Dicas para apresentar dois cachorros

A apresentação de cachorros é simples, mas pode ser facilitada com algumas dicas.

Os cachorros são seres gregários – eles evoluíram vivendo em grupos organizados – e, graças a esta característica, apresentar dois peludos não é uma tarefa difícil. Mesmo assim, cada indivíduo apresenta temperamentos próprios, que refletem a dominância, territorialidade, agressividade, etc.

Com algumas dicas simples, é possível reunir dois cachorros sem grandes problemas. É o caso de uma segunda adoção e até mesmo da socialização entre os peludos nas ruas, praças e parques, durante as caminhadas diárias.

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Um detalhe importante: em qualquer situação, ao adotar um novo cachorro, os tutores não devem deixar que o irmão mais velho fique com ciúmes. Não se pode exagerar nos carinhos e mimos com o novo membro da família, deixando o antigo em segundo plano.

Um novato em casa

Quem adota um cachorro sempre pensa em obter um companheiro, para que os peludos não fiquem sozinhos quando os tutores estão em atividades fora de casa. O desejo de aumentar a família é reforçado também porque os cães são maravilhosos e a convivência muito prazerosa, útil e feliz.

Adotar um segundo cachorro pode ser realmente a solução para os pets que passam muito tempo sozinhos em casa, sem muita coisa para fazer. Um peludo faz companhia para o outro, os dois se completam e dificilmente surgem comportamentos destrutivos e agressivos decorrentes do ócio e do tédio correspondente.

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Introduzir um novato pode gerar alguns problemas entre os cães possessivos (ciumentos) e principalmente entre os animais agressivos e territorialistas – estes últimos podem considerar a presença de um colega como uma verdadeira invasão.

A boa notícia é que, tomando as devidas cautelas e providências, a introdução de um segundo (ou terceiro) cachorro pode ocorrer de forma tranquila e rápida, sem gerar traumas. Os tutores precisam atentar para alguns fatos:

  • algumas raças caninas, como os boiadeiros e pastores, são naturalmente dominantes;
  • outras são territorialistas e entendem a casa como domínio próprio. É o caso do pitbull, por exemplo;
  • cães idosos, que preferem “sombra e água fresca”, podem enfrentar dificuldades na convivência com filhotes hiperativos e curiosos.

Em casos de dominância, os tutores precisam vigiar a nova dupla com cuidado. Em geral, os filhotes tendem a se tornar submissos. Isto não significa que eles permanecerão tolhidos e amedrontados – apenas obedecerão às ordens do irmão mais velho.

Se for possível, os dois cães devem ser apresentados em território neutro. A sala de estar (ou o quintal) já é conhecida pelo animal mais velho, que pode usar esta “vantagem” para intimidar o novo colega. Eles podem travar o contato inicial em uma praça ou mesmo na rua em frente à casa.

Quando o segundo cachorro adotado já é adulto e os dois mostram características agressivas e dominantes, o ideal é deixar os dois animais inicialmente sem contato visual – eles saberão que existe outro peludo por perto através do olfato.

Os cães podem ter algum tipo de contato visual nos dias seguintes, mas sem partilhar o mesmo espaço. Depois da identificação olfativa, eles passarão a se conhecer também através da visão.

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Na sequência, sempre na presença do tutor, eles podem começar a partilhar o mesmo ambiente. É preciso observar se um deles (ou os dois) demonstra sinais de estresse – um dos mais comuns é evitar olhar nos olhos do tutor, mas eles também podem se esconder, ignorar o novo parceiro e, em casos mais raros, partir para o ataque.

Os períodos em que os dois ficam juntos, na presença do tutor, devem ser enriquecidos com algumas atividades. Pode-se começar com a brincadeira predileta do irmão mais velho, seguida por novos jogos. Gradualmente, a partilha das atividades vai sendo ampliada.

Em poucos dias, os dois cachorros já terão estabelecido uma parceria. Eles próprios estabelecem algumas regras, como quem se alimenta ou quem recebe o carinho do tutor em primeiro lugar.

Isto acontece porque o segundo cachorro está sendo inserido na matilha e precisa aprender as regras do grupo. As posições de liderança e submissão são bem aceitas por todos: o cão subordinado não se sente humilhado por causa da sua “condição social”.

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É importante observar os hábitos dos cachorros. Alguns peludos gostam de tomar banho de sol em horas determinadas, outros apreciam as brincadeiras com humanos sempre antes das refeições, outros ainda têm pertences “intocáveis”.

Como regra geral, todos eles conseguem organizar a nova rotina, mas, se necessário – quando o irmão mais velho começa a forçar a barra –, o tutor deve intervir.

A maior dificuldade quase sempre é estabelecer as atividades de acordo com a capacidade física de cada cachorro. Alguns peludos são rústicos naturalmente e podem inclusive provocar acidentes, especialmente com filhotes.

Com o dias de convivência, eles já conseguem compreender as fragilidades dos cães menores, mas a supervisão dos humanos continua sendo imprescindível. Os passeios em conjunto são boas ocasiões para o cachorro mais velho avaliar as condições físicas e emocionais do novo amigo.

