Por que meu cachorro me segue até no banheiro? Entenda!

Alguns comportamentos nos deixam intrigados. Os cachorros são tão fiéis que nos seguem até no banheiro.

Desde filhotes, os cachorros aprendem que devem ficar perto dos tutores: nas brincadeiras, nos passeios, na cozinha – a fonte maravilhosa de comida! – e até mesmo no banheiro. Alguns tutores ficam intrigados, outros chegam mesmo a se sentir desconfortáveis.

É preciso muito esforço para convencer os cachorros a pararem de nos seguir por todos os cantos e, mesmo assim, quase sempre esta é uma tarefa inútil, porque a maioria é muito “persistente”: mesmo desestimulados, eles continuam colados aos tutores.

Não é raro que os cachorros literalmente grudem o focinho nas pernas dos tutores enquanto caminham com eles pela casa. A sensação de proximidade traz segurança e bem-estar, mesmo que seja no banheiro, bem ao lado do vaso sanitário. Por que eles fazem isso?

Por que meu cachorro me segue até no banheiro? Entenda!

Razões caninas

O coração, assim como os cachorros, tem razões que a própria razão desconhece, como já disse mais de um poeta. O primeiro motivo para a “fila indiana”: tutor à frente, cachorro logo atrás, é o sentido de pertencimento: um grupo unido jamais será vencido.

A principal razão para a companhia no banheiro é a demonstração de afeto. Os cachorros seguem as pessoas até o banheiro simplesmente porque gostam muito deles e, como são extremamente leais e devotados, precisam garantir que esteja tudo bem com os parceiros humanos.

Humanos e caninos antigos

Na verdade, os peludos nos seguem o tempo todo, pela casa inteira. A permanência no banheiro é mais notada porque os humanos, por questões culturais, reservaram certa privacidade para os momentos das necessidades fisiológicas.

O banheiro, desde os primeiros acampamentos dos nossos ancestrais, sempre ficou “lá fora” por motivos óbvios: as fezes e a urina atraem insetos, que podiam contaminar os estoques de alimentos, sempre limitados.

Desde muito cedo, os humanos associaram os excrementos a doenças. Gradualmente, a associação se ampliou também para o desconforto e o mal-estar. Os primeiros hominídeos estavam certos: moscas e mosquitos podem transmitir enfermidades e, para eles, seus ovos e larvas, as fezes são um excelente depósito de nutrientes.

Por que meu cachorro me segue até no banheiro?

Os cachorros, no entanto, não fazem estoques. Os lobos simplesmente caçam, consomem a carne obtida e deixam as carcaças para outros animais. No dia seguinte, eles voltam a caçar, comer e “servir a refeição” para outras espécies carniceiras, como abutres e chacais.

Desta forma, a associação de excrementos com a sujeira e eventual contaminação nunca esteve entre as preocupações dos lobos (e de seus descendentes, os nossos cães domésticos). Para eles, as fezes e a urina são absolutamente naturais.

Mas existem outros motivos para a companhia. Há muitos milênios, os cachorros se tornaram parceiros de caça dos humanos e, como são animais extremamente adaptáveis, eles passaram a se desincumbir de outras tarefas, como a guarda, a companhia e até o ataque a outros grupos rivais.

A segurança é fundamental para a manutenção do grupo e o momento de eliminar as fezes e a urina é delicado: durante a maior parte da história (e mesmo atualmente, para os humanos que vivem nas florestas, matas e campos), eliminar os dejetos nos expõem a alguns perigos mortais.

Ir até a moita significa afastar-se da segurança do grupo: os humanos precisavam afastar-se da fogueira, sair da gruta e, mesmo caminhando apenas alguns passos, era grande a possibilidade de um predador estar à espreita.

Como guardiães fiéis, os cães passaram a nos acompanhar também no momento das necessidades fisiológicas. Assim como faziam nas caçadas e explorações, eles começaram a vigiar estes momentos solitários, para garantir a segurança dos humanos, a quem sempre encararam como “líderes da matilha”.

Os banheiros de hoje

Nas sociedades humanas, muita coisa mudou nos últimos milênios, e não apenas em ambientes urbanos. As comodidades modernas podem ser encontradas em sítios, fazendas e até mesmo em áreas de “camping selvagem”.

