Posso dar osso de boi ou porco para o cachorro roer?

Ossos são petiscos perigosos. Entenda por que é melhor evitar e não deixar os cachorros roerem.

Boi, porco, aves. São várias as opções e, quando do almoço de família inclui algum tipo de carne com osso, fica difícil resistir à tentação de oferecer um petisco especial para os cachorros. Afinal, na natureza, “quem come a carne deve roer o osso”.

Os especialistas em nutrição animal, no entanto, não recomendam dar osso para os cachorros roerem. Eles podem se partir e, no caso de restos da mesa humana, estão sempre carregados de condimentos que são contraindicados para os peludos – tais como sal, pimenta, cebola e alho, por exemplo.

Posso dar osso de boi ou porco para o cachorro roer?

Cachorros e ossos

É uma imagem que faz parte da cultura popular: desenhos animados e ilustrações infantis sempre mostram os cachorros ao lado dos seus preciosos ossos. Caso eles sejam oferecidos, aliás, é muito provável que os peludos queiram escondê-los (se não forem roê-los imediatamente).

Em uma casa com quintal de terra, os cachorros podem cavar buracos para ocultar os tesouros, para desespero dos jardineiros de fim de semana, que cultivam seus canteiros com muito orgulho. Em um apartamento, eles farão o mesmo, eles improvisarão esconderijos entre as almofadas ou as roupas de cama.

Posso dar osso de boi ou porco para o cachorro roer?

As brincadeiras são úteis e estimulam o desenvolvimento dos cachorros – que, claro, precisam ser ensinados onde e quando esconder as suas conquistas – na falta de ossos, eles agirão da mesma forma com brinquedos, paninhos, etc.

Mas, da mesma forma que os tutores descobriram que os prejuízos causados à saúde dos gatos pelo leite (outra imagem quase automática: o bichano e sua tigela de leite), os ossos de boi, de porco ou de aves escondem diversos malefícios para os cães.

Prós e contras dos ossos para os cachorros

A associação entre cachorros e ossos não surgiu por acaso, assim, como a preferência felina pelo leite. Os gatos são originários de regiões áridas (nordeste da África e Oriente Médio); a carência de água fez a espécie prolongar a amamentação, para aumentar as chances de sobrevivência dos filhotes.

Além disso, nas regiões de onde os gatos são nativos, a água, além de ser um artigo raro, é também um fator de risco: deslocar-se até uma fonte para matar a sede significava expor-se a um eventual ataque – os bichanos, na natureza, são ao mesmo tempo predadores e presas.

Os cachorros descendem dos lobos, animais que caçam em grupos hierarquizados. As presas abatidas são quase integralmente consumidas – é preciso comer literalmente até os ossos. Eles mantiveram a preferência por roer ossos, que são ricos em proteínas, gorduras, vitamina D, cálcio, fósforo e magnésio – um superalimento, na verdade.

Os ossos também enriquecem o cotidiano dos cachorros – eles se distraem roendo as iguarias e isto ocupa boa parte do tempo, especialmente dos animais que passam horas sozinhos, esperando os tutores voltarem de suas atividades diárias.

Ao lado da composição nutricional, existem alguns outros benefícios no oferecimento de ossos para os peludos:

  • limpeza dos dentes e da boca, auxiliando na redução e prevenindo a formação de tártaro;
  • fortalecimento da musculatura do pescoço e da cabeça;
  • alívio do estresse e da ansiedade;
  • estímulo dos instintos.
Posso dar osso de boi ou porco para o cachorro roer?

São diversos os motivos, portanto, para dar ossos para os cachorros. Vale dizer, ainda, que, do ponto de vista nutricional, para os cães que recebem ração de qualidade – e, portanto, uma dieta balanceada –, não há necessidade de complementos.

Outra questão importante: os cães idosos (a partir dos seis ou sete anos de idade) devem receber suplementos de cálcio e fósforo com moderação. Estes minerais são importantes para a conservação dos ossos, mas, em excesso, podem causar calcificação.

Seja como for, os ossos naturais nunca são a melhor opção para os animais domésticos. Os ossos de aves (frangos, perus, patos, etc.) são totalmente contraindicados. Grande parte do esqueleto das aves é constituído por ossos ocos, que facilitam o voo e os saltos.

