser causadas por algum distúrbio gastrointestinal (indigestão, azia, etc.), por ingestão de algo não recomendado ou por traumas.

O desconforto abdominal é a causa mais comum da falta de apetite. Os tutores precisam ficar atentos a outros sinais, como diarreias e vômitos. Qualquer alteração nas fezes (cor, cheiro, textura) precisa ser investigada.

Cães idosos, convalescentes e portadores de doenças osteomusculares podem apresentar falta de apetite, em função da redução das atividades físicas. É importante o acompanhamento do veterinário, para que se possa estabelecer a dieta mais adequada, de acordo com as condições de saúde.

Os cachorros gostam de rotina. Mudanças no dia a dia podem fazê-los perder o apetite. Desta forma, é normal que eles não se alimentem durante um ou dois dias depois de uma mudança de casa, da chegada de um parente ou amigo, de uma reforma em casa, etc.

Alguns medicamentos podem interferir no apetite dos cachorros. Tratamentos prolongados com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) quase sempre atrapalham as refeições. Converse com o veterinário e procure servir os alimentos três ou quatro horas depois de dar o remédio.

Os tutores precisam ficar atentos aos sinais que acompanham a falta de fome dos peludos. Na maioria das doenças caninas, os sintomas são difusos e, muitas vezes, o que é natural para um pet, é uma anomalia para outros.

É importante acompanhar o quadro geral e a persistência dos sinais. Os sintomas agudos normalmente são emergências médicas, mas, mesmo quando sinais leves persistem por mais de dois ou três dias, é necessário levar o pet ao consultório.

Cachorro enjoado

Os cães não percebem os sabores como os humanos. Enquanto nós temos nove mil papilas gustativas na boca, os peludos apresentam menos de duas mil. As papilas gustativas são os sensores do paladar.

É por isso que eles não são tão exigentes com relação ao cardápio e podem passar anos seguidos comendo a mesma ração, mais ou menos na mesma quantidade. Mesmo assim, eles podem enjoar do prato servido pelos tutores.

Alguns cães chegam mesmo a não aceitar alguns sabores – geralmente, a recusa está relacionada aos aromas que se desprendem da ração “galinha e arroz” ou “salmão e legumes”. Trata-se de uma preferência pessoal e, nesses casos, só mesmo trocando o produto.

O cachorro também pode parecer estar sem fome quando os tutores oferecem alimentos em excesso, seja em quantidade, seja em variedade. Depois de um tempo com estas regalias, eles se acostumam com o exagero e passam a recusar. Na verdade, eles estão mais do que saciados e não há com que se preocupar.

Outro erro comum dos tutores é oferecer petiscos indiscriminadamente. Estas guloseimas apenas complementam a alimentação e devem ser dadas apenas em ocasiões especiais ou nos períodos de adestramento.

Uma vez que o cachorro se acostume a ter bifinhos, ossinhos, biscoitos e outros petiscos a qualquer hora, isso prejudica a alimentação e a nutrição. Nos horários de refeições, eles podem estar saciados, mas quase certamente não receberão os nutrientes indicados para as necessidades diárias.

Mesmo a ração, quando fica à disposição durante o dia inteiro, pode fazer o cachorro perder o interesse. É importante que os peludos tenham uma rotina de alimentação, com pratos servidos pela manhã e à noite, por exemplo.

Cachorro sem fome: O que fazer?

• Particione a quantidade diária de ração em duas ou três porções e ofereça em horários fixos, sem lanchinhos extras nos intervalos.

• Retire a tigela de ração 15 ou 20 minutos depois que o cão começar a comer, mesmo que ele ainda não tenha terminado a refeição. Se houver sobras, volte a oferecer meia hora depois e, no dia seguinte, reduza a quantidade.

• Ofereça petiscos apenas como reforços no adestramento e em ocasiões muito especiais, como um dia de brincadeiras ao ar livre ou uma sessão de cinema no sofá. Lembre-se de que os petiscos também fornecem calorias e, se a oferta for excessiva, o cão poderá ganhar peso.

• Não ofereça alimento logo antes ou logo depois das brincadeiras e treinamentos. Espere que ele descanse pelo menos meia hora, para o metabolismo voltar à normalidade.

• Estresse e ansiedade alteram o apetite dos cachorros. Caso o peludo apresente alterações súbitas de comportamento, como apatia, irritação sem motivo, sono excessivo, etc., verifique se não há algo errado na rotina do pet.

Cachorro sem fome: O tratamento

Caso o cachorro permaneça por mais de dois dias sem fome, recusando alimento totalmente, é preciso procurar atendimento médico. Se outros sintomas acompanharem a falta de apetite, a consulta com o veterinário precisa ser antecipada.

No consultório, o médico avaliará as condições físicas e comportamentais do cachorro e ouvirá os tutores, para investigar as causas da falta de fome. O tratamento depende das suspeitas que o profissional verificar.

Em alguns casos, o cachorro precisa ser submetido a exames laboratoriais e de imagens. É importante que os tutores relatem todos os detalhes da rotina do animal, mesmo que pareçam sem importância.

Uma vez fixado o diagnóstico, o tratamento sugerido precisa ser seguido à risca. O cachorro pode precisar ser submetido a procedimentos clínicos e cirúrgicos, adotar uma nova dieta e rotina de exercícios, eliminar alguns hábitos do dia a dia.

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