O melhor amigo do homem vive muito menos do que nós. Veja como lidar com a morte de um cachorro.

Quem adota um cachorro deveria estar ciente de que, quase com certeza, ele viverá muito menos do que nós. Mas ninguém pensa nisso – nem gosta de pensar –, até que o fato esteja consumado. Como lidar com a morte de um cachorro?

É uma situação muito difícil. Perder um cachorro é perder um membro da família – um membro importante, não daqueles periféricos, com quem pouco convivemos e em nada nos preocupamos. A morte de um cachorro dói muito, mas é preciso lidar com a situação e seguir em frente. É vida que segue.

Os motivos

Por que os cães vivem menos? Já foi dito que os cachorros partem antes e nos deixam porque já nascem sabendo praticar uma coisa muito importante na vida: amar. Nós precisamos de décadas para aprender a praticar este nobre sentimento. Nos cães, ele é inato.

A convivência com um cachorro doente ou idoso gera ansiedade. Mas a morte, cuja ideia é sempre adiada, um dia chega. O luto é uma situação muito pessoal – cada um reage de acordo com os próprios valores e estilo de vida. Mesmo assim, a separação apresenta determinados pontos comuns.

Como lidar com a morte de um cachorro

Apesar da proximidade entre tutores e pets, a sociedade em geral ainda não trata a morte de um cachorro como um evento com a sensibilidade necessária. Os que perdem animais podem cansar de ouvir frases como “era só um cachorro”, “compre outro para substituir” ou até “você vai ter menos despesas”. Quem já teve de lidar com a morte, contudo, sabe que não é assim.

A preparação

A morte faz parte do ciclo da vida. Mesmo o cachorro mais saudável do mundo um dia terá de dar adeus aos tutores. Animais idosos e doentes estão sem aproximando do final deste ciclo e a família humana precisa se preparar.

Conviver com um cachorro idoso oferece situações únicas: pode-se dizer que é um grande privilégio. O entendimento entre pet e tutor atinge o grau máximo, um simples olhar é suficiente para dizer tudo.

Mesmo com dores e limitações físicas, é importante manter a rotina. Os passeios serão mais curtos – talvez apenas uma voltinha até a esquina – o alimento pode ter de ser dado na boca, os braços do tutor se transformam nas pernas do cachorro. É uma boa maneira de se preparar para a separação.

E, além de pensar nos aspectos práticos – enterro, cremação, velório, etc. –, os tutores devem se preparar internamente. Quando um cachorro está muito doente, é provável que o veterinário, certo dia, sugira a realização da eutanásia.

Pense na ideia – não a espante, porque se trata de um prolongamento normal da vida. Um cachorro dolorido, cansado, sem ânimo para brincadeiras, com os órgãos e sistemas cada vez mais comprometidos, certamente sofrerá menos com uma droga que o faça relaxar, dormir e partir.

A maioria dos veterinários e enfermeiros veterinários demonstra respeito e solidariedade no momento da separação. O cachorro pode se despedir da família e até permanecer no colo ou com a cabeça apoiada nos braços em seus momentos finais.

Entender a progressão da doença e a necessidade da separação torna o luto mais leve e fácil de ser vivido. Apreenda o conceito de que o cachorro está vivendo os últimos momentos de uma vida útil, divertida e alegre.

A superação

É importante não dar atenção aos comentários rasos e pouco refletidos de pessoas que muitas vezes querem ajudar, mas obtêm resultados catastróficos. O importante é respeitar os próprios sentimentos e chorar de saudade pela perda do amigo.

O luto pode nos tornar temporariamente incapazes de realizarmos as atividades cotidianas. É comum sofrer com insônia, angústia, culpa. As crises de choro são naturais. É importante dar vazão a estes sentimentos, não os negar nem ignorar.

É difícil voltar para casa e ver a caminha vazia, os brinquedos rigorosamente organizados, as tigelas de água e comida repentinamente sem função alguma, mas é importante separar os objetos, jogar os mais surrados e doar para um abrigo os que ainda têm condições de uso, bem como os medicamentos que sobraram. “Mudar o cenário” de forma gradual ajuda a lidar com a morte do seu cachorro.

A saudade não irá desaparecer. Ela poderá se tornar mais leve, um conjunto de lembranças das brincadeiras, manhas e travessuras do cachorro que se foi, mas continua presente nas recordações. Pensar no pet se tornará gradualmente menos dolorido: o tempo é o senhor da razão, mas cada um tem um ritmo próprio.

Adotar mais uma vez?

A adoção de um novo cachorro – desde que este seja o desejo da família enlutada – pode representar uma motivação nova para recomeçar, reorganizar a vida. Um filhote traz alegria e dá muito trabalho, o que permite que a mente fique ocupada.

Seja como for, tenha muito cuidado ao adotar um novo pet – dezenas de cachorros nascem todos os dias e você se apaixonará por um deles em mais ou menos tempo. Mas não pense em substituir o cachorro que morreu: ele é único e continuará em suas memórias.

Receber um novo cachorro em casa será uma experiência prazerosa e divertida, mas não será a continuidade da experiência anterior. O filhote trará brincadeiras inéditas, mostrará caráter e temperamento diferentes. Outro ser, para partilhar a existência. Ele não pode ser encarado como substituto; talvez como um sucessor.

As crianças

Entre as crianças muito pequenas, ainda não existe a consciência da morte e, por isso, elas conseguem lidar de forma mais tranquila. Os maiores, a partir dos seis anos, certamente sofrem bastante. Não é fácil voltar para casa e não encontrar o amigo ansioso pelo reencontro.

Mostre para a criança que ela não é culpada pela situação. A morte é uma contingência natural e ocorre com todos os seres. A morte independe da nossa vontade e, mesmo quando contribuímos involuntariamente para que ela ocorra, a vida segue.

Abra espaço para a criança expressar seus sentimentos, dizer o que sente e pensa. Se ela chorar, seja continente, ofereça um lenço, um abraço e, caso sinta vontade, chore junto com ela. Perceber que a dor não é exclusiva facilita a superação.

Quando surgirem recordações -e é extremamente natural que elas voltem vez ou outra –, divida estas lembranças com a criança: os anos da convivência não podem ser esquecidos, fotos e vídeos devem ser partilhados com certa alegria nostálgica e o assunto não deve se transformar em um tabu. Fique apenas atento, porque as evocações podem se revestir de um componente mórbido e, neste caso, é necessário procurar um suporte profissional.

Lembre-se: se você perdeu o seu cachorro, tem todo o direito de chorar, sentir-se sozinho e desamparado. Peça ajuda aos amigos, sempre que precisar. Caso seja necessário, converse com um terapeuta. Não reprima a dor: use-a para se tornar uma pessoa melhor.

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