Isto não quer dizer que o esqueleto das aves seja frágil: apenas que, quando cozidos e assados, os ossos são parcialmente dissolvidos e isto facilita o surgimento de lascas que podem machucar a boca e a faringe. Caso sejam engolidos, causam problemas no esôfago e no estômago.

Os mais perigosos – que causam o maior número de acidentes identificados em clínicas veterinárias – são os das asas, pés, coxas e sobrecoxas – justamente os mais “servidos” durante as refeições humanas, quando os cachorros ficam parados, olhando insistentemente para os tutores, na esperança de ganhar algum petisco.

Os ossos de porco e de boi também se dissolvem parcialmente durante a cocção. Os maiores riscos estão nos ossos longos, como os de costeletas e bistecas, que figuram entre as preferências caninas. Por outro lado, ossos grandes e chatos também causam acidentes – por exemplo, quebra de dentes (especialmente para cães de pequeno porte).

Além disso, carnes com ossos preparadas para consumo humano são temperadas com condimentos que podem causar irritações nas narinas e na boca dos cachorros, como as pimentas, ou até mesmo intoxicações sérias, como é o caso do alho e da cebola, que podem causar a morte de animais menores (inclusive os filhotes), idosos e com problemas imunológicos.

Seria o caso, então, de oferecer apenas ossos crus. Muitos tutores selecionam ossos no açougue justamente para premiar os cachorros – e o presente realmente sempre se torna uma grande diversão para os peludos.

O risco, aqui, é a possibilidade de contaminação com micro-organismos lesivos, como fungos e bactérias. O perigo é maior para os cachorros que irão roer os ossos, mas a simples manipulação pelos tutores pode ser igualmente prejudicial.

Os ossos crus também podem ocultar ovos e larvas de parasitas como as tênias. Eles eclodem no intestino dos animais e geram problemas graves de verminoses. A própria carne mal passada é um risco: em 2019, em um hospital chinês, foram encontradas 700 larvas de tênias no cérebro de um paciente.

O homem de 46 anos foi hospitalizado na Universidade de Zhejiang (leste da China), com convulsões graves, que lembravam um quadro de epilepsia. Ele já tinha sido internado antes, com tonturas e dores de cabeça, mas deixou o hospital por conta própria, por não ter dinheiro para custear o tratamento.

Com o agravamento dos sintomas, o paciente foi submetido a exames de imagens, que constataram centenas de lesões no cérebro, além de algumas calcificações no crânio, provocadas pelas tênias (Taenia solium, a popular solitária) ingeridas juntamente com um caldo de carne mal cozida (um lámen com carne de porco, prato tradicional na culinária do país).

Por todos estes motivos, chegamos à conclusão de que não é recomendável oferecer ossos para os cachorros roerem. Mas os peludos não precisam ser privados do petisco: os tutores podem dar ossinhos de couro (ou de nó), que garantem a limpeza dos dentes e distraem os animais por algum tempo.

Existem opções feitas com plástico mastigável – estes ossos são seguros e muito resistentes. “Ossos” feitos com ingredientes naturais (como carne e legumes) também são recomendados e são muito bem aceitos pelos cães, já que a textura e o aroma lembram os produtos naturais.

Neste caso, no entanto, os tutores precisam avaliar o impacto nutricional, já que os petiscos representam um aumento no consumo calórico, que pode representar mais de 20% do total diário no caso de cães muito pequenos, como os chihuahuas. Calorias adicionais são um estímulo para o sobrepeso e a obesidade, com todos os problemas que estas condições acarretam.

Os tutores devem evitar os ossinhos artificiais feitos com material sintético ou com corantes e conservantes. Os confeccionados com materiais rígidos também podem se partir em pontas agudas, que podem causar perfurações.

Mas, seja qual for o “presente” escolhido para os cachorros, vale uma regra simples: o osso oferecido precisa ser sempre maior do que a boca do peludo, para evitar que ele seja engolido de uma vez só.

Aviso importante: O nosso conteúdo tem caráter apenas informativo e nunca deve ser usado para definir diagnósticos ou substituir a consulta com um veterinário. Recomendamos que você consulte um profissional de confiança.

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