Jovem indiana se recusa a deixar a cachorra na zona de guerra

Mais uma boa notícia vinda da Ucrânia: esta jovem indiana não quis deixar a cachorra para trás.

Guerras são sempre odiosas e não há motivos, quaisquer que sejam, que possam justificar os horrores causados. Depois de um longo período de negociações e negaceios, a Ucrânia foi invadida pela Rússia e se tornou palco de conflitos imensuráveis. Mesmo assim, esta jovem indiana se recusa a sair do país, deixando a cachorra para trás.

Muitas pessoas podem alegar que é egoísmo levar um cachorro para um abrigo ou embarcar com ele em um trem em direção à segurança, mas a amizade cultivada entre Arya Aldrin e a sua parceira não deixou dúvidas para a jovem.

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A recusa

Arya Aldrin é uma estudante de Medicina de apenas 20 anos de idade. Antes dos conflitos, que tiveram início em 2014 (quando a Rússia anexou a península da Crimeia, no sul do país), a Ucrânia era muito procurada por universitários de diversas regiões do mundo.

Ela foi admitida em 2020 na Universidade Nacional Médica Memorial de Pirogov, cujo campus fica em Vinnytsia, cidade do centro ucraniano a meia distância entre a capital Kiev e Lviv, duas cidades que se tornaram palcos de batalhas.

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Em fevereiro de 2022, com o início dos conflitos, os estudantes foram orientados a deixar Vinnytsia – diversas embaixadas se prontificaram a embarcar os seus cidadãos em voos de volta ao país de origem.

Mas Arya não poderia levar Zaira, um husky siberiano fêmea de cinco meses, na viagem para fora do país. Por isso, a jovem decidiu empreender uma difícil fuga. Ela atravessou de ônibus a fronteira com a Romênia e, do alojamento de refugiados, deu início a uma viagem de milhares de quilômetros até Kerala, Estado indiano no sul do país.

A repercussão

Fotos de Arya e Zaira foram publicadas em jornais e sites noticiosos do mundo inteiro. As imagens mostrando a jovem preparando a cachorra para embarcar provocaram milhares de comentários – e nem todos foram positivos.

Muitos internautas questionaram: “Os seus pais a mandaram para a Ucrânia para estudar ou para cuidar de cachorros?” foi uma das perguntas mais frequentes entre os usuários das redes sociais e leitores das páginas eletrônicas.

Outro questionamento bastante frequente foi a afirmação de que o governo (em particular, o indiano) não deveria permitir o embarque de cães e gatos em voos de evacuação, enquanto tantas pessoas estavam correndo riscos graves no país.

Arya fez questão de responder. A jovem afirmou que, nos deslocamentos, Zaira não ocupou o espaço destinado a humanos. O husky siberiano foi transportado em uma gaiola e viajou de Bucareste, a capital da Romênia, até Nova Déli, a capital da Índia, no compartimento de carga.

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É importante dizer que as autoridades indianas, assim como representantes de outros países, reservaram diversas aeronaves para permitir o regresso seguro de seus cidadãos que estavam em zonas de guerra.

A maioria dos voos partiu com um número de passageiros menor do que os aviões comportam, em função da urgência das operações de resgate. As decolagens foram programadas de acordo com necessidades específicas, em momentos específicos.

De qualquer maneira, a jovem não poderia deixar a fiel companheira para trás. Na verdade, a melhor opção seria que a guerra não tivesse sido deflagrada, mas, como isso já ocorreu, espera-se que todos – humanos, cães, gatos e outros – possam ser colocados em segurança. Preferencialmente, reunidos aos parentes.

Em seu depoimento, Arya completou: “Eu sou uma estudante de Medicina. Nós somos ensinados a salvar vidas, sem nenhum tipo de discriminação. E não é como se o fato de eu ter deixado o cachorro para trás fosse de transformar instantaneamente em ajuda para outras pessoas”.

Resgatar animais durante crises humanitárias, de qualquer forma, sempre gera polêmicas. Em 2021, durante a evacuação do Afeganistão, que retornou ao controle do Talibã, o britânico Pen Farthing foi severamente criticado por deixar o país com dezenas de cães e gatos que mantinha em um abrigo, mas sem a companhia dos afegãos que trabalhavam com ele.

Apenas para constar, os trabalhadores afegãos foram recebidos pela imigração britânica nos dias seguintes ao “voo dos cachorros” (Farthing pessoalmente tomou providências para que isso acontecesse).

E Arya não teve de enfrentar nenhum dilema: ela não trocou a vida de Zaira por nenhuma outra. Mesmo assim, ela contou que a viagem foi estressante.

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