06 dicas de cuidados com filhotes de cachorros

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Um bebê de quatro patas está chegando? Confira os cuidados necessários com filhotes de cachorros.

Filhotes de cachorro são tudo de bom. Eles são divertidos, curiosos, um pouco estabanados e, não importa o tamanho que terão quando crescerem, são bebês frágeis, que precisam de carinho, proteção e cuidados.

Quem adota um filhote de cachorro precisa estar preparado para mudanças radicais no cotidiano. Os cãezinhos demandam afeto e segurança. Afinal, eles acabaram de deixar o alimento, a proteção e o calor da mãe e dos irmãozinhos. A separação gera medo, angústia e estresse. Eles têm um mundo inteiramente novo para conhecer.

Cuidados com filhotes

Não se trata apenas de uma cama quentinha e uma tigela de comida. Filhotes de cachorros necessitam de vacinas, acompanhamento veterinário, vermífugos, antiparasitas, cuidados especiais com a troca dos dentes, adestramento, diversão.

Antes de receber o filhote de cachorro em casa, certifique-se de que o local é “à prova de acidentes”. Cubra os pisos escorregadios, retire do alcance objetos que possam ser engolidos e elimine todas as rotas de fuga. Alguns cães são escavadores e saltadores exímios desde pequenos.

Não importa a raça ou a mestiçagem, todos os filhotes de cachorro dão muito trabalho. Talvez seja necessário abrir mão da happy hour, de algumas baladas, passeios e viagens. Afinal, um bebê desprotegido, que precisa dos tutores para literalmente tudo, acaba de chegar para transformar a casa e a vida.

01. As acomodações

Logo na chegada, os filhotes de cachorro precisam ser apresentados a todos os membros da família e a todos os ambientes da casa, especialmente aqueles em que eles poderão transitar. É possível que os pets mais antigos, as crianças e até mesmo alguns adultos sintam um pouco de ciúme. É natural, mas precisa ser trabalhado.

Não importa o tamanho e a rusticidade do cachorro: filhotes sentem frio, não podem ser expostos a correntes de ar nem ficar em locais úmidos. A hipotermia é comum até os seis meses de vida eles precisam ser agasalhados, para diminuir os riscos de que eles contraiam resfriados, gripes e pneumonias.

Mesmo os cães SRD (sem raça definida) – os populares vira-latas –, famosos pela resistência física, ainda não possuem o sistema imunológico formado e podem contrair diversas doenças, até mesmo morrer, caso sejam deixados no frio e na umidade.

Quando os filhotes ainda estão com a mãe, os anticorpos da cadela são suficientes para protegê-los. Mas, assim que são adotados e se despedem do lar materno, tornam-se muito suscetíveis a doenças, especialmente respiratórias.

O ideal é providenciar uma caminha quente, com almofadas ou bichos de pelúcia – que farão as vezes da mãe e dos irmãos deixados para trás. Instale a cama próximo ao local em que os cachorros irão passar a maior parte do dia.

Se eles foram adotados para guardar a casa, por exemplo, coloque a cama nos primeiros dias na cozinha ou na entrada de serviço. Gradualmente, em 15 ou 20 dias, transfira os pets para a casinha de cachorro na área externa.

A menos que você queira dormir com o cachorro na mesma cama nos próximos 12 ou 15 anos, resista {a tentação de deixá-lo dormir com você no primeiro dia. Coloque a caminha ao lado e afaste-a pouco a pouco para a porta do quarto.

É possível que, nas primeiras noites, filhotes de cachorros chorem bastante. É natural: eles estão apavorados com o desconhecido, sentem frio e não têm mais o leite da mãe à disposição (até os três ou quatro meses, mesmo já recebendo alimento sólido, eles continuam mamando na cadela).

O choro provavelmente atrapalhará o sono da família, mas não se levante da cama para confortar o pet: se ele está alimentado, aquecido e não tem problemas de saúde, não há motivo para “chamar” os novos pais. Caso você faça isso, ele associará o choro à presença da família e repetirá o comportamento sempre que quiser companhia.

02. Troca de dentes

Entre o quarto e o quinto meses de vida, os filhotes de cachorro começam a perder os dentes de leite e, nas gengivas, começa a despontar a dentição permanente. É importante acompanhar com atenção, uma vez que nem todos os dentes de leite caem naturalmente e precisam ser extraídos para evitar que os dentes definitivos cresçam desalinhados.

Nos eventos oficiais, algumas raças caninas são penalizadas caso não apresentem a dentição completa (42 dentes), inseridos ortogonalmente na gengiva e com a mordedura certa para o tipo de cão.

Cuidados com filhotes1

Mas, independentemente das competições e do aspecto estético, uma dentição desalinhada compromete a mastigação, pode causar dor e prejudicar a absorção adequada dos alimentos. Dentes sobrepostos também facilitam a formação da placa bacteriana e diversos problemas bucais, de uma gengivite simples à perda de dentes.

De leite ou permanentes, os dentes precisam ser higienizados com regularidade. Com filhotes de cachorros, é mais fácil estabelecer o hábito da escovação, que deve ser diária ou, no máximo a cada dois dias. Transforme o hábito de higiene em uma brincadeira e, em pouco tempo, os próprios pets indicarão a “hora do creme dental e da escova”.

