Cachorro pode comer doces? Não! Cachorros não podem comer doces, nem outros alimentos humanos. Conheça os perigos.

No que diz respeito à nutrição dos pets, a desinformação pode ser perigosa. Em muitas famílias brasileiras, ainda é comum a oferta de alimentos para cachorros e gatos. Os restos da mesa acabam indo parar na tigela. Cachorros não podem comer doces; sal e óleo vegetal são desnecessários. Há muitos perigos escondidos especialmente nas guloseimas.

Entre os doces mais perigosos, que representam emergência médica, estão os que levam os seguintes ingredientes na receita:

  • xilitol (um adoçante natural);
  • uvas, inclusive passas;
  • brotos de batata e de tomate;
  • chocolate e outros derivados do cacau;
  • abacate;
  • coco;
  • café;
  • guaraná;
  • leite e derivados, para os pets que sofrem de intolerância à lactose;
  • leguminosas.
Cachorro podem comer doces

Os perigos dos doces

Doces aumentam a fermentação na boca. O açúcar oferece o ambiente perfeito para a proliferação excessiva das bactérias que vivem naturalmente na cavidade bucal de todos os animais, inclusive nós.

O resultado é a formação do tártaro, uma placa bacteriana junto ao espaço entre os dentes, a gengiva e a língua dos cachorros. Esta placa se desenvolve gradualmente e, uma vez formada, só pode ser retirada por especialistas.

A placa bacteriana pode levar às cáries. Isto significa muita dor, desconforto e, no médio prazo, a perda dos dentes. Um tratamento odontológico, como obturações e extrações, só pode ser feito em cães com anestesia geral e, para animais idosos ou portadores de algumas doenças, nem sempre é possível a sedação cirúrgica.

Os doces também oferecem carboidratos além do necessário. Ao escolher uma ração de qualidade, os tutores podem ter certeza de que o produto é suficiente para fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento, conservação e manutenção orgânica dos cachorros.

A cota extra de carboidratos se deposita gradualmente no organismo como uma espécie de estoque de energia para os tempos de pouco alimento.

Na natureza, muitas vezes, os animais passam vários dias sem encontrar uma presa para se alimentar e o organismo desenvolveu esta estratégia para que os seres não morram de inanição quando não conseguem caçar.

Em casa, a ração está sempre na despensa, à disposição para ser servida diariamente. Os carboidratos aumentam o estoque de energia e contribuem para o ganho de peso.

Sobrepeso e obesidade são considerados, pelos especialistas, como doenças – e não apenas como um problema estético ou uma condição potencial prejudicial. Os cachorros com uns quilinhos a mais têm dificuldade para:

  • fazer exercícios físicos e caminhadas;
  • manter o equilíbrio do sistema cardiorrespiratório e vascular;
  • garantir, através dos rins, a filtragem adequada do sangue. No médio prazo, isto pode redundar em insuficiência renal;
  • conservar a integridade da mucosa gástrica – as lesões na cobertura interna do estômago levam a gastrites e úlceras;
  • garantir o funcionamento do fígado, uma glândula importante do aparelho digestório.

O mau funcionamento do fígado impossibilita a produção eficaz da bílis. Um líquido alcalino cujas funções são quebrar as gorduras dos alimentos e facilitar a captação dos nutrientes pelo intestino.

Os doces aumentam a taxa de triglicerídeos em suspensão na corrente sanguínea. Triglicerídeos são exatamente as gorduras do estoque estratégico, mas, em excesso, se desprendem e passam a circular no sangue.

Estas substâncias são responsáveis pela formação de trombos e coágulos, que conseguem estreitar ou até mesmo obstruir os vasos sanguíneos. Dependendo do local em que se localizam, podem causar infartos do miocárdio, isquemias, embolias, acidentes vasculares cerebrais, etc.

Os cachorros, assim como os gatos, são tipicamente resistentes ao desenvolvimento de placas de gordura na corrente sanguínea, uma vez que o HDL (lipoproteína de alta densidade) é a proteína de transporte predominante (nos humanos, é o LDL, de baixa densidade, também chamado de “colesterol ruim).

Maus hábitos alimentares, no entanto, aumentam a oferta de gordura, tornando os nossos pets suscetíveis a todas estas doenças, que são tipicamente humanas. Este é um dos principais motivos para não oferecer comida humana para cachorros.

