Quando o escritor americano W. Bruce Cameron escreveu o livro “Quatro Vidas de Um Cachorro”, não imaginou que conquistaria tanta notoriedade. Afinal, o longa-metragem (que estreia em janeiro de 2017 no Brasil) baseado no livro já teve milhões de acessos nas redes sociais e promete (ou prometia) ser um dos mais assistidos nesta temporada.

O título original do livro é “A Dog’s Purpose” (o objetivo de um cão, em tradução livre), que resume de forma mais perfeita o núcleo da trama, que é uma tentativa constante de definir o sentido da vida, nas muitas experiências que a natureza oferece a todos os seres vivos.

Livro: Quatro Vidas de Um Cachorro

Notícias ruins sobre o filme

A fama, porém, tem duas faces, e Cameron, que, no início da carreira na década de 1990, escreveu oito livros que não despertaram interesse de nenhum interesse, está conhecendo também o lado negativo. Um vídeo mostrando maus tratos contra o ator canino que interpreta Toby, Bailey, Ellie e Amigão, as quatro vidas (ou personalidades relatadas por Cameron).

As primeiras postagens surgiram no TMZ (Thirty-Mile Zone), um site de entretenimento pertencente ao grupo Time-Warner, famoso pelos furos jornalísticos (ele foi o primeiro, por exemplo, a anunciar a morte do pop star Michael Jackson, em 2009).

As imagens vazadas de “Quatro Vidas de Um Cachorro” mostram Hércules, um dos cães que interpretou o protagonista, sendo obrigado a mergulhar em uma piscina com ondas, apesar do evidente estado de terror do animal. O material, ainda de acordo com a TMZ, foi produzido em novembro de 2015, em Winnipeg (Canadá).

As reclamações sobre os possíveis maus tratos ocorridos durante as filmagens de “Quatro Vidas de Um Cachorro” não se restringiram às redes sociais. A PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético), uma ONG americana dedicada à promoção dos direitos animais, pediu o boicote ao filme.

O livro Quatro Vidas de Um Cachorro

“Quatro Vidas de Um Cachorro” parte da premissa da reencarnação. A sinopse apresentada pela Editora Agir, que trouxe a obra para o Brasil em outubro de 2011, diz que:

“Surpreso por se ver como um golden retriever depois de uma curta vida como vira-lata (Toby), Bailey encontra Ethan, um garoto de oito anos. Amado pelo menino e por sua família, ele descobre o valor da amizade e aprende a ser um cachorro bonzinho.”

Estas duas existências tão diferentes – como um cão de rua e, em seguida, como mascote de uma típica família americana – no entanto, não são as únicas relatadas por “Quatro Vidas de Um Cachorro”. O personagem central do livro ainda acumula experiências como Ellie, uma cadela que trabalhou em operações de resgate, e como Amigão, um “cão sábio”.

Nesta última vida, o cachorro protagonista da trama parece finalmente entender qual é o sentido da vida, pergunta que ele fez a si mesmo ainda quando estava na pele de Bailey. Amigão decifra este enigma, que também ocupa muitas mentes humanas: quem somos? De onde viemos? Para onde vemos? As respostas, evidentemente, estão reservadas aos leitores da obra literária.

Os detalhes do livro

O livro, dividido em quatro partes, é narrado na primeira pessoa do singular de uma forma divertidamente “canina”. É Toby [Bailey/ Ellie/ Amigão] quem assume o papel de narrador da história, o que confere caráter bastante subjetivo à obra.

Os leitores com pouca afinidade com cães e outros pets não precisam se preocupar: não se trata de um livro sobre animais de estimação, mas sobre algumas questões básicas que fazem parte do universo de dúvidas da maioria dos prosaicos seres humanos.

O livro mescla drama e comédia na dose certa e é bastante equilibrado. Apesar de ter como tema central a reencarnação, o autor evita reflexões religiosas mais profundas. O cachorro criado por Cameron está, com toda a certeza, preocupado com o sentido da vida, mas esta questão central não se prende a dogmas ou religiões.

O autor consegue gerar emoção justamente em função do caráter ingênuo do narrador, que conta histórias de carinhos e apuros, alegria e tristeza, dificuldades e morte. Apesar de os sentimentos apresentados serem originalmente os de um cão (que certamente evolui com a passagem de suas quatro vidas), mas o paralelo com os desejos e necessidades humanas está presente em cada página do livro.

A trama contida em “Quatro Vidas de Um Cachorro” é emocionante, traz passagens divertidas e, como não poderia deixar de ser, alguns trechos que certamente provocam lágrimas entre os leitores mais sensíveis; entre, eles, as mortes do animal.

Como fica evidente, “Quatro Vidas de Um Cachorro” não é um livro baseado em fatos reais, ao contrário de outro best seller que trata da história do “pior cão do mundo”: “Marley & Eu”. Nesta obra, o autor relata o convívio de 13 anos que manteve com um retriever do Labrador. Mesmo assim, Cameron consegue transmitir credibilidade ao seu personagem.

“Quatro Vidas de Um Cachorro” foi escrito para o público adulto, mas pode ser lido por pessoas de qualquer idade. O livro, que não se rende aos clichês da maioria das narrativas que envolvem animais de estimação, é um exercício de reflexão sobre sentimentos como solidariedade, amizade, cuidado e carinho, que convivem com o egoísmo e a ambição.

Como Bailey, o pet deixa de ser o animal das ruas para se tornar “o melhor amigo” de um garotinho de oito anos. Nas experiências seguintes, este amor se amplia. Ellie vivencia experiências nas quais é necessário demonstrar coragem, perícia e comprometimento.

A pergunta que resta ao leitor responder, ao fim da leitura de “Quatro Vidas de Um Cachorro” é a seguinte: qual é o sentido da vida? O universo é realmente uma teia em que todos nos envolvemos, nos perdemos e voltamos a nos encontrar?

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