Premie os filhotes sempre que eles se comportarem bem, com petiscos, carinhos e palavras de incentivo, e eles não terão dificuldade nem mostrarão resistência para escovar os dentes nem para qualquer outra atividade.

03. A alimentação

São tantas as rações disponíveis no mercado que os tutores ficam em dúvida sobre qual seria a melhor. O Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária classificam as rações industriais em três tipos (a informação deve constar dos rótulos):

standard – são as mais simples e baratas. São elaboradas com ingredientes comuns, em grande parte de origem vegetal. Alguns estudos indicam que elas apresentam baixo grau de absorção – os cachorros precisam comer mais para garantir todos os nutrientes. Desde que sejam registradas nos órgãos competentes, podem ser oferecidas sem susto;

premium – são formuladas com ingredientes nobres, que permitem maior absorção pelo organismo canino. A porcentagem de ingredientes de origem animal é maior (os cães são carnívoros!) e as rações são complementadas com vitaminas e minerais que enriquecem a dieta;

super premium – são as mais caras, formuladas com cortes nobres de carne bovina, suína, de aves e peixes. Também são enriquecidas com micronutrientes importantes para a saúde e bom desenvolvimento dos filhotes.

Veja também: Diferenças das rações standard, premium e super premium

Existem rações específicas para cachorros filhotes, com maior percentual de cálcio e proteínas, por exemplo, que garantem o bom desenvolvimento dos ossos e músculos. As rações a granel devem ser evitadas, a menos que haja total confiança na pet shop que as comercializa.

Os tutores podem optar por oferecer comida caseira, mas, neste caso, é preciso contar com supervisão médica, para garantir que todos os nutrientes – proteínas, gorduras, açúcares, vitaminas e sais minerais – estejam presentes na dose certa.

Os filhotes de cachorros devem receber de três a cinco refeições diárias. A quantidade varia de acordo com o porte do pet, mas está indicada nas embalagens dos produtos. Não se deve oferecer leite de vaca nem qualquer tipo de alimento humano para os pets.

O leite pode provocar transtornos gastrointestinais e o alimento humano, desde alergias e desconfortos até queda total de pelos ou uma torção gástrica. Além disso, o sal causa retenção de líquidos e o excesso das gorduras, mesmo vegetais, aumenta o risco de sobrepeso e obesidade.

Algumas raças caninas são especialmente gulosas. Este comportamento deve ser observado pelos tutores. Se eles comem muito rápido, provavelmente pedirão mais alimento logo em seguida. Apenas fracione as porções e ofereça ao longo do dia.

Petiscos, como bifinhos e ossos sintéticos, são excelentes para o adestramento e ajudam na limpeza bucal, mas devem ser oferecidos com comedimento. Os filhotes de cachorro podem se acostumar com algumas frutas e legumes, mas alguns são tóxicos para eles, como uvas, feijão e sementes de qualquer tipo.

As raças mais gulosas são as seguintes:

  • pug;
  • buldogue inglês;
  • beagle;
  • dachshund (teckel);
  • poodle;
  • pinscher;
  • basset hound;
  • retriever do labrador.

Todos os cães, filhotes e adultos, apresentam faro extremamente aguçado. Eles são capazes de identificar uma guloseima a dezenas de metros de distância. Para evitar “acidentes”, mantenha os alimentos fora do alcance dos pets.

04. A saúde dos filhotes de cachorros

Quem adota um cachorro SRD ou de raça deve estar preparado com o aumento das despesas domésticas. Um dos novos gastos é com consultas ao veterinário, para conferir se está tudo ok, se o filhote está se desenvolvendo normalmente, etc.

Os filhotes de cachorro de raça adquiridos em canis oficiais normalmente já chegam em casa com as primeiras doses de vacinas e vermífugos. Mesmo assim, caso eles não tenham uma caderneta de vacinação, os tutores devem aplicar:

• a vacina múltipla ou polivalente (V8 ou V10). A primeira dose deve ser ministrada entre seis e oito semanas de vida. De acordo com o porte do animal, devem ser aplicados três ou quatro reforços, com intervalos de três a quatro semanas;

• a vacina contra raiva (antirrábica), em dose única ao completar 16 semanas.

A critério do veterinário, os cães podem receber vacinas contra giárdia, tosse e gripe canina, entre outras (a indicação tem como base a incidência das infecções na região de moradia). Todas as vacinas precisam ser reaplicadas anualmente.

As vacinas V8 e V10 protegem contra cinomose, hepatite infecciosa canina, adenovirose, coronavirose, parainfluenza canina, parvovirose e leptospirose. A coronavirose canina é uma doença diferente da covid-19, causada por outro tipo de vírus.

A V8 imuniza contra dois vírus causadores da leptospirose e a V10, contra quatro. Existem também as vacinas V11 e V12 (a diferença é o número de leptospiras evitados), mas são pouco aplicadas no Brasil.