O diabetes canino

O excesso de açúcar também pode danificar o pâncreas, órgão responsável por produzir a insulina, substância que induz a absorção da glicose pelas células. A diabetes em cães apresenta dois tipos:

• tipo 1 – surge com a má-formação do pâncreas (portanto, tem origem congênita), que não é capaz de produzir insulina ou produz o hormônio de baixa qualidade. É bastante rara em cães;

• tipo 2 – surge com o excesso de glicose à disposição no organismo, que obriga o pâncreas a trabalhar em excesso. Com o tempo, o órgão se exaure e deixa de produzir os hormônios. É uma doença causada por maus hábitos, como alimentação inadequada e sedentarismo.

Os cães diabéticos apresentam perda de peso, sede excessiva, aumento do apetite e cansaço sem motivo aparente. Na maioria dos casos, os pets precisam receber doses diárias de insulina sintética diariamente, pelo restante da vida (a doença não tem cura), além de terem a dieta alimentar alterada drasticamente.

Os animais sem tratamento apresentam diversas complicações, como problemas oculares (glaucoma e catarata, que podem culminar na cegueira), infecções recorrentes (especialmente no sistema excretor, nas vias respiratórias e na pele), pancreatite crônica e crises agudas de cetoacidose, a falta de insulina na corrente sanguínea.

O chocolate

Todos os males dos doces também são válidos quando se pensa em chocolate, um dos doces prediletos dos humanos. Não existe uma quantia mínima que pode ser oferecida para os cachorros – para os humanos, nutricionistas recomendam a ingestão diária de uma barra de 50 gramas de chocolate meio amargo.

Além do açúcar refinado, que os cães não podem comer, o chocolate também é rico de gorduras, uma vez que a maioria é fabricada com leite integral, outro alimento que não deve ser oferecido para os peludos, exceto por recomendação médica.

Além dos males dos doces em geral, o chocolate também fornece duas substâncias tóxicas para os cachorros: teobromina e cafeína. Qualquer quantidade destas substâncias pode ser fatal, especialmente para os filhotes, animais de pequeno porte e portadores de doenças cardíacas crônicas.

A intoxicação por chocolate é um dos mais frequentes tipos de envenenamento sofridos pelos cachorros (seguido de perto pela ingestão de produtos de limpeza). Os principais sintomas são os seguintes:

  • diarreia;
  • ânsias e vômitos;
  • reações alérgicas (erupções cutâneas).

Os sinais costumam aparecer entre seis e 12 horas da ingestão (por isso, é preciso manter os chocolates a uma distância segura da boca dos pets). Caso o tutor note que o cachorro comeu chocolate, deve levá-lo o quanto antes ao veterinário e informá-lo sobre a quantidade e tipo do doce ingerido.

Além dos sintomas básicos, os cachorros seriamente intoxicados apresentam desorganização motora, hiperatividade, respiração ofegante, batimentos cardíacos acelerados ou arrítmicos, tremores musculares e convulsões. O quadro pode inclusive evoluir para o coma e a morte, se não houver intervenção médica de emergência.

A matéria-prima do chocolate é o cacau, cujas amêndoas são torradas e fermentadas. A fruta, nativa do México, é consumida desde tempos imemoriais por humanos, mas o metabolismo canino encontra dificuldades para sintetizá-la.

A dificuldade em digerir é explicada principalmente pela alta concentração de metilxantinas, substâncias que estimulam rápida e intensamente o sistema nervoso central (SNC). Além do cacau, as metilxantinas também são encontradas no café, chá (especialmente branco, verde e preto) e guaraná.

Estas substâncias são absorvidas rapidamente pelo intestino dos cachorros e distribuem-se, através da corrente sanguínea, pelo sistema nervoso periférico, com efeitos nocivos principalmente aos pulmões e ao coração.

Uma pequena quantidade de chocolate pode ser fatal para os cachorros. Estudos indicam que a ingestão de 250 miligramas de metilxantinas por quilo de peso corporal danifica séria e permanentemente o SNC. Assim, um cachorro de 5 kg pode morrer ao ingerir apenas 1,25 grama da substância.

A teobromina, que facilita a absorção de metilxantinas, é a substância responsável pela cor marrom do chocolate. Quanto maior o teor, mais rapidamente o organismo processa as substâncias tóxicas, liberando-as na corrente sanguínea. Portanto, os chocolate meio amargos são potencialmente mais perigosos, porque são mais ricos em teobromina.

