O bicho de pé em animais é um problema mais comum do que muitos tutores imaginam, especialmente em regiões rurais e ribeirinhas. Popularmente conhecido também como “tungíase” ou “tunga”, esse parasita pode afetar tanto seres humanos quanto cães, gatos e outros animais domésticos, causando desconforto, inflamação e até complicações mais sérias quando não tratado a tempo.

O que é o bicho de pé e como ele age
Diferente do que muita gente pensa, o bicho de pé não é um “bicho” propriamente dito, mas sim uma pulga chamada Tunga penetrans. É a fêmea desse parasita que penetra na pele do hospedeiro — seja humano ou animal — para se alimentar e amadurecer seus ovos.
Esse tipo de infestação é mais frequente em locais com chão de terra, matéria orgânica em abundância e presença de criações como gado, cavalos e porcos. Isso porque o ambiente favorece o ciclo de vida da pulga, facilitando o contato com os hospedeiros.
Por que os pés são a região mais afetada
O bicho de pé pode se instalar em qualquer parte do corpo, mas costuma se concentrar nas regiões que têm contato direto com o solo. Em humanos, isso significa os pés; já em cães e gatos, a face solear das patas — e até das “mãos”, já que muitos animais também apoiam os membros anteriores no chão durante o dia a dia.
Sinais de que o pet pode estar infestado
Segundo o Dr. Danile Pinho, o sintoma mais evidente é o prurido intenso, ou seja, a coceira constante na região afetada. Ao observar de perto, é possível notar um ponto escuro central, rodeado por uma área mais clara — que corresponde à fêmea do parasita repleta de ovos.
Em casos mais avançados, o animal pode apresentar inflamação significativa no local, o que leva à claudicação (manqueira), já que ele evita apoiar o membro afetado no chão. Além do desconforto físico, a coceira constante também pode reduzir o apetite do animal, favorecendo quadros de subnutrição associados ao estresse causado pela irritação.
Impacto econômico em animais de produção
O problema não se limita a pets domésticos. Em bovinos, caprinos e ovinos, a infestação por tungíase pode gerar prejuízos consideráveis aos criadores. Isso ocorre porque os animais afetados tendem a se movimentar menos, alimentar-se com menor frequência e, consequentemente, reduzir sua produtividade.
O tratamento deve ser feito por um médico veterinário
A remoção do bicho de pé exige cuidado técnico e, por isso, deve ser realizada exclusivamente por um profissional habilitado. Dependendo da quantidade de parasitas e do grau de inflamação, pode ser necessário sedar o animal para retirar os bichos de pé com segurança e minimizar o sofrimento durante o procedimento.
Em situações em que a sedação não é viável de imediato — como em animais resgatados sem histórico clínico ou exames prévios —, a retirada pode ser iniciada de forma gradual, respeitando o limite de tolerância do paciente, com o restante do tratamento sendo complementado em consultas de retorno após a aplicação de medicações específicas.
Riscos de contaminação após a remoção
Um ponto importante é que, após a extração do parasita, a região tratada fica com uma ferida aberta — verdadeira porta de entrada para infecções secundárias. Se o animal voltar a pisar no solo antes da cicatrização completa, há risco de contaminação por bactérias, incluindo agentes causadores de tétano.
Por esse motivo, o uso de antibióticos de amplo espectro após o procedimento é frequentemente indicado, assim como a higienização adequada do local afetado, com produtos apropriados para evitar novas infecções.
Controle ambiental é essencial para evitar reinfestação
Não basta apenas tratar o animal: o ambiente em que ele vive também precisa de atenção. Caso o pet tenha se infestado no próprio local onde costuma ficar, é fundamental higienizar e, se necessário, dedetizar o espaço — incluindo camas, casinhas e áreas de descanso —, evitando que novos bichos de pé surjam e comprometam o tratamento já realizado.
Nem toda coceira nas patas é bicho de pé
Por fim, vale reforçar um alerta importante: prurido nas patas pode ter diversas outras causas além da tungíase. Por isso, sempre que o animal apresentar coceira intensa ou incômodo persistente nos membros, o recomendado é buscar avaliação veterinária para um diagnóstico preciso, evitando automedicação ou tratamentos incorretos.
O bicho de pé em animais é um problema que, embora pareça simples, pode gerar complicações sérias se não for tratado corretamente. Identificar os sinais precocemente, buscar atendimento veterinário especializado e adotar medidas de controle ambiental são passos essenciais para garantir a saúde e o bem-estar dos pets, evitando dor, infecções e prejuízos futuros.