Nós gostamos de pensar que sim, mas será que os cachorros riem? Confira as verdades e mitos.

Para não prolongar o suspense, a resposta é positiva: sim, os cachorros riem! infelizmente, eles não riem da maneira como muitos de nós imaginamos. Rir significa expressar contentamento e alegria e é uma expressão comum a diversos mamíferos, mas cada espécie ou gênero desenvolveu a própria linguagem corporal. 

O riso está presente em diversas espécies animais. Entre chimpanzés e gorilas, nossos parentes mais próximos, a risada é parecida com a nossa – e eles chegam à sofisticação de rir com ironia. Entre os cachorros, contudo, a história é diferente – eles evoluíram de maneira diferente. 

Por isso, quando os cachorros riem, eles não exibem os dentes e, claro, não conseguem soltar gargalhadas, porque não tem um aparelho fonador adequado a isto. Mostrar os dentes, aliás, para os canídeos (os cães e seus parentes selvagens, como lobos e raposas), apresenta um significado totalmente diferente. 

A boca aberta e a exibição dos dentes brilhantes, para os cachorros, significam beligerância. Eles expressam incômodo ou irritação quando deixam a dentição à mostra: é como se exibissem as armas com que foram dotados pela natureza, muitas vezes acompanhadas por rosnados e latidos. Trata-se de uma expressão de raiva ou de medo. 

Imaginar que os cachorros riem da mesma forma que os humanos é imaginar que o vilão Coringa, da série Batman, está sempre rindo, porque a máscara facial lembra um sorriso. Os cachorros possuem o seu próprio linguajar corporal, é importante ter isto em mente para compreendê-los e aproveitar melhor a convivência e parceria. 

A risada do cachorro

Os cachorros riem de forma bastante diferente da nossa. Elas exalam o ar com força, estimulando a expiração. Quanto maior a força empregada, mais evidente é a gargalhada. É mais ou menos semelhante a uma sonora gargalhada humana, com a diferença de que os sons empregados são uivos, latidos, etc. 

A respiração ofegante e ruidosa é a manifestação canina de alegria e satisfação. Não por acaso, ela surge sempre que o cachorro está satisfeito e contente, como sempre acontece nos momentos de brincadeira, exploração e agitação. Em outras palavras, a “respiração de cachorrinho”, sempre arfante, é, na verdade, uma verdadeira risada.

Os nossos peludos também conseguem rir em situações semelhantes às humanas. Por exemplo, alguns cachorros sentem cócegas no peito, na barriga e até mesmo nas almofadas plantares. Eles reagem às cócegas rindo, ou seja, arfando e latindo com satisfação.

Eventualmente, eles podem abrir os lábios e entremostrar os dentes. Isto, para nós, é muito próximo ao nosso sorriso. Em uma constatação equivocada, concluímos que eles estão rindo para nós. Mas a expressão é apenas um esgar desprovido de sentido. 

Em algumas raças de cães, como retriever do Labrador e golden retriever, as simulações de sorriso e risada são ainda mais perceptíveis. Isto é devido, no entanto, ao formato anatômico do focinho, trufa e boca, que permite algumas expressões semelhantes ao sorriso humano, mesmo que a situação não tenha nada para se alegrar. 

Nós temos a tendência de emprestar emoções, sensações e sentimentos tipicamente humanos para os outros animais. Daí surgiram expressões como “lágrimas de crocodilo”, que significa choro fingido, e delicadeza de elefante. 

Crocodilos podem verter lágrimas quando o alimento pressiona o céu da boca, estimulando as glândulas lacrimais. Os elefantes são elegantes e ágeis em sua imensa estrutura anatômica: o erro estaria em imaginá-los transitando no meio de uma sala de estar, e não nos campos e savanas aos quais estão adaptados. 

A risada dos cães vem sempre acompanhada de outros sinais da linguagem corporal: os olhos se arregalam e brilham, a boca fica semiaberta e o rabo não para de balançar de um lado para o outro. É a forma com que eles demonstram excitação, contentamento, admiração. 

Cachorros riem? A palavra da ciência 

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Northampton (Inglaterra), em 2005, concluiu que os cachorros são capazes de identificar situações tristes, tensas e alegres. Eles também desenvolveram a capacidade de identificar o estado de espírito dos seus tutores através das expressões visuais, mesmo em fotografias. 

Filhote cachorro sorrindo

Mas eles não conseguem reproduzir a “investigação” quando são apresentadas imagens de pessoas estranhas ou pouco conhecidas. Deduz-se que, com a convivência, os cachorros passam a decodificar as expressões inequívocas dos tutores. 

A pesquisadora Patricia Simonet (1959-2010), especialista em comportamento animal da Universidade de Sierra Nevada (EUA), foi a primeira cientista a identificar a risada dos cães na respiração ofegante, em um estudo desenvolvido em 2007. 

A acadêmica constatou, em inúmeros experimentos com cachorros estranhos para ela, que a respiração ofegante dos cachorros é uma expressão de contentamento. A excitação por uma situação positiva – rever os tutores depois de um longo dia ou participar de um passeio ou brincadeira – eleva a temperatura corporal dos peludos. 

Para garantir o equilíbrio térmico, o organismo dos cães aumenta a produção do suor – os nossos pets suam principalmente através da língua – nos momentos de alegria e descontração. Com o tempo e a convivência, estas situações felizes passaram a ser expressadas com a risada canina

A convivência 

O compositor Roberto Carlos, em uma de suas canções, afirma que, ao chegar ao portão de casa, “meu cachorro me sorriu latindo” (“O Portão”, de 1974). Todos os tutores são capazes de identificar as diferentes tonalidades e extensões dos latidos dos seus pets. 

Uma vez que as pregas vocais dos cachorros permitem a vocalização de um número limitado de sons, os latidos podem significar diversas coisas: atenção, alerta máximo, raiva, tédio, afeto, alegria. Alguns latidos, de acordo com a modulação, fazem parte das risadas dos cachorros. 

O cachorro Muttley, personagem da Cartoon Network, costuma emitir risadas nos desenhos animados da “Corrida Maluca”. O pet se apresenta quase sempre mal-humorado, animando-se apenas com os malfeitos do tutor Dick Vigarista, o vilão da história. 

Os nossos cães não emitem risadinhas, muito menos quando se deparam com coisas erradas. Mas é possível conferir o estado de espírito dos pets através de expressões corporais e sonoras. Os cachorros riem, este é um fato inquestionável. Porém, não o fazem de maneira idêntica à nossa. 

Não é preciso recorrer a estudos científicos para comprovar que os cachorros sentem emoções e as transmitem de acordo com os seus recursos naturais. Em uma discussão em casa, quando todos elevam a voz e brigam, os cachorros latem desesperadamente ou procuram um canto para se esconder. 

Mas, quando nos aproximamos dos peludos com voz terna e atenciosa, associando a voz a gestos de carinho, eles reagem com expressões semelhantes. Estas reações são provas mais do que suficientes de que os cachorros vivenciam emoções e sentimentos. A risada é apenas um complemento. 


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