05. A higiene

Antes de completar o ciclo inicial de vacinas e vermífugos, os filhotes de cachorro apresentam baixa resistência imunológica e não é recomendado dar banho nem permitir brincadeiras com água (piscinas e mangueiras, por exemplo).

Os cachorros não precisam de banhos diários: eles não possuem glândulas sudoríparas na cabeça, tronco, braços e pernas (eles suam através da língua e dos coxins plantares). Por isso, não ficam com cheiro ruim. O odor natural, mesmo que seja desagradável para algumas pessoas, é algo com que os tutores precisarão se acostumar.

Caso seja necessário, o ideal é confiar os primeiros banhos a um serviço de banho e tosa idôneo, onde os pets terão a pele e a pelagem enxuta de forma profissional. A partir dos quatro meses, os tutores podem dar banho em casa.

Mesmo assim, os cachorros com pelos longos, como o yorkshire terrier, maltês, lulu da Pomerânia, shih tzu, lhasa apso, golden retrievers, collie, sheepdog, afghan hound e outros, dão muito trabalho nos banhos. A menos que os tutores disponham de tempo, paciência e habilidade, é melhor deixar a tarefa para os salões de beleza caninos.

A partir dos cinco ou seis meses, dependendo da raça, os cachorros de pelos médios e longos podem passar pela primeira tosa (mas, para algumas raças, a tosa não é permitida em eventos oficiais).

A tosa não é apenas estética: elimina pelos mortos, previne a proliferação de fungos, facilita a inspeção da pele em busca de parasitas (pulgas e carrapatos), elimina os nós e os embaraços e garante mais frescor, especialmente no verão (no Brasil, praticamente o ano todo).

Os cães do tipo primitivo, como akita inu, basenjis, samoieda, husky siberiano, malamute do Alasca, chow-chow e lulu da Pomerânia, sofrem bastante com o calor tropical. A tosa não pode comprometer a aparência, mas alivia bastante e evita algumas doenças.

A maioria dos filhotes de cachorros não precisa aparar as unhas: elas se desgastam naturalmente com as caminhadas em qualquer tipo de piso. Caso elas cresçam demais, a ponto de fazer barulho, devem ser cortadas com muito cuidado, por profissionais especializados.

06. Primeiros comandos

O adestramento deve ter início no dia em que o filhote de cachorro chegar. Muitas pessoas associam treinamento a truques mirabolantes, como saltar por um aro ou caminhar sobre as patas traseiras, mas os comandos básicos são bem mais simples do que isso.

Instale a cama, o comedouro e o “banheiro” em locais relativamente distantes. Se você mora em um apartamento pequeno e pretende que o filhote durma na sala, coloque as tigelas de água e ração na cozinha e o papel ou tapete higiênico na área de serviço. O cãozinho entenderá o design da casa rapidamente.

Mas, se a comida e o “banheiro” estiverem muito próximos, o filhote procurará outro local para fazer as necessidades fisiológicas: é evidente que ninguém gosta de se alimentar perto de uma poça de xixi.

Ensinar a fazer as necessidades é relativamente fácil. Dez ou 15 minutos depois das refeições, leve o filhote ao local definido para o xixi e o cocô (a área de serviço ou o quintal). Fique ao lado dele e distraia-o conversando, até que o organismo decida funcionar.

Elogie bastante e repita a mesma estratégia três ou quatro vezes por dia, até que o pet entenda que não deve fazer xixi em locais que nós consideramos inadequados, como o corredor ou o tapete da sala.

Tenha paciência. Este treinamento requer 15 ou 20 dias para a assimilação total e cada cachorro tem um ritmo próprio de aprendizado. Acidentes ocorrerão eventualmente – o controle dos esfíncteres ainda não é completo.

O cachorro pode ser advertido pelo “erro”, mas evite gritos e, claro, fique longe das agressões físicas. Nenhum pet aprende com maus tratos, apenas sente medo e raiva. Lembre-se: usar o banheiro é algo criado pelos humanos. Os outros animais fazem as necessidades em qualquer lugar, sem se preocupar com limpeza, higiene ou estética.

Um filhote de cachorro é inteligente o bastante para aprender os comandos básicos. O significado das palavras “sim” e “não” é rapidamente assimilado. Gradualmente, o pet aprenderá a atender a ordens como “fica”, “senta”, “junto”, etc.

Algumas raças caninas aprendem muito rapidamente e podem receber adestramentos mais sofisticados. É o caso dos border collies, poodles, pastores alemães, golden retrievers e dobermans, os campeões de inteligência para o trabalho.

Outros se revelam independentes, persistentes e até teimosos. É possível ensinar muitas coisas para qualquer cachorro, mas os borzóis, chow-chows, buldogues (ingleses e franceses), basenjis e afghan hounds são mais resistentes ao treinamento. Eles aprendem os comandos básicos, mas preferem uma vida mais independente.

Aprenda sobre a raça canina que você pretende adotar. Não se esqueça de que esta é uma parceria de longo prazo, que pode durar 15 anos ou mais. Saiba o que esperar de cada raça e escolha a mais parecida com você. Os mestiços tendem a herdar as características dos pais.