Tosse dos canis: o que é, sintomas e como proteger seu cachorro dessa gripe canina

A chegada do frio e do ar seco costuma ser acompanhada por um aumento nos casos de tosse dos canis, doença respiratória altamente contagiosa que afeta cães de todas as idades. Também conhecida como traqueobronquite infecciosa canina ou gripe canina, a condição preocupa tutores justamente por se espalhar com facilidade entre os animais, especialmente em ambientes coletivos como creches, hotéis e pet shops.

Tosse dos canis: o que é, sintomas e como proteger seu cachorro dessa gripe canina
Tosse dos canis

O que causa a tosse dos canis

A tosse dos canis é provocada principalmente por dois agentes: o vírus da parainfluenza e a bactéria Bordetella bronchiseptica. Em alguns casos, outros micro-organismos, como adenovírus e micoplasmas, também podem estar envolvidos, agravando o quadro clínico do animal.

A transmissão ocorre majoritariamente por meio de aerossóis liberados durante o contato direto entre cães infectados e saudáveis — um mecanismo semelhante ao observado em doenças respiratórias humanas. Além do contágio direto, objetos como potes de água e ração também podem funcionar como veículos de transmissão, já que secreções respiratórias contaminadas podem permanecer nesses utensílios e infectar outros animais que os utilizem posteriormente.

A doença pode atingir filhotes com poucas semanas de vida até cães idosos, sendo estes últimos mais vulneráveis devido à maior fragilidade do sistema respiratório.

Principais sintomas da gripe canina

O sinal mais característico da tosse dos canis é, como o próprio nome sugere, uma tosse persistente, que costuma se intensificar durante a noite. Em muitos casos, o episódio de tosse é seguido pela expulsão de uma secreção esbranquiçada, semelhante a uma espuma, o que pode ser confundido com vômito pelos tutores.

A infecção também pode afetar a faringe e as vias nasais, causando rinite e faringite, com secreções que variam de aspecto seroso a purulento. Em quadros mais avançados, é possível observar irritação ocular com presença de secreção característica. Quando há complicações, como infecções secundárias, o risco de evolução para pneumonia aumenta significativamente, tornando o quadro mais grave e, em casos extremos, com risco à vida do animal.

Diagnóstico e quando buscar ajuda veterinária

Segundo o Dr. Daniel Pinho, o diagnóstico da tosse dos canis costuma ser realizado de forma clínica, por meio da avaliação dos sintomas relatados pelo tutor e de um exame físico detalhado. Um procedimento comum durante a consulta é o teste de manipulação da traqueia: ao pressionar levemente essa região, cães com a doença tendem a apresentar o reflexo de tosse imediatamente.

A auscultação da traqueia e dos pulmões também é essencial para identificar ruídos anormais que possam indicar complicações respiratórias. Em determinados casos, exames complementares — como radiografias do tórax, lavados traqueobronquiais e culturas com antibiograma — podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico ou investigar infecções secundárias.

Embora a tosse dos canis seja considerada uma doença autolimitante em animais saudáveis, com resolução espontânea entre 7 e 14 dias, isso não significa que o atendimento veterinário deva ser dispensado. A avaliação profissional é importante tanto para descartar complicações mais graves quanto para garantir maior conforto ao animal durante o período da doença.

Tratamento indicado

O tratamento da tosse dos canis é essencialmente sintomático. Antibióticos podem ser prescritos apenas quando há confirmação de infecção bacteriana, já que o uso indiscriminado desses medicamentos favorece a resistência bacteriana — um problema que, inclusive, representa risco à saúde pública.

Anti-inflamatórios esteroidais costumam ser utilizados para reduzir a inflamação das vias aéreas, enquanto antitussígenos ajudam a controlar episódios intensos de tosse, proporcionando mais conforto ao paciente. Em casos com produção excessiva de secreção, xaropes expectorantes auxiliam na eliminação do muco. A nebulização também pode ser indicada em determinados casos, permitindo que o animal inale princípios ativos que beneficiam o trato respiratório.

Prevenção: cuidados e vacinação

A prevenção da tosse dos canis passa, em primeiro lugar, pela escolha de ambientes confiáveis para deixar o animal, como pet shops e hotéis que sigam boas práticas de higiene e controle sanitário.

Existem ainda vacinas específicas contra a doença, disponíveis nas versões injetável e nasal. A vacina injetável não impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente a intensidade dos sinais clínicos. Já a vacina nasal estimula a produção local de anticorpos, agindo diretamente no ponto de entrada do agente infeccioso — o trato respiratório.

A tosse dos canis é uma condição comum, especialmente em períodos de clima frio e seco, mas que pode ser evitada e tratada com os cuidados adequados. Manter a vacinação em dia, evitar ambientes de risco e procurar atendimento veterinário diante dos primeiros sinais são medidas essenciais para garantir a saúde respiratória e o bem-estar do cão.

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