Os eventuais predadores foram afastados para as cada vez mais raras florestas e matas, não é preciso preparar um archote para ir “lá fora” – basta acionar um interruptor para iluminar o ambiente – e os banheiros não precisam ser isolados: o esgotamento sanitário leva para longe os dejetos, mesmo que, em muitos casos, eles se depositem muito perto das casas, a poucas dezenas ou centenas de metros.

Por que meu cachorro me segue até no banheiro?

Os cachorros, no entanto, não sabem nada disso. Para eles, as casas modernas e bem equipadas que aprendemos a construir (ou, pelo menos, a usufruir) continuam sendo encaradas como grutas. Uma parede sólida pode ruir com o vento ou a chuva, tal como acontece algumas vezes com um paredão rochoso na mata.

Para garantir a segurança e a integridade do grupo, os peludos fazem questão de nos acompanhar. Mesmo de madrugada, caindo de sono, eles se levantam da cama e fazem a guarda no caminho entre o quarto e o banheiro.

Por que meu cachorro me segue até o banheiro?

Estas são as respostas que os cachorros dão às perguntas dos tutores: “Por que o meu cachorro vive me seguindo?”, “Por que o meu cachorro não se desgruda de mim?” e, claro, “Por que ele me segue até no banheiro?” – os motivos estão sempre envolvidos em garantir a segurança.

Os cachorros também encaram os tutores como provedores do grupo: afinal, um líder precisa garantir não apenas a sobrevivência, mas também o conforto e o bem-estar de todos os membros da matilha.

Alguns peludos demonstram um nível maior de independência e não parecem exibir comportamentos tão fiéis e preocupados, mas não se enganem: eles podem não se colar às pernas dos tutores enquanto estes transitam pela casa, mas seguem todos os movimentos com o olhar, prontos para interferir caso alguma coisa dê errado.

Certas raças caninas, como os pastores e boiadeiros, aprenderam que não precisam ficar grudados ao rebanho o tempo inteiro para garantir a segurança: basta verificar o movimento e observar a paisagem ao redor, à procura de eventuais ameaças.

Eventualmente, quando uma rês tenta se desgarrar, eles correm até ela, para fazê-la mudar de ideia e voltar para o bando – os argumentos empregados pelos cachorros podem ser bastante convincentes. Organizar um grupo de ovelhas (e mantê-las unidas e coesas) é inclusive uma das provas de trabalho para algumas raças, em competições oficiais.

O senso de segurança, contudo, está presente em todos os cães, mesmo porque eles exibem comportamentos ancestrais e a maioria das raças caninas resulta de cruzamentos os mais variados – as chamadas raças primitivas, como o akita, o basenji e o husky siberiano, são exatamente as que guardam mais semelhança com os lobos.

Portanto, mesmo os cachorros de pequeno porte, que pouco poderiam fazer em caso de um ataque real, seguirão os tutores aonde quer que eles forem. Alguns desses nanicos, como o lulu da Pomerânia, estão classificados entre os “cães primitivos”.

No mínimo, eles podem dar o alarme de que alguma coisa está errada. Quem convive com um dogue alemão e um pinscher miniatura sabe que é o pequeno quem dá os primeiros sinais em caso de perigo: quando um carro passa cantando os pneus ou surgem os primeiros trovões de uma tempestade, por exemplo.

É justamente nas situações de emergência que os cachorros exibem melhor as características de guarda e defesa. Eles acompanham os tutores em caso de tempestades, mesmo que não haja nenhum perigo real (alguns cachorros podem tentar convencer as crianças a não saírem para o quintal, por exemplo).

Outra situação comum é quando alguém fica doente, na cama. Mesmo os cachorros independentes (e até os agressivos) mudam totalmente o comportamento. De alguma maneira, eles sabem que um membro do grupo está fragilizado e precisa de mais atenção.

Nesta condição, eles priorizam a vigilância do parente enfermo, podendo inclusive renunciar por algum tempo às brincadeiras e caminhadas na rua. Quando o doente recupera a saúde, eles voltam a seguir a família toda: afinal, os cachorros já nascem sabendo que precisam “servir e proteger”.

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