Em geral, um cachorro encara o dono para tentar entendê-lo. Em muitos casos, porém, ele pode estar questionando a “autoridade” em casa.

Com maior ou menor frequência, os cachorros gostam de ficar encarando. Esta atitude é mais comum nas raças caninas de porte pequeno e médio, que convivem em ambientes menores e, portanto, mantêm um relacionamento mais próximo com os donos.

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Na maior parte do tempo, porém, isto não significa um desafio. O cachorro da família pode simplesmente ter identificado um movimento incomum, que não conseguimos perceber com os nossos sentidos. Os cães, contudo, são programados para “proteger e servir”, identificando eventuais ameaças; desta forma, estão sempre em estado de atenção, mesmo que a “ameaça” seja apenas um relâmpago deflagrado a alguns quilômetros de distância.

 Uma questão de hierarquia

Observe o seu cãozinho. Não importa o tamanho e a fragilidade: eles são legítimos herdeiros dos lobos-cinzentos, dos quais se separaram há alguns milênios, formando uma subespécie (“Canus lupus familiaris”). Um chihuahua possui os mesmos instintos defensivos dos pastores alemães e huskies siberianos, bem mais semelhantes aos seus avós distantes.

Não importa que eles vivam em um apartamento com “detefon, almofada e trato, todo dia um filé mignon ou mesmo um bom filé de gato”. Todos os cães conservam, com menor ou maior intensidade, os instintos gregários da alcateia: defesa dos filhotes e jovens, disputa pelas posições de liderança e pelas fêmeas. É exatamente por estes motivos que os cachorros se revelam leais, companheiros e assíduos, colocando-se em risco para proteger o bebê da família.

 Os motivos do cachorro ficar encarando

No entanto, ter o cachorro encarando na maior parte do tempo livre quase nunca revela a articulação de um “provável motim em família”: não é necessário passar a acreditar que o animalzinho (ou o canzarrão) possa se transformar em uma ameaça.

A maior parte das raças caninas tende a aceitar um membro “da família” como macho alfa (o líder, mesmo que se trate de uma fêmea humana). Estes cães também aceitam privilégios de alguns membros – entre eles, o direito de dormir na mesma cama dos donos.

O problema começa quando a brincadeira de “seguir o líder” se torna excessiva. O cãozinho passa a seguir o dono por todos os ambientes da casa, aguarda “ordens” para saber como se comportar – que, no entanto, muitas vezes não são entendidas.

Este não é um problema para ser debatido por especialistas em ciências ocultas. Os donos devem estimular o cachorro a se apropriar de alguns locais (a cama, o local das refeições, etc.). Não é à toa que o cão é o melhor amigo do homem: a extrema capacidade de adaptação permitiu que os cachorros acompanhassem a humanidade no gelo, montanhas, caçadas, pescarias, defesa de território, guerras e, por fim, na sala de estar e até mesmo no quarto de dormir.

Convenhamos, eles conquistaram este direito. Eles encaram os donos porque querem entender o que está ocorrendo. Como não dominam o nosso idioma (e nenhum outro idioma humano), eles precisam apreender outros sinais, como o tom de voz e a linguagem corporal. A mensagem surge com muito mais vagarosidade para eles.

 Mal comparando

Muito se diz na histórica desavença entre gatos e cachorros, fato totalmente inverídico. Os dois animais se comportam de maneiras diferentes (um cão abana o rabo quando está contente; um gato, quando está estressado). Mas os dois líderes do ranking de animais de estimação podem conviver sem problemas, mesmo que promovam escaramuças com os pets dos vizinhos.

Os cachorros, no entanto, gostam de estar próximos aos donos, ao contrário dos gatos, que são mais independentes (e isto não significa que os bichanos sejam menos amorosos: são apenas expressões diferentes de demonstrar afeto).

As gatas fêmeas, na natureza (ou nos muitos becos das cidades do Brasil e do mundo) se organizam em grupos de líderes, submissas e muitos filhotes – rapidamente expulsos quando emitem os primeiros feromônios (substância com propriedades de estimular a atividade sexual).

Os cachorros, ao contrário, podem manter famílias com várias gerações. São animais diferentes, e o afeto traduzido por eles atrai alguns, enquanto afasta outros. Um cachorro pidão – sempre ao lado (“semper fi”) – pode ser uma bênção para alguns e uma maldição para outros.

Quem mora sozinho também precisa incluir isto no momento de adotar um cão. Gatos e cachorros se tornam parte da família, estabelecem relações diferentes com cada membro e, para um grupo (familiares ou amigos) com uma agenda muito intensa, estes animais podem se tornar um verdadeiro empecilho. Eles querem – e merecem – companhia.

Outros animais de raça se tornam extremamente fiéis – no mau sentido. Eles aproveitam os poucos momentos com o dono para ficar sempre presentes. Querem estar na companhia dos donos nas refeições, nas navegações pela internet e até do banho.

Eles não precisam de nada disto, mas apenas querem estar do lado do “alfa”: um fator de segurança e, em alguns casos, de sobrevivência. Os cachorros de matilha são mais dependentes (boiadeiros e pastores), os que foram desenvolvidos para companhia (dálmatas, e raças menores derivadas) são mias tranquilos.

 Situações comuns

Não são apenas os donos que são encarados (às vezes, de soslaio) pelos seus cachorros. Alguns animais desenvolvem a tendência a olhar fixamente para visitas, empregados e até mesmo transeuntes, durante o passeio diário. Em geral, se o olhar for correspondido, eles encaram ainda mais, mesmo que não façam nenhum movimento de aproximação.

Os cachorros permanecem encarando por vários outros motivos: brincar, ganhar carinho e petiscos, receber refeições, “avisar” que a água da tigela acabou ou está suja, informar que está na hora de passear e até mesmo para dormir.

Caso o olhar fixo esteja incomodando os membros da família, sempre é possível desviar a atenção do animal com brinquedos, ordens diretas ou simplesmente ignorá-lo. Um cachorro precisa aprender que existem horários para todas as atividades – e quem determina a agenda é sempre o tutor.


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