Eutanásia canina: tire as suas dúvidas

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Esta é uma decisão muito difícil. Tire as suas dúvidas sobre a eutanásia canina.

Tutores e cachorros formam uma parceria amistosa e produtiva que se prolonga há milênios. Os peludos, no entanto, quase sempre vivem menos do que os humanos. Alguns deles sofrem com dores insuperáveis e surge a recomendação da eutanásia canina. O que fazer em uma situação destas?

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As dúvidas são inúmeras. A situação envolve questões éticas: seria lícito sacrificar um animal? Além disso, sempre fica a dúvida se foram realizadas todas as dúvidas para salvar a vida do cachorro, ou se não há formas de atenuar a dor e permitir que ele morra naturalmente.

Eutanasia canina

A eutanásia

O termo vem do grego, com a junção das palavras “eu” (bom, correto, verdadeiro) e “thanatos” (morte). O significado é “boa morte”, ou “morte sem sofrimento”. Consta que Augusto, o primeiro imperador romano, sempre que era informado de que um conhecido havia tido uma morte serena, costumava exclamar: “Que os deuses concedam, a mim e aos meus, uma eutanásia assim”.

Atualmente, a palavra refere-se a ajudar alguém, em estado terminal, a pôr fim ao sofrimento. Ela se opõe ao conceito de distanásia, que implica utilizar todos os recursos para manter a vida, mesmo em casos de estado vegetativo ou intenso sofrimento, e se aproxima ao conceito de ortotanásia, que é a prática de evitar intervenções de ressuscitação ou o uso prolongado de equipamentos, mas sem causar diretamente a morte do paciente.

A eutanásia envolve aspectos éticos, religiosos, médicos e jurídicos. No caso dos cães, esses aspectos são minorados, restando as dúvidas dos tutores sobre a necessidade do procedimento e a dificuldade de admitir que não há tratamentos que permitam a sobrevida do pet.

Nenhum tutor quer passar por esta situação. Mas, o que fazer quando a doença do cachorro não permite uma cirurgia ou o uso de medicamentos? Sacrificar o pet é uma decisão difícil, mas pode ser a melhor escolha em certos momentos.

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A prevenção

Antes de pensar na eutanásia, no entanto, os tutores devem prover todos os cuidados preventivos. A vacinação, com a observação correta do calendário, evita o sacrifício de animais jovens que, por exemplo, tenham contraído cinomose ou parvovirose e o socorro médico tenha sido procurado tardiamente.

É necessário levar os cachorros para consultas regulares com o veterinário e, ao sinal de desconfortos e dores, providenciar para que a saúde seja restabelecida. Enjoos, vômitos, diarreias, febre, abdômen distendido, apatia, falta de interesse por brincadeiras, revelam que alguma coisa está errada – e é sempre melhor prevenir do que remediar.

Nos hospitais veterinários brasileiros, a idade média dos cachorros sacrificados é de apenas cinco anos. As principais razões para adoção da eutanásia são as seguintes:

  • distúrbios infecciosos;
  • transtornos causados por parasitas;
  • traumas resultantes de atropelamentos, brigas e quedas;
  • diagnóstico de tumores.

Pode-se observar que a maioria dos motivos pode ser prevenida com a atenção veterinária constante. Além disso, é importante não deixar os cachorros saírem para a rua sozinhos, sem a supervisão dos tutores. A castração reduz de maneira considerável a briga com outros animais, a maioria motivada pela disputa de parceiros sexuais.

Procedimento recomendado

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) dispõe de um protocolo para a realização da eutanásia canina. Trata-se da resolução 1.000, de 11.05.2012, que regulamenta, fiscaliza e disciplina o procedimento no Brasil.

De acordo com a resolução, a eutanásia canina se define como “indução à cessação da vida animal, por meio de método tecnicamente aceitável e cientificamente comprovado”. O procedimento, realizado necessariamente por um médico veterinário, deve ser adotado nas seguintes situações quando:

• o bem-estar do cachorro está comprometido de maneira irreversível;

• as dores provocadas pelo trauma ou doença não podem ser controladas por analgésicos, sedativos nem outros tratamentos;

• o animal se torna uma ameaça à saúde pública;

• o animal é um risco à fauna nativa ou ao meio ambiente;

• o animal tiver sido objeto de atividades científicas, que devem ser aprovadas por uma comissão de ética formada para analisar a pesquisa ou estudo;

• o tratamento possível tiver custos incompatíveis com os recursos financeiros dos tutores.