Além disso, estes são momentos de descontração e prazer. Os dois animais rapidamente associarão a atividade e o “companheiro de expedição”. É como se o segundo cachorro se tornasse quase instantaneamente um parceiro de explorações, corridas e aventuras.

Pelas ruas

Os passeios diários são fundamentais para os cachorros e também para os tutores. Eles podem ter início logo depois da primeira rodada completa de vacinas e da vermifugação, sempre com o consentimento do veterinário.

Durante as caminhadas, os cachorros exercitam todo o corpo e, desta forma, conseguem se fortalecer de maneira harmônica. Os passeios forçam os músculos, tendões e ossos, além de condicionar a capacidade cardiorrespiratória. De acordo com as condições gerais do peludo, ele deve caminhar cerca de 30 minutos diariamente – o ritmo da marcha depende do pique da dupla.

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Não são apenas os benefícios físicos ao desenvolvimento e à manutenção da saúde que são obtidos nas caminhadas. Nesses momentos, os cachorros fortalecem os vínculos com os tutores, encontram condições práticas para assimilar os comandos e ordens do adestramento, desenvolvem a orientação espacial e passam a conviver com outros seres.

Se um cachorro nunca sai de casa, ele passa a imaginar que a matilha é composta apenas por ele, o cachorro “normal”, e outros cachorros engraçados, bípedes, alongados e pelados. Para ele, avistar outro cachorro seria equivalente a encontrar um alienígena.

A estruturação mental e psicológica é muito beneficiada pelos passeios, que devem seguir uma rotina, para que os animais se adaptem. Nas caminhadas, os peludos encontram outros humanos, mas principalmente outros cachorros.

As ruas, praças e parques são experiências multissensoriais. Nós não damos muita importância aos estímulos, mas os cachorros apuram a atenção com uma infinidade de sons, cheiros, texturas, sabores e visuais diferentes.

É mais fácil controlar os instintos agressivos e territorialistas dos cães, quando eles começam a passear nas ruas ainda filhotes. Mas os resultados mais concretos e imediatos são obtidos no estabelecimento de relações com outros cães.

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Em geral, os cães mais bravos são conduzidos com guia curta e focinheira, mas o melhor a fazer ao se deparar com um animal (especialmente de médio ou grande porte) é perguntar ao condutor se ele é sociável.

Em caso positivo, os dois animais podem começar a se conhecer. Pode parecer estranho para os humanos, mas um dos primeiros gestos, quando dois cães desconhecidos se encontram, é cheirar o traseiro um do outro.

Os cachorros reconhecem primeiramente a raça. Em seguida, eles começam a procurar pistas sobre a identidade e as intenções do forasteiro. A região anal está repleta de informações: pelo faro, os cães conseguem descobrir se o novo parceiro tem alguma doença, se está com medo, estressado ou irritado e até se uma fêmea está receptiva ao acasalamento (ou se estará nos próximos dias).

De posse destas informações, os cachorros decidem quais são as melhores atitudes a serem tomadas. Tudo depende do temperamento: um cão paciente e tolerante pode tentar incentivar outro medroso, mas os gestos serão totalmente diferentes no caso de um cão dominante, mandão.

A partir deste momento, os cachorros podem escolher as próximas atividades: brincar (inclusive simulando lutas), explorar um rastro ou apenas seguir lado a lado, “conversando” enquanto os tutores se conhecem melhor.

A linguagem oral dos cachorros é limitada a rosnadas, latidos, uivos e ganidos, mas a linguagem corporal é extremamente rica e elaborada. Por isso, quando dois cães desconhecidos se encontram, os tutores devem ficar alertas a alguns sinais:

  • rosnadas e mostras de dentes;
  • avanços e negaceios;
  • a posição da cauda.

Quando portada ereta, em riste e acima da linha superior do tronco, o cachorro está “explicando” que é o dono do pedaço – é melhor que o outro não o irrite. Seguindo a mesma linha superior, mas abanando, ou dobrada sobre a garupa, o cachorro quer brincar e está convidando o parceiro. A cauda baixa ou enfiada entre as pernas indica medo e desconforto – o melhor a fazer é bater em retirada.

As orelhas também têm muito a dizer. Durante as caminhadas, quando está tranquilo, os cachorros as mantêm relaxadas, mas quando a posição muda e elas ficam em pé, os peludos estão em alerta. No caso das orelhas caídas, de abano ou em rosa, as partes internas das raízes são projetadas para frente.

Apesar de serem gregários, os cachorros também mostram preferências pessoais: eles podem se revelar amistosos e camaradas com alguns animais que encontram nas ruas, mas amedrontados por outros – ou apavorando outros.

Os tutores podem respeitar essas “preferências”. Afinal, o passeio é deles e as brincadeiras serão curtidas por eles. O importante é aprender a falar a linguagem dos cães, para garantir o máximo proveito – e a máxima diversão em todas as ocasiões.

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