Não existem medicamentos para interromper a absorção dessas substâncias pelo organismo. O especialista tentará administrar os sintomas e estabilizar o pet. Outros procedimentos incluem a administração de carvão ativado, para desacelerar a absorção, e a lavagem gástrica, caso não seja possível a indução ao vômito.

Nossa história

Os cachorros são pidões por natureza. Quando eles observam um membro da família comendo alguma coisa, eles querem partilhar o alimento. Em séculos de convivência com os humanos, nossos peludos aprenderam a fazer caras e bocas para serem notados.

Na natureza, os cachorros obedecem a uma hierarquia rígida (em casa, eles tendem a identificar os humanos como os líderes que devem ser respeitados, porque são eles que garantem alimento, segurança, proteção, etc.).

Isto não significa, no entanto, que eles não demonstrem as suas necessidades. Assim, quando um bando caça uma presa qualquer, os líderes se alimentam primeiro, enquanto os demais ficam à volta, ganindo e uivando para não ficar sem a sua porção.

Os cachorros não sabem que a comida não vai acabar – e, quando acabar, basta que o tutor vá à pet shop ou supermercado. Eles também não comem apenas quando sentem fome: se esperassem ficar famintos antes de sair para caçar, provavelmente morreriam antes de encontrar uma presa disponível.

Por isso, eles aprenderam a fazer uma “cena dramática” para pedir comida. São uivos, ganidos, caras tristes, posturas de submissão total. Uma pessoa desavisada poderia garantir que esses cachorros não veem alimento há várias horas, talvez dias.

Evidentemente, toda a cena é desnecessária para cães bem nutridos. Partilhar uma refeição, no entanto, para eles, pode significar fazer parte da matilha. Os tutores precisam aprender a dizer não porque, a cada “passo em falso”, os pets entenderão que tiveram êxito na empreitada e continuarão com a pantomima toda vez que virem uma refeição ou um lanche.

Os cachorros não precisam receber alimentos de sabores variados. Nós passamos a diversificar as refeições há pouco tempo (relativamente), quando começamos a cozinhar os alimentos, algumas dezenas de milhares de anos atrás. Para os cachorros, a ração é um manjar.

Além disso, eles apresentam, em média, apenas 1.700 papilas gustativas (as estruturas bucais responsáveis pela percepção do sabor), conta as 9.000 da boca humana. Isto não significa que eles não sentem o gosto, apenas que este sentido não é tão aprimorado.

Por outro lado, o olfato é extremamente apurado. Eles conseguem identificar cheiros diferentes em cada narina, possuem estruturas diferentes para inalar e cheirar e possuem 300 milhões de células olfativas, enquanto os humanos apresentam apenas cinco milhões.

Isto significa que é quase impossível que um cachorro não detecte imediatamente que um alimento está sendo refogado, um bolo está saindo do forno ou um petisco está escondido no bolso do tutor.

Doces aprovados

Efetivamente, vale a pena oferecer algumas guloseimas para os pets entre as refeições. Muitos deles aceitam vegetais (experimente pedaços de cenoura ou de banana), os petiscos industrializados são excelentes para o adestramento e para um agrado extra. Os doces, no entanto, precisam ficar de fora destas “regalias”.

Vale lembrar: os cachorros podem e devem receber açúcares na dieta alimentar. O mais indicado é a frutose, presente em frutas, verduras e legumes. Trata-se de uma importante fonte energética, que pode ser oferecida diariamente. Mas as sementes são prejudiciais ao organismo canino.

O iogurte é uma boa opção para aumentar a palatabilidade das rações. Duas colheres (sopa) por tigela de ração são suficientes para cães de porte médio e grande (apenas uma para os pequenos). Escolha produtos desnatados e sem adição de frutas, mel, grãos, etc., para reduzir o consumo calórico.

Um agrado que pode ser feito – esporadicamente e com moderação – é a oferta de “chocolate para cachorro”. São petiscos com aroma e textura semelhantes aos do chocolate, mas fabricados com alfarroba, fruta benéfica para os pets, porque é rica em vitaminas (A e do complexo B) e minerais (cálcio, fósforo, ferro, magnésio e potássio).


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