Ainda de acordo com a resolução 1.000/12, os seguintes princípios norteiam os métodos de eutanásia:

• respeito ao animal;

• busca da inconsciência imediata;

• ausência (ou redução máxima) da dor ou desconforto;

• ausência (ou redução máxima) do medo e ansiedade;

• ausência (ou redução máxima) dos riscos aos presentes ao procedimento;

• ausência (ou redução máxima) dos impactos emocionais no operador da técnica e nos observadores;

• ausência de impacto ambiental;

• segurança e irreversibilidade.

Podemos destacar que, de acordo com a resolução do CFMV, a eutanásia deve ser realizada com a minimização das dores e desconfortos. Em relação aos cães, a prática é recomenda em caso de pacientes terminais ou quando eles representam algum tipo de risco (um cão que contraiu raiva e pode transmitir a doença para humanos e outros pets, por exemplo).

O veterinário é obrigado por lei a esclarecer os tutores sobre o procedimento, fornecendo explicações de como a eutanásia não implica aumento do sofrimento – ela faz justamente o oposto: impede que o cão continue sofrendo sem necessidade, nos casos em que não há nenhuma perspectiva de restabelecimento da saúde.

O momento da decisão

A decisão pela eutanásia é um momento difícil não apenas para os tutores, mas também para os veterinários. Com os avanços científicos, mais e mais recursos vêm sendo disponibilizados para o tratamento de males antes considerados incuráveis.

A cinomose, por exemplo, é uma doença altamente letal: mais da metade dos cães infectados não consegue resistir. No entanto, até os anos 1990, a eutanásia era o procedimento padrão, assim que diagnosticada a infecção.

De lá para cá, diversos estudos e pesquisas identificaram tratamentos, que, adotados de maneira precoce, conseguem salvar as vidas de muitos pets.

Mesmo assim, ainda há doenças incuráveis, de acordo com o estado e as condições gerais do cachorro. Muitas vezes, um procedimento cirúrgico simples não pode ser realizado porque o animal, idoso ou debilitado, não resistiria à sedação da anestesia.

O primeiro cuidado dos veterinários é eliminar a dor – ou atenuá-la ao máximo. Animais agonizantes muitas vezes entram em sofrimento insuportável, mas a analgesia provisória é possível na maioria dos casos. Trata-se de ministrar medicamentos que não são vendidos em drogarias e só podem ser utilizados em consultórios e clínicas.

Cada veterinário tem as suas próprias convicções e métodos de trabalho. A maioria só adota a eutanásia em casos terminais, quando ela é a única possibilidade de mitigar o sofrimento. Alguns médicos podem até mesmo transferir o prognóstico para um colega.

O método, que se realiza em cerca de cinco minutos (independentemente do porte do animal), segue as seguintes etapas:

• insensibilização, através de anestesia geral;

• administração de medicamentos que interrompem o funcionamento do coração ou do sistema nervoso central;

• encaminhamento do corpo para cremação ou enterro. Algumas prefeituras brasileiras dispõem de serviços gratuitos (ou por preços baixos), mas a maioria dos tutores tem de arcar com os custos do sepultamento.

Se tudo for feito de maneira correta, o cachorro não sentirá dor nem desconforto. A única sensação dolorosa é a picadinha da agulha da anestesia geral e, em poucos minutos, o pet está dormindo da forma mais confortável possível.

A maioria das clínicas veterinárias permite que o animal a sofrer eutanásia seja acompanhado por membros da família humana. Além de permitir os últimos momentos de convívio, esta providência atenua o estresse e a ansiedade do cachorro, que se despede da vida na companhia dos seres a quem tanto ama.

O custo médio da eutanásia em serviços particulares fica em torno de R$ 350. De acordo com especialistas, um valor menor do que isso pode indicar que o procedimento não será feito de forma digna, sem dor e com o mínimo de desconforto.

Neoplasias

O diagnóstico de câncer quase sempre é acompanhado com a informação da necessidade da eutanásia. Alguns casos de câncer em cachorro são curáveis, mas, na maioria das situações, os pets não conseguem resistir à quimioterapia e às cirurgias necessárias para eliminar o desenvolvimento de neoplasias. Sessões de radioterapia quase sempre são contraindicadas, porque os pets não conseguem ficar quietos durante o procedimento – e não é possível acompanhá-los para reduzir a tensão e a ansiedade.

As contraindicações

A eutanásia não deve ser realizada nos casos em que não há sofrimento do cachorro doente ou traumatizado, nem quando há possibilidade de adotar meios paliativos para o animal conviver bem com a doença.

Em outras palavras, o sacrifício de um animal doente não pode servir apenas aos interesses e conveniências dos tutores. Um cachorro velho e doente pode permanecer em casa por meses e até anos, mesmo que não consiga brincar e exercitar-se com a família, ou que “dê trabalho”, com excrementos lançados em qualquer lugar.

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