Os cães sempre fizeram sucesso nas telas. Leais, heróis, amigos, eles são os protagonistas ideais para qualquer trama.

Provavelmente, o primeiro lugar no “Hall of Fame” canino cabe à Lassie, a cadela mais famosa do mundo. A personagem – uma collie de pelo longo – surgiu em 1938, em uma série de crônicas publicadas pela “Saturday Evening Post”, revista da Pensilvânia (EUA).

Cinco anos depois, a MGM transformou os artigos em filme: “Lassie Come Home” (no Brasil, “A Força do Coração”). Para coadjuvar a trama, uma atriz mirim ficava à sombra de Lassie: nada mais, nada menos do que Elizabeth Taylor.

Na verdade, Lassie era interpretada por um macho, Pal, que estrelou outros seis filmes até 1951. Em 1954, a atração foi transformada em seriado de TV. Até 1973, quando “Lassie” saiu do ar, vários filhotes de Pal encarnaram a heroína, sempre envolvida em situações de resgate, defesa de crianças, ataque a feras e bandidos, etc.

lassie
Lassie, com o núcleo central do seriado, em 1955.

Uma segunda série foi ao ar na década de 1980 e a cadela collie foi a figura central em outros dois filmes; um deles, remake do longa-metragem de 1943, foi rodado na Inglaterra, tendo Peter O’Toole no elenco. Apenas Lassie e dois outros cães têm as patas eternizadas na Calçada da Fama de Hollywood.

Os outros astros são pastores alemães: Rin-Tin-Tin e Strongheart, o pioneiro. Com o pseudônimo artístico de Jean, Strongheart fez carreira ainda nos anos 1920, atingindo o estrelato com “Caninos Brancos”, em que interpreta um lobo.

Rádio, cinema e TV

Rin-Tin-Tin é um pastor alemão mais conhecido pelos serviços prestados ao exército americano. Em uma série que estreou na TV em 1954, o cão é resgatado, juntamente com um garoto (cabo Rusty), depois de um ataque de índios apaches a uma caravana. Pouca gente sabe, no entanto, que o animal real teve várias outras atuações e a sua própria história tem toques épicos.

O pastor alemão original foi encontrado em setembro de 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, em um canil abandonado pelos alemães. No abrigo canino de Toul-aux-Lorraine (França), o cabo Lee Duncan identificou uma cadela com cinco filhotes.

Rin-Tin-Tin com o cabo Rusty e dois oficiais da cavalaria americana. A foto é de 1956.
Rin-Tin-Tin com o cabo Rusty e dois oficiais da cavalaria americana. A foto é de 1956.

Ao final da guerra, Duncan ficou com um casal da ninhada: Nanette e Rin-Tin-Tin (o nome é dado a bonecos de boa sorte que os soldados franceses sempre trazem junto ao uniforme). A fêmea não resistiu, mas “Rinty” aprendeu um número incrível de truques.

Transformado em cão acrobata, ele foi descoberto por um produtor cinematográfico e estrelou o primeiro longa: “The Man from Hell’s River”. Rin-Tin-Tin também interpretava um lobo no filme, que entrou em cartaz em 1922.

Em 1923, Rinty estreou “Where The North Begins”, ainda na era do cinema mudo. O filme fez tanto sucesso que surgiu uma lenda: o pastor alemão fotogênico e heroico teria salvado a Warner Brothers da falência iminente. A produtora continua a pleno vapor na indústria cinematográfica. Até 1930, foram 30 filmes com o cão herói.

Na rádio, Rin-Tin-Tin fez sucesso em novelas e contos, entre 1930 e 1955 (evidentemente, vários cachorros interpretaram o protagonista). Este cão tornou-se “rival” direto de Strongheart, Ranger e Lightning: cada emissora criou o seu próprio cão estrela.

A série mais famosa (no mundo todo) é “As Aventuras de Rin-Tin-Tin”, ambientada no velho oeste americano, num quartel-general em Mesa Grande (Arizona) sempre envolvido com ataques de índios e bandidos que fugiam do leste dos EUA. O seriado foi filmado até 1959, com reprises até 1964. Voltou à TV em 1976, em uma versão colorizada.

Os SRD também têm vez

Benji é um mestiço, pequeno e amável. Uma vez que não tem força para atacar os vilões, nem para resgatar vítimas de acidentes, talvez a sua principal habilidade seja estar sempre no lugar certo, na hora certa. No primeiro filme da série, ele é adotado por praticamente toda a cidade, apesar de ter predileção pela família Chapman.

O cartaz de lançamento de “Benji” (1974).
O cartaz de lançamento de “Benji” (1974).

Entre 1974 e 2004, Benji foi a estrela de seis longas-metragens, o primeiro deles, que leva o nome do protagonista, foi sucesso de crítica e público, com uma renda de US$ 45 milhões (para um orçamento de apenas US$ 500 mil). Ironicamente, todos os estúdios de Hollywood procurados por Joel Camp (o diretor do filme) recusaram-se a distribuir “Benji” internacionalmente, tarefa assumida pelo próprio Camp. De acordo com a revista “Variety”, o filme com o simpático cachorrinho obteve o terceiro lugar em bilheteria, no ano em que foi lançado.

Agente secreto

Ele não é protagonista, mas rouba as cenas. Ao lado de Will Smith e Tommy Lee Jones, o pug Frank aparece em momentos cruciais de “Men in Black” (MIB), filme paródico de ficção científica, lançado pela Columbia Pictures in 1997.

Frank, em MIB, contracenando com Will Smith.
Frank, em MIB, contracenando com Will Smith.

A sequência estreou em 2002 e um terceiro MIB chegou às telas dez anos depois, já sem a presença de Frank, bastante notada pelo público. Na verdade porém Frank (aliás, Mushu) já tinha sete anos quando atuou em “Men in Black II”. No último filme da trilogia, provavelmente ele já estava no céu dos cães.

Sensibilidade zero

Apesar do nome, este são bernardo é bastante atrapalhado. Batizado de Beethoven, como o compositor alemão, ele faz parte de um grupo de filhotes roubados de uma pet shop. A trama do primeiro filme, lançado em 1992, avança pelos encontros e desencontros de Beethoven com as outras vítimas.

Cartaz de lançamento de “Beethoven”.
Cartaz de lançamento de “Beethoven”.

A série cinematográfica exibiu as aventuras de Beethoven em outros cinco longas-metragens, entre 1993 e 2011. Na estreia, o são bernardo trapalhão foi interpretado por Chris, um cão adestrado por Karl Lewis Miller, que também treinou o pastor alemão de “K-9 – Um Policial Bom pra Cachorro”.

Recorde instantâneo

“Marley e Eu”, da Twentieth Century Fox, foi lançado no Natal de 2008 e tornou-se um sucesso instantâneo: apenas durante as festas natalinas, o filme faturou quase US$ 15 milhões. A história é baseada em um livro de memórias escrito por John Grogan.

Cartaz de Marley, “o pior cão do mundo”.
Cartaz de Marley, “o pior cão do mundo”.

O enredo conta o relacionamento de um casal recém-chegado à Flórida. Quando o par começa a pensar em ter um filho, um colega sugere que adotem um cão, como um teste para a futura paternidade. É assim que Marley (batizado em homenagem ao cantor de reggae Bob Marley) surge em cena. O labrador é incorrigível e consegue a proeza de ser expulso das aulas de adestramento. Mais que isto, só assistindo ao filme.

Muitos outros filmes contaram com o brilho de cães. Seja protagonizando a cena, como Roger e Brenda, em “Os 101 Dálmatas”, seja coadjuvando o trabalho da “dona”, como Totó, que acompanhou Dorothy no clássico “O Mágico de Oz” (1926). O importante é que, nas telonas ou fora delas, os cachorros continuam sendo “os melhores amigos dos